Marie Campos e Ilma de Moraes

Blog da Revisão

Revisão na Net Marie Okuhara Campos é bacharel em Jornalismo. Entre idas e vindas no CORREIO de Uberlândia, atua há quase 10 anos. Ilma de Moraes é professora de língua portuguesa e jornalista. Há mais de oito anos trabalha como revisora do CORREIO de Uberlândia.

14/04/2011 19:27

Quem disse que Português é osso duro de roer?


“No frigir dos ovos”

Quem disse que Português é osso duro de roer? Este texto de autor desconhecido, que circula pela net, é um prato cheio para os olhos.

PERGUNTA: alguém sabe me explicar, num português claro e direto, sem figuras de linguagem, o que quer dizer a expressão “no frigir dos ovos”?

RESPOSTA: quando comecei, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que, depois de um certo tempo, dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce, mas não é mole, nem sempre você tem ideias e, pra descascar esse abacaxi, só metendo a mão na massa.
E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas. Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.
Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.
Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas, como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.
Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese… etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam o tomate, enfiam o pé na jaca, e, no fim, quem paga o pato é o leitor, que sai com cara de quem comeu e não gostou.
O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de comer com os olhos, literalmente.
Por seu lado, se você tiver os olhos maiores que a barriga, o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha, não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana. Afinal, pimenta nos olhos dos outros é refresco…
A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca e, depois, quando se junta a fome com a vontade de comer, as coisas mudam da água pro vinho.
Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha, que, no frigir dos ovos, a conversa chega à cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear porque o que não mata engorda.

Para terminar, uma frase sábia na traseira do caminhão:
“Seja patrão de sua língua para não ser escravo de suas palavras”.


Até a próxima!

Comentários (5)

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  1. Lurana Glória Guimarães disse:14/04/11 21:55

    Graças a Deus eu sempre tive sorte c/ o português e o inglês tbm! Minhas notas de redação sempre são boas e ficam acima da média, inclusive nos vestibulares. Gosto muito de escrever, inclusive já me falaram para fazer jornalismo…quem sabia um dia resolvo? Mas atualmente minha área é outra!

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  2. Flor disse:15/04/11 14:51

    Amei de paixão…que criatividade…muito bem escrito..babei..

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  3. Flor disse:15/04/11 14:57

    O texto me lembrou Amor por Anexins, uma peça maravilhosa interpretada por Flávio Acioli (UFU)…parabéns…

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  4. CLAUDIA disse:04/10/11 1:52

    por isso e que eu falo que gato escaldado tem medo de agua fria

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  5. Kaetano Trinchão disse:28/01/12 14:25

    Este texto NÃO É de autor desconhecido, mas de Guaraci Neves. E, a propósito, o original é ainda um pouco mais longo do que o reproduzido acima, contendo a segunda parte “Acompanhamentos”.

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