O poder embriaga
Quando deputados e senadores em Brasília reconhecem que a quase totalidade da população não dá muita “moral” ao que fazem ou dizem, logo se ouriçam e colocam a boca no trombone para querer provar o contrário: esforçam-se para demonstrar que trabalham diuturnamente pela ordem e pelo progresso do povo tupiniquim.
Não sei, sinceramente, como funciona o mecanismo da combinação dinâmica específica que faz parecer complexas as atuações de cada um de muitos congressistas, sempre vistos pela TV a gesticular e vociferar freneticamente diante de microfones e câmeras, como uma maneira de serem escutados, reconhecidos e até admirados por alguns eleitores que ainda não tiveram o seu senso crítico devidamente formado e apurado.
Alguns daqueles senhores e senhoras imaginam perpetuar-se no poder não por um profícuo e honroso trabalho que deles se espera, mas apenas por meio das polêmicas que criam e que fazem ecoar por todos os quadrantes da Terra de Santa Cruz.
Sob o efeito de irradiações de simpatia a partir de pessoas hábil e facilmente manipuladas, assistimos à proliferação de exímios oradores eleitos ao cargo de deputado, mas que sabemos nada mais são que frutos de uma (muito boa) reprodução tecnicamente assistida e desencadeada por organismos que visam, sim, edificar um reino paralelo à República enquanto dividindo o mesmo espaço territorial.
As suas armas, a eloquência com persistência! Imagino serem organizações que se alimentam das polêmicas que criam e que fazem ecoar com ardor o que pensam, com a arte nazista de um Joseph Goebbles, enquanto na tresloucada tentativa de perpetuarem-se no poder e manterem-se sempre em evidência.
O surto e a ascensão desses grupos na vida pública e política brasileira, não raras vezes, fazem emergir um de seus representantes para chamar a atenção para si e dar a sua valorosa fatia de contribuição a um esquema previamente elaborado.
Acredito que algumas das suas manobras até produzam o efeito desejado pelos seus protagonistas, mas outras deixam transparecer o lado mesquinho de uma dissimulação muito bem ensaiada.
Às vezes, um eleitor vota em um candidato pela sua simpatia, mas nunca imagina a consequência deletéria daquele seu ato.
Sim, porque debaixo das aparências e da boa oratória de um candidato, pode esconder-se uma personalidade facilmente controlada por grupos que vivem de forma parasitária em relação aos poderes constituídos.
Porque, ao contrário de alimentarem constantemente o desejo de ter sobre si o foco das câmeras e a luz dos holofotes, aqueles políticos não se juntam a outros por uma nobre e acalentada causa em prol de toda a população?
Também na condição de eleitores, devemos ter em mente que nem sempre o parlamentar que fala bem e bonito irá melhor nos representar nas assembleias do povo, mas sim aqueles que, secundados pelo sincero desejo de servir e por uma inteligência esclarecida, têm o verdadeiro discernimento das obrigações que o mandato lhes confere.
Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia (MG)