Nota que merece repeteco
Desde criança, eu já era apaixonado por uma boa pescaria. A pescaria da qual estou falando é aquela quando vou pescar com aqueles meus companheiros legais, trabalhadores, ótimos chefes de família, pessoas responsáveis. Vejamos: quando começo o trabalho de ajeitar a tralha, já me sinto como se estivesse pegando (ou ferrando) os piaus-três-pintas.
Sou mesmo um pescador inveterado. No mês de abril, por exemplo, estive por duas vezes na Usina da Emborcação, duas vezes no Lago Azul e uma vez no Barreiro. A quantidade de peixes nessas cinco pescarias nem é bom contar: aqui em casa, aquela que manda que eu vá e volte com Deus já está pisando miudinho: “Você tem todo o direito de ir pescar. Você já trabalhou muito, está mais pra lá do que pra cá e agora está fazendo o que gosta, mas… gastando o dinheirinho que seria nosso, tudo bem. Agora, pelo amor do Cristo, não me traga mais peixes pra casa; reparta 80% com seus amigos. Entendido?”.
Eu explico, antes que alguém possa pensar ser ela quem manda, de verdade. Acontece que sou sempre o campeão entre a turma da pescaria, pois vou chegando e logo fazendo esta oração: “Já joguei flô prus cabelo/ já joguei fumo pra fumá/ Iemanjá, Iemanjá… manda os peixes pru lado de cá!”. Eis o porquê do disparate de traíras, piaus e branquinhas.
Mas o infinitamente triste é que minha cara-metade descobriu que o cheiro forte de peixes atrai gatos para dentro do quintal. Por este tal e qual é que ela anda às turras com a gataiada aqui na rua Timbiras. É verdade que eles fazem pagode em cima da casa quando trago aquela peixaria! Pois então: fazer o quê, senão ficar lembrando de uma frase sempre repetida por um personagem de novela de rede global: “Como de fato é mesmo!?” Devo então deixar de pescar?
Bem, fica o dito por não dito, pois o que eu queria era repetir aqui esta nota interessante, vinda da parte do empresário Odomires Mendes de Paula: “O Milagre da Multiplicação – Na Galileia, Jesus fez a multiplicação dos peixes e de pães e alimentou 5 mil pessoas. Aqui no Brasil, a multiplicação não é dos peixes e pães; é dos pescadores, por meio do seguro-defeso existente desde 1991. Milhares de supostos pescadores recebem um salário mínimo mensal durante o período defeso. Em 2012 eram 91.744 privilegiados, que custaram aos contribuintes R$ 60,2 milhões. Em 2012, já são 647.670 ao custo de R$ 1,9 bilhão, entre fazendeiros, políticos, comerciantes e até pastores. A maioria não sabe diferenciar um bagre de um tambaqui. Até mesmo os que estão recebendo o auxílio-doença recebem também o seguro-defeso. Este montante é quatro vezes o valor das exportações de pescados. Jesus deve estar se sentindo humilhado, pois ele só conseguiu alimentar 5 mil e apenas por um dia”.
Como de fato foi mesmo, Odomires, pois, se está na Bíblia, nós cremos. Mas vejamos também que, aqui neste país, os pescadores amadores só podem pescar e trazer maior quantidade de peixes para casa fora do tempo da piracema. E, em qualquer época, com os peixes sob medida e severa vigilância. Enquanto isso, os “profissionais” da pesca arrasam seca e verde amparados por leis bondosas e com suas redes que atravessam os rios.
Alberto de Oliveira
Jornalista
Uberlândia (MG)