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25 de maio de 2013 8:54

Nota que merece repeteco

Desde criança, eu já era apaixonado por uma boa pescaria. A pescaria da qual estou falando é aquela quando vou pescar com aqueles meus companheiros legais, trabalhadores, ótimos chefes de família, pessoas responsáveis. Vejamos: quando começo o trabalho de ajeitar a tralha, já me sinto como se estivesse pegando (ou ferrando) os piaus-três-pintas.

Sou mesmo um pescador inveterado. No mês de abril, por exemplo, estive por duas vezes na Usina da Emborcação, duas vezes no Lago Azul e uma vez no Barreiro. A quantidade de peixes nessas cinco pescarias nem é bom contar: aqui em casa, aquela que manda que eu vá e volte com Deus já está pisando miudinho: “Você tem todo o direito de ir pescar. Você já trabalhou muito, está mais pra lá do que pra cá e agora está fazendo o que gosta, mas… gastando o dinheirinho que seria nosso, tudo bem. Agora, pelo amor do Cristo, não me traga mais peixes pra casa; reparta 80% com seus amigos. Entendido?”.

Eu explico, antes que alguém possa pensar ser ela quem manda, de verdade. Acontece que sou sempre o campeão entre a turma da pescaria, pois vou chegando e logo fazendo esta oração: “Já joguei flô prus cabelo/ já joguei fumo pra fumá/ Iemanjá, Iemanjá… manda os peixes pru lado de cá!”. Eis o porquê do disparate de traíras, piaus e branquinhas.

Mas o infinitamente triste é que minha cara-metade descobriu que o cheiro forte de peixes atrai gatos para dentro do quintal. Por este tal e qual é que ela anda às turras com a gataiada aqui na rua Timbiras. É verdade que eles fazem pagode em cima da casa quando trago aquela peixaria! Pois então: fazer o quê, senão ficar lembrando de uma frase sempre repetida por um personagem de novela de rede global: “Como de fato é mesmo!?” Devo então deixar de pescar?

Bem, fica o dito por não dito, pois o que eu queria era repetir aqui esta nota interessante, vinda da parte do empresário Odomires Mendes de Paula: “O Milagre da Multiplicação – Na Galileia, Jesus fez a multiplicação dos peixes e de pães e alimentou 5 mil pessoas. Aqui no Brasil, a multiplicação não é dos peixes e pães; é dos pescadores, por meio do seguro-defeso existente desde 1991. Milhares de supostos pescadores recebem um salário mínimo mensal durante o período defeso. Em 2012 eram 91.744 privilegiados, que custaram aos contribuintes R$ 60,2 milhões. Em 2012, já são 647.670 ao custo de R$ 1,9 bilhão, entre fazendeiros, políticos, comerciantes e até pastores. A maioria não sabe diferenciar um bagre de um tambaqui. Até mesmo os que estão recebendo o auxílio-doença recebem também o seguro-defeso. Este montante é quatro vezes o valor das exportações de pescados. Jesus deve estar se sentindo humilhado, pois ele só conseguiu alimentar 5 mil e apenas por um dia”.

Como de fato foi mesmo, Odomires, pois, se está na Bíblia, nós cremos. Mas vejamos também que, aqui neste país, os pescadores amadores só podem pescar e trazer maior quantidade de peixes para casa fora do tempo da piracema. E, em qualquer época, com os peixes sob medida e severa vigilância. Enquanto isso, os “profissionais” da pesca arrasam seca e verde amparados por leis bondosas e com suas redes que atravessam os rios.

Alberto de Oliveira
Jornalista
Uberlândia (MG)

24 de maio de 2013 8:38

O poder embriaga

Quando deputados e senadores em Brasília reconhecem que a quase totalidade da população não dá muita “moral” ao que fazem ou dizem, logo se ouriçam e colocam a boca no trombone para querer provar o contrário: esforçam-se para demonstrar que trabalham diuturnamente pela ordem e pelo progresso do povo tupiniquim.

Não sei, sinceramente, como funciona o mecanismo da combinação dinâmica específica que faz parecer complexas as atuações de cada um de muitos congressistas, sempre vistos pela TV a gesticular e vociferar freneticamente diante de microfones e câmeras, como uma maneira de serem escutados, reconhecidos e até admirados por alguns eleitores que ainda não tiveram o seu senso crítico devidamente formado e apurado.
Alguns daqueles senhores e senhoras imaginam perpetuar-se no poder não por um profícuo e honroso trabalho que deles se espera, mas apenas por meio das polêmicas que criam e que fazem ecoar por todos os quadrantes da Terra de Santa Cruz.

Sob o efeito de irradiações de simpatia a partir de pessoas hábil e facilmente manipuladas, assistimos à proliferação de exímios oradores eleitos ao cargo de deputado, mas que sabemos nada mais são que frutos de uma (muito boa) reprodução tecnicamente assistida e desencadeada por organismos que visam, sim, edificar um reino paralelo à República enquanto dividindo o mesmo espaço territorial.

As suas armas, a eloquência com persistência! Imagino serem organizações que se alimentam das polêmicas que criam e que fazem ecoar com ardor o que pensam, com a arte nazista de um Joseph Goebbles, enquanto na tresloucada tentativa de perpetuarem-se no poder e manterem-se sempre em evidência.

O surto e a ascensão desses grupos na vida pública e política brasileira, não raras vezes, fazem emergir um de seus representantes para chamar a atenção para si e dar a sua valorosa fatia de contribuição a um esquema previamente elaborado.

Acredito que algumas das suas manobras até produzam o efeito desejado pelos seus protagonistas, mas outras deixam transparecer o lado mesquinho de uma dissimulação muito bem ensaiada.

Às vezes, um eleitor vota em um candidato pela sua simpatia, mas nunca imagina a consequência deletéria daquele seu ato.

Sim, porque debaixo das aparências e da boa oratória de um candidato, pode esconder-se uma personalidade facilmente controlada por grupos que vivem de forma parasitária em relação aos poderes constituídos.
Porque, ao contrário de alimentarem constantemente o desejo de ter sobre si o foco das câmeras e a luz dos holofotes, aqueles políticos não se juntam a outros por uma nobre e acalentada causa em prol de toda a população?

Também na condição de eleitores, devemos ter em mente que nem sempre o parlamentar que fala bem e bonito irá melhor nos representar nas assembleias do povo, mas sim aqueles que, secundados pelo sincero desejo de servir e por uma inteligência esclarecida, têm o verdadeiro discernimento das obrigações que o mandato lhes confere.

Gustavo Hoffay
Agente Social
Uberlândia (MG)

23 de maio de 2013 16:18

Isto também é terrorismo

Cesar Vanucci *

“O terror pode assumir, nestes
tempos amalucados, múltiplas formas.”
(Antonio Luiz da Costa, professor)

O edifício de nove andares que desabou em Daca, capital de Bangladesh, provocando mais de mil mortes e mais de dois mil feridos, abrigava um complexo industrial ligado ao setor de confecções. Marcas famosas mantinham unidades de produção no local, empregando grande contingente de operários. Mais de três mil.

Bangladesh é, depois da China, o polo de fabricação de peças de vestuário mais ativo do planeta. Essa atividade representa sua principal fonte econômica. O prédio que veio ao chão foi erguido em condições irregulares. Estava plantado numa zona vedada a construções desse porte. Mesmo assim, desrespeitando as posturas, os proprietários da edificação arrancaram, por meio de jogo de influência e propinas, alvarás de funcionamento. Mais: passando por cima de recomendações técnicas expressas, foram acrescentando mais andares à estrutura, ao longo dos anos. Ao aparecerem fendas nas paredes, diante da recusa dos operários em continuarem comparecendo ao trabalho em condições tão arriscadas, a Prefeitura de Daca ordenou a interdição do edifício. A proibição, por força de forte pressão, foi revogada dias depois. Os trabalhadores receberam intimação de retornar ao trabalho sob ameaça de demissão e suspensão de salários. A contragosto, acataram as ordens hierárquicas. Deu no que deu. Vinte e quatro horas depois o edifício caiu estrepitosamente. Milhares de costureiros, costureiras e centenas de crianças, recolhidas a creches, encontravam-se em seu interior na hora fatídica.

Os salários pagos nas fábricas eram em média de 99 reais mensais, por 72 horas semanais.

Pouco antes dessa pavorosa ocorrência, outra construção insegura, também de nove andares, abrigando empresa de confecção, pegou fogo em Daca. Não haviam saídas de emergência. A estatística tétrica, desta feita, apontou 117 mortos e 200 feridos. As tragédias levantaram nas ruas acesos protestos populares, reprimidos com violência.

A notória insensibilidade do setor industrial de confecções que atua em Bangladesh, representativo de grifes que ornamentam lojas de luxo nas praças comerciais mais sofisticadas do planeta, vem sendo, com toda razão, equiparada à violência dos fanáticos terroristas que agem em grupo ou por conta própria. Afinal – argumenta-se –, a forma de agir de uns e outros, igualada no desprezo a valores humanos sagrados, é terrorismo.

E se a gente procurar com afinco e olhar crítico atilado vai acabar descobrindo, certeiramente, em muitos outros cantos deste mundo do bom Deus onde o diabo costuma fincar também seus encraves outras desalmadas situações terroristas em potencial, parecidas com as de Bangladesh, prontas para explodir.

* Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)