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18/08/2012 8:26

Vida e morte: chacinas

“Muitos se perderam no caminho/mesmo assim é fácil inventar/uma nova canção/que venha trazer/sol de primavera/a lição sabemos de cor/só nos resta aprender” (Cancioneiro popular).

Contam as escrituras que Jesus estava ocupado demais a atender as multidões, fazendo milagres, de tal forma que se atrasou para ir ver a doença de Lázaro – quase um irmão. Quando enfim se desvencilhou dos compromissos e chegava ao lugarejo, ainda longe, Maria e Marta, irmãs do doente, correram ao seu encontro e relataram o pior: Lázaro havia morrido. Jesus chorou. E esta é a única vez em todos os evangelhos, que esta humana condição é revelada por Nosso Senhor. Gosto de ler esse texto em www.bibliaonline.com.br. O espectro da morte como companheira de nossa existência aparece nos escritos sagrados para nos mostrar a brevidade da vida e o poder de Deus sobre este, que é o temido fim de todos nós. No caso de Lázaro, Jesus pediu que o levassem até a tumba do morto, mas as irmãs tentaram demovê-lo, porque já fazia três dias e ele cheirava mal. A multidão o seguia. Ao chegar ao túmulo, Ele ordenou que retirassem a enorme pedra que bloqueava a caverna e gritou – “Lázaro vem para fora”. E este apareceu como um fantasma, cheio de ataduras e cheirando muito mal. Jesus não o tocou, apenas ordenou que o desatassem – o que foi imediatamente feito por suas irmãs e amigos, que, provavelmente, providenciaram banho, comida e festa para brindar a ressureição de um amigo querido. Neste milagre, Deus quis ensinar que existe um tempo dEle. Também serviu para lembrar a todos que para tirar pessoas dos túmulos da vida é preciso atender às ordens do Rei do Universo: mover pesadas pedras; desatar ex-defuntos apesar do mau cheiro e este é um trabalho de equipe; não é possível fazê-lo sozinho. Pelo que depreendemos no texto, Lázaro tinha muitos amigos. E eles é que fizeram tudo, alegres por estarem vivendo aquele momento mágico, sob as ordens do Mestre.

Mas o que tem a ver esta escritura com as chacinas que têm ocorrido em Uberlândia? Me permitam a licença poética: nossa sociedade estava como Lázaro: doente. E mandou sinais – os indicadores de morte violenta. A ONU ensina que, acima de 8 mortes por 100 mil habitantes, seria epidemia. MG já estaria muito ruim, cerca de 18 mortes por 100 mil habitantes. Já Udia estava muito pior mais de 30 mortes por 100 mil. Pior até que a média brasileira. As nossas autoridades deixaram a elite da zona sul ilhada entre dois focos de delinquência, os bairros São Jorge e Patrimônio, e que equivalem no Rio ao Complexo do Alemão e a Rocinha antes das UPPs. Agora com as chacinas ocorridas e ainda na metade do ano, com indicador de 22 mortes por 100 mil, o doente morreu e cheira mal. Precisamos de milagres ou de outro governo – qualquer que seja o partido vencedor das eleições – que use intelligentsia e estratégias como a do Rio de Janeiro: entrar na comunidade e ficar – desatar nós, pegar no pesado, tirar as pedras da falta de comunicação com a sociedade, não ter medo do cheiro ruim daqueles que estão mortos socialmente. As perguntas dos dirigentes hoje são iguais a de Alice (no País das Maravilhas) ao gato na bifurcação da estrada, e a resposta é a mesma. Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve. Oremos!

José Carlos Nunes Barreto
Professor-doutor
debatef@debatef.com

Comentários (2)

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  1. marilia cunha disse:18/08/12 9:03

    Este é um assunto que não pode mais calar. A violência em nossa cidade está tomando proporções angustiantes. Não dá mais para fazer de conta, fingir que nada está acontecendo e tapar os olhos para a realidade. As autoridades têm de tomar medidas drásticas, antes que nos vejamos num caminho sem volta. Os fatos exigem.

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  2. webstter disse:18/08/12 10:11

    em parte é culpa da prefeitura,que poderia ter colaborado com a implementaçao da guarda municipal.

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