Sonhos da maior profilaxia
Estou lendo jornais e vendo nas TVs os noticiários da criminologia dos novos tempos. Creio que todos concordarão: nunca vi nem assisti a tanta e tão cruel criminologia. Não existem mais roubos e atentados simples. O bandido escolhe a casa, os horários e os donos, o dia melhor, o horário em que a polícia já passou ou não passará. Tem um companheiro no assalto criminoso, divide em uso a droga, vem o silêncio. Eles já sabem o horário mais apropriado. Um toca a campainha, o morador abre a portinhola, o de fora pergunta um endereço e, nessa hora, o seu segundo já lhe chega o revolver, “é um assalto, abra a porta ou vão morrer todos”. Segue-se a tragédia: abre ou não abre, ele está morto, a porta arrombada, a casa varejada em tudo e de todos. A mulher desesperada chora e treme, é violentada na sala – se tem filha, tem o mesmo destino; se for homem acompanhará a morte do pai. Besteira comentar os detalhes asquerosos e eventuais torturas. Os criminosos se divertem e vão embora.
Quadro dois: a notícia sai na imprensa e, por pistas, investigações, microfilmes e denúncias, os bandidos são presos, escondem a cabeça, vão a julgamento, coisa variável, cadeia. Depois de melhor aprendizado na prisão, voltam para repetir com capricho a sua experiência. Bem, este é um bê-á-bá de todo dia, repetido em todas as cidades. Os que foram torturados ou mortos morrem no silêncio, qualquer punição é pequena, os presídios estão estufados de casos iguais. Vem agora a sua pergunta: o que fazer? Respondo por eles: nada, meu amigo, você é do jornal passado, nada mudou, este é o meu Brasil! É claro que este exemplo é um sem graça e sem rodeios. Na realidade, as coisas são maiores e mais sérias, a impunidade e a superlotação criminal põem na rua os novos e estudados malfeitores. Vamos esperar o jornal de amanhã. As medidas punitivas, disciplinares e sociais em nada melhoram a nossa expectativa: o império criminoso é sedutor e sobrevivente. Bem, nesta manhã, vi e depois li novos casos, aqueles que terminam em prisão provisória, reeducativa ou blablablá. Vendo sofrer aquela mãe idosa, a filha violentada, o marido morto. Voltei ao estudo e tratamento da barbaridade. Besteira, já me disse um delegado: o prende e solta vai continuar, as quadrilhas vão aumentar, a droga permanecerá rainha! E daí meu novo pensar, que lhes conto para um possível futuro.
Já escrevi como combater droga com droga. Agora, aventuro-me na criminologia fatal, que países em expansão anterior já usaram. Vou ser bem claro no estudo desta proposta: o crime deste tipo vale zero em termos de cadeia – o bandido voltará igual, talvez aperfeiçoado na cadeia: não tem cura. O que fazer? Meu pensamento, tirado de passado longínquo. Touro e vaca que não prestam: tirar do mercado. Certo: não há pena de morte. Certo, mas há um remédio para a sociedade pensar e assumir: a castração! Não posso matar o assassino violentador, mas posso – por lei! – esterilizá-lo. Uma boa capação cirúrgica vai impedir o futuro e talvez um primeiro pensamento nas famílias da violência. Será difícil, mas é caso a pensar: o malvado não vai acabar, mas não terá lar ou descendência. Bem, sei de um delegado rural muito antigo que moralizou (ou expulsou) a maldade cruel. É caso para pensar. Penso.
João Gilberto Rodrigues da Cunha
Médico
Uberaba (MG)