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2/07/2012 7:46

Papo (totalmente) futebolístico

“Quando me vejo nos apertões de um estádio cheio, vejo e escuto o povo em plena criação” (José Lins do Rego)

Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa. Facultar ao atleta a condição de poder manter relacionamento social e familiar antes de compromissos importantes, como faz o técnico da atual seleção alemã (e, como antes dele, mostraram-se dispostos a fazer, anos atrás, técnicos das seleções da Holanda e da Dinamarca) é algo totalmente inverso a qualquer demonstração de conivência ou tolerância diante das badalações noturnas de jogadores festeiros em véspera de partida importante.

Não poucos especialistas em fisiologia reconhecem vantagens no sistema de liberação (com responsabilidade profissional) sobre o tradicional regime de concentração rígida, que implica em restrições muitas vezes negativas do ponto de vista psicológico.

O desempenho daqui pra frente do escrete alemão, apontado sempre como candidato a títulos nos torneios de que participa, levada em conta essa alteração de ordem disciplinar, vai ser acompanhado com o maior interesse pelo mundo da bola. Se a experiência lograr êxito, poderá produzir reações contaminantes noutras paragens. Esperar só pra ver.

Brasil e Argentina presentearam a plateia com um espetáculo de gala. Infinitamente superior aos grandes clássicos da Eurocopa. A rapaziada testada para a disputa olímpica deu conta magnificamente da empreitada. O triunfo só não pendeu pro nosso lado – não tem como deixar de admitir – em razão da presença na cancha de um certo Leonel Messi.

Incomparavelmente, inquestionavelmente, o melhor jogador de futebol do mundo na hora atual. Sem ninguém, em qualquer outro canto onde se pratique o ludopédio, que de leve lhe possa fazer tênue sombra. O que todos vimos, deslumbrados, em seus magistrais deslocamentos com a bola nos pés pelo gramado, na sensacional partida nos Estados Unidos, foram lampejos de genialidade copiados – pode-se garantir – do repertório de Sua Majestade, o rei Pelé.

A contratação de Ronaldinho Gaúcho pelo Atlético mexeu tanto com a temperatura do futebol mineiro, que em tempos recentes tem se mantido mais pra fria do que pra morna, por uma série de fatores. A presumida extravagância nos números da transação, com seus efeitos colaterais negativos no ânimo do restante do elenco, como sói sempre acontecer em situações do gênero; os temores, externados por muitos, de que o atleta faça por onde querer repetir nestas bandas a mesma decepcionante performance, sobretudo extracampo, da passagem pelo Flamengo não ensejaram, falar verdade, argumentos capazes de arrefecer a vibração da torcida, até nas hostes tradicionalmente adversárias, com a contratação.

Todo o segmento futebolístico mineiro, direta ou indiretamente, beneficiou-se do fato. Mesmo carecendo, neste preciso instante, de condições físicas e psicológicas para poder mostrar nas quatro linhas o futebol prodigioso que lhe assegurou por duas vezes a conquista do invejável título de “melhor do mundo”, Ronaldinho poderá, se quiser, voltar a encantar as platéias.

A propósito de Ronaldinho ainda: malgrado o comportamento criticável do atleta, considerei de uma mesquinhez imperdoável a atitude dos dirigentes do Flamengo liberando fotos aparentemente comprometedoras de sua vida particular. Qualquer árbitro, nessa contenda do atleta com o clube sacaria do bolso cartão vermelho para os padrões esportivos cariocas por conta dessa entrada brusca.

César Vanucci
Jornalista
cantonius1@yahoo.com.br

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