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14/07/2012 8:26

Esclarecendo o pescoço de frango

Meu nome é Cláudio Guedes, tenho 48 anos, casado, pai de três filhos e servidor público concursado desde 1991. Nunca disputei cargos eletivos, mas me tornei secretário municipal de Meio Ambiente, Serviços Urbanos e de Planejamento Urbano e Meio Ambiente, por uma via da qual muito me orgulho: o reconhecimento da capacidade técnica, disposição ao trabalho e amor à cidade.

Apesar disso, vi-me em fevereiro de 2009, com o diretor de Compras e outros cinco servidores, tendo que explicar, em poucos e editados segundos de TV, a compra de pescoço de frango para o Zoológico Municipal a um preço aparentemente muito maior do que o praticado nos açougues. Uma suposta “compra superfaturada” foi ótimo material jornalístico.

É até compreensível que a imprensa e o público identificassem na reportagem mais um provável caso de corrupção, como tantos outros em outras cidades. Pois foi exatamente nesta posição suspeita que me vi subitamente. De repente, se realizava o pior dos pesadelos para quem acredita que é possível ocupar um cargo público sem perder a integridade: fui atirado na vala dos políticos desonestos, um lugar onde, depois de tantos escândalos nacionais, se é culpado até prova em contrário.

Porém, no decorrer do processo, conseguimos mostrar que se tratava de um produto diferenciado, de pouca oferta pelas quantidades e condições de entrega, cuja aquisição pretendida fora legitimada por um processo de licitação legal e transparente. O produto devia ser industrializado, fiscalizado pelos órgãos competentes (com marca), transportado e entregue no Zoológico apenas resfriado dentro de especificações rígidas de segurança alimentar para garantir a saúde de mais de 60 animais e não apenas de um “leão”. Provamos a importância do produto – com alto teor de cálcio e fonte de proteína para compor a alimentação balanceada, inclusive com responsabilidade técnica.

Tivemos o prazer de ver os depoimentos de conceituados especialistas – médicos veterinários, professores da UFU que confirmaram a importância do produto, a necessidade de procedência e fiscalização dos órgãos de vigilância sanitária, assim como do presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes declarando a dificuldade de se encontrar tal produto, do preço em acordo pelas condições de procedência, de rastreabilidade e de entrega. Além disso, os participantes de licitação em geral devem apresentar vasta documentação conforme exigência legal, o que diminui o interesse em oferecer o produto e elevam o preço.

Mostramos que, imediatamente à denúncia, determinamos que o contrato fosse suspenso sem que qualquer pagamento fosse efetuado. Não pela possibilidade de alguma irregularidade, mas para reforçar o compromisso com a lisura, dando a oportunidade de se encontrar o mesmo produto com a qualidade necessária. Até hoje não se conseguiu interessado em oferecer o produto.

Enfim, graças a Deus e aos instrumentos Dele, a Justiça está sendo feita. Agradeço aos amigos que sempre confiaram em mim e que até se revoltaram por mim, servidores da PMU e a todos os presidentes dos sindicatos da Fiemg que endossaram confiança e apoio irrestrito por meio de abaixo-assinado juntado ao processo. Peço a Deus que elimine as aflições deixadas em nossos familiares; que fortaleça os homens de moral e bem-intencionados, para que jamais desistam da vida pública, apesar de desgastes e constrangimentos como esse pelo qual passamos.

Cláudio Guedes
Servidor público

Comentários (3)

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  1. Mario Borges disse:15/07/12 12:01

    De quem foi o dedo indicador apontado para os funcionários da Futel, o jornal poderia revelar agora seus nomes, são politicos rasteiros e sem responsabilidade, possivelmente do mesmo partido ou da base daquele chefe de uma quadrilha que vai ser julgado agora em agosto pelo STF

    Responder
  2. Mario Borges disse:15/07/12 19:20

    Mario Borges disse:15/7/2012 12:01:27

    De quem foi o dedo indicador apontado para os funcionários da Futel, o jornal poderia revelar agora seus nomes, são politicos rasteiros e sem responsabilidade, possivelmente do mesmo partido ou da base daquele chefe de uma quadrilha que vai ser julgado agora em agosto pelo STF

    Responder
  3. jose carlos nunes barreto disse:16/07/12 18:25

    os cães ladrão e a CARAVANA PASSA?!

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