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17 de abril de 2014 7:46

Por um Brasil melhor

O Brasil que temos, não é o Brasil que queremos. É o desejo da maioria, é a argumentação da interpretação da política atual, um cenário sem perspectivas de um futuro melhor e um país mais justo. A política brasileira, a sua definição enquanto democrática, também lhe pertence à verificação da sua função social que tem exercido seu desempenho econômico e da sua dependência em relação à irresponsabilidade administrativa na gestão pública.

A teoria política é uma coisa, a realidade que os brasileiros vivem e assistem é outra totalmente diferente, do gênero, dos personagens, da relação política social com os setores prementes da sociedade. Porque as políticas refletem, antes de tudo, sobre ela própria, mas na sociedade ela é impiedosa e, às vezes, não garante a existência de um espaço de questionamento dos fatos que aí estão, mas que nem todos conseguem enxergar. No limite, é possível afirmar, com convicção, que para que aconteçam mudanças verdadeiras na política brasileira, é preciso uma reforma política que parece não interessar aos nossos governantes, é, ela mesma, um gênero salvador, graças à indissociabilidade entre esta e a prática que a afunda.

A política brasileira é, muitas vezes, colocada no mesmo patamar de países desenvolvidos e seguros por uma democracia cidadã sólida e consciente. O mesmo é válido para aqui: acredito nas tentativas de interpretação do processo de mudança política desencadeado pelas manifestações que foram iniciadas pelos movimentos passes livres e ganharam o apoio da população que é contra a corrupção e os gastos abusivos do país. Não me expresso aqui somente em relação à Copa do Mundo deste ano, mas às várias outras causas que acabam se revelando nos bastidores da política lenitiva do nosso Brasil.

A maioria da sociedade sabe que o nosso Brasil não vai mudar em um dia, em uma semana ou até, mesmo, nos próximos meses, mas clamam por mudanças e isso já foi evidenciado. O que não é entendível é porque esperar as eleições para efetivamente pôr em prática as mudanças tão necessárias. Não assistimos nas narrativas dos candidatos ao planalto, posições que determinem mudanças, são discursos vazios, sem nexos, mais críticos a atual gestão do que verdadeiramente propostas de governo e mudanças.

O Brasil está em um momento decisivo para definir a nossa história, nossa política e as mudanças que queremos. A sociedade foi às ruas e deixou claro que exige ser ouvida pelos governos e Legislativos. O Brasil não tem amanhã se continuar os abusos, com os desmandos, a inércia estatal ou qualquer tipo de opção de política em detrimento do povo. As ruas já mostraram que, além das recentes manifestações, contêm uma decisiva coragem manifesta de não mais aceitar ser conduzida a uma falsa situação.

A sociedade brasileira quer mais; quer discutir o processo de formação política dos indivíduos, a política educacional, a política da saúde pública, da segurança pública e pensar uma educação formadora da cidadania, mas igualmente à convivência social, à cidadania e à tomada de consciência política. O ensinamento, à vista do desenvolvimento da cidadania, significa fazer de cada pessoa um agente de transformação social. “Um Brasil melhor e mais justo”, não é querer de mais. O que estão esperando nossos governantes?

Diógenes Pereira da Silva
diogenespsilva2006@hotmail.com

16 de abril de 2014 7:46

A zona azul digital

O sistema de zona azul digital para o controle das vagas de estacionamento rotativas na região central de Uberlândia pode ajudar a melhorar a situação da falta de lugar para parar, planejando e organizando os fluxos e o tempo de estadia dos veículos que precisam estacionar no centro.

Se a Prefeitura, que já tentou fazer uma concorrência com exigências que foram questionadas, provocando o adiamento da mesma, montar um edital em parceria com a sociedade, propiciará uma melhor qualidade no tipo de tecnologia a ser utilizada e dará mais transparência ao processo.O melhor sistema atual é o que utiliza o smartphone (telefone celular que grande parte da população já usa) e a tecnologia utilizando softwares que usam o SMS e WAP. O método funciona assim: o usuário faz um cadastro seu e de seu veículo pelo site ou pelo celular; compra horas de estacionamento usando cartões de crédito através da internet e marca sua vaga pelo mapa do aplicativo do site ou do celular.

A vantagem deste processo é que não se usa dinheiro, não há necessidade de sair e voltar ao veículo, não envolve o uso de papel ou de compra através de lojas fixas. Para esse serviço, são permitidos diversos meios de pagamentos e a consulta de saldos e extratos é feita pela internet. Existe também a possibilidade de se reservar vagas com horário certo.

A CDL, que representa o comércio e os serviços, tem demonstrado interesse em participar da implantação do sistema, como definidora e gerenciadora, já que o processo tem ligação direta com os lojistas. Esta alternativa contemplaria os interesses da população e ajudaria a Prefeitura a dar clareza, limpidez e, principalmente, uma prestação de contas eficaz do serviço.

A cidade não pode se preocupar somente com a zona azul, porque ela não aumenta o volume de vagas, só disciplina o uso. O volume de estacionamentos privados na região central, mais ou menos 130 estabelecimentos, ajudou a aumentar a oferta de vagas, porém com um custo/hora para o consumidor muito alto e provocar um processo de descaracterização da região central, tornando-a mais feia e aumentando o valor de venda e de aluguel para as empresas que poderiam se instalar ali. Este fato está diretamente ligado à diminuição da oferta de imóveis, que foram demolidos para dar lugar aos estacionamentos.

A solução está no projeto de revitalização do Centro, proposto pela CDL há quatro anos, que inclui a construção de dois grandes bolsões de estacionamento nas regiões nordeste e sudoeste do Centro, interligados por um transporte coletivo circular de qualidade. Este plano prevê a criação de 4.000 vagas subterrâneas, que permitiriam a revitalização de dois setores que já apresentam sinais de decadência. Sobre os bolsões seriam construídas lojas e escritórios, interligados por vias para pedestres com muita área verde e lazer. A grande vantagem é que a viabilidade seria feita por meio de uma parceria público-privada (PPP), com pouco uso de recursos públicos. Este projeto foi mostrado ao prefeito Gilmar Machado antes de sua eleição e, por sua magnitude, abrangência e objetividade, passou a fazer parte de seu programa de governo.

Fomentar e atrair grandes empresas e parques tecnológicos são atitudes muito importantes, porque melhoram a arrecadação e aumentam os empregos, porém sem um planejamento urbano competente e capaz de alavancar projetos e construções para uso público, não haverá equilíbrio, paz e felicidade.

Cicero Heraldo Novaes
Empresário, engenheiro
Diretor da CDL

15 de abril de 2014 8:38

Adoção

Por Prof. Alcino Eduardo Bonella
Instituto de Filosofia – UFU

Nós, humanos, somos mamíferos sociais, e, em geral, como os outros primatas, temos atitudes pró-sociais. Os golfinhos ajudam os membros feridos de seu grupo a sobreviver. Lobos levam parte da comida para aqueles que não estavam na caçada. A maioria de nós, seres humanos, em maior ou menor magnitude, também age de modo colaborativo e altruísta.

A costureira Neiva Picoli, 41 anos, no Paraná, doou um de seus rins ao seu filho, Vanilto, de 19 anos. A cirurgia é arriscada e a falta de um rim mais ainda. Se algo acontecer ao seu único rim, ela morrerá. Mesmo assim, ela o doou. Colocar o interesse dos filhos acima dos próprios interesses é um exemplo de altruísmo. Temos cuidados parecidos mesmo com parentes distantes e com estranhos.

Nesta semana, Marco Silva, de 32 anos, viu alguém perder em um envelope 600 reais e duas faturas a pagar. Ele pagou as faturas e tentou achar, pela internet, a dona do dinheiro para devolver o troco. E conseguiu. Ele está desempregado e vive numa família de poucos recursos.

Também temos exemplos de egoísmo e de egoísmo extremo. A violência é o maior de todos. Ocorre por que a sociedade pode potencializar o egoísmo e o altruísmo. Fora dos extremos, em média, somos bons. Mas somos limitados em nossa informação, meios técnicos e incentivos sociais. A sociedade capitalista de consumo de massa, aparentemente, potencializa nosso individualismo e enfraquece nosso altruísmo. Por exemplo, há a tendência crescente de não se ter filhos ou de se ter apenas um. Isso não é em si mal, não fosse algo que contrarie a tendência em agir em favor da prole e concentrar recursos econômicos e psicológicos para si mesmo ou para apenas um filho. Não ter naturalmente filhos ou ter apenas um também não seria mal se mais pessoas adotassem crianças sem lar.

Adotar uma criança órfã é um dos grandes exemplos de altruísmo: a preocupação com os filhos naturais pode ser tida como egoísmo disfarçado, já que estaria ligada à propagação dos próprios genes. Quem adota, porém se torna pai e mãe (ou pais, ou mães) de alguém que não carrega os seus genes. É difícil não entender a adoção como um gesto de amor, sem interesses próprios predominantes.

Bons pais adotivos agem como se fossem pais naturais e, em geral, são até mais solícitos com os filhos do coração. Como gesto de amor, a adoção não se dá, em cada caso concreto, por causa de um suposto dever moral ou religioso de se adotar. Ela se dá por simples dádiva e solicitude. Mas como fenômeno social, ela pode ser potencializada ou desvalorizada pela sociedade como um todo, pelas autoridades e instituições. A sociedade deve incentivar a adoção, criar facilidades, ter leis inteligentes que a favoreçam.

A potencialização do altruísmo e da adoção também se dá pelo estímulo público a que se adote ou a que se adote de outras maneiras, especialmente da parte de quem tem recursos para tanto, como pela acolhida provisória da criança em seu próprio lar e a doação de dinheiro a ONGs e a fundos públicos de amparo às crianças órfãs. Outro meio é aceitar e incentivar a adoção por parte de solteiros e de casais do mesmo sexo. São igualmente famílias.

As pessoas que adotaram que eu conheço são pessoas geniais e muito felizes. Gostaria que todas soubessem que o gesto delas torna mais luminosa a natureza humana e mais decente e justa nossa comunidade social, deixando o mundo um lugar melhor de se viver.