Marie Campos e Ilma de Moraes

Blog da Revisão

Revisão na Net Marie Okuhara Campos é bacharel em Jornalismo. Entre idas e vindas no CORREIO de Uberlândia, atua há quase 10 anos. Ilma de Moraes é professora de língua portuguesa e jornalista. Há mais de oito anos trabalha como revisora do CORREIO de Uberlândia.

20/03/2012 11:35

Verbo Impessoal não tem sujeito

VERBOS IMPESSOAIS E ORAÇÕES SEM SUJEITO

As orações sem sujeito são formadas pelos verbos chamados ‘impessoais’.

Exemplos:

Há bons professores nesta faculdade.

(Veja que bons professores é objeto direto do verbo haver, que é impessoal, isto é, não tem sujeito.)

Havia muitos doces na mesa do bufê.

(Idem, muitos doces é o objeto direto do verbo haver

Mas, quando substituímos o verbo ‘haver’ por ‘existir’, tudo muda:

Existem bons professores nesta faculdade.

A única subclasse desses verbos em que se pode reconhecer algum perfil é a dos que denotam ‘fenômenos da natureza’, como anoitecer, ventar e chover.

A “Gramática Houaiss da Língua Portuguesa”, de José Carlos de Azeredo,  ao abordar os VERBOS IMPESSOAIS, na pág. 234, esclarece:

a)      O verbo haver (ou ter, no uso coloquial brasileiro) empregado nas acepções de existir e de “acontecer”:

  • Não havia alunos suficientes para a formação de uma turma.
  • Houve pelo menos dois acidentes na estrada.

Obs.: A impessoalidade é da oração, logo o verbo auxiliar também fica no singular:

  • Deve haver alguns entre vocês que ainda se lembram do tempo em que  se falava em reformas de base.”

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A “Nova Gramática do Português Contemporâneo”, de Celso Cunha e Lindley Cintra, pág. 444, sobre VERBOS IMPESSOAIS, explica que:

Não tendo sujeito,  os VERBOS IMPESSOAIS são invariavelmente usados na 3ª pessoa do singular.

O verbo haver na acepção de “existir” e o verbo “fazer” quando indica tempo decorrido:

Houve momentos de pânico (e não: Houveram momentos de pânico)

Faz cinco anos que não o vejo (e não: Fazem cinco anos que não o vejo)

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O gramático Celso Pedro Luft, no “Dicionário Prático de Regência Verbal”, cita, na pag.321, que é  inaceitável na linguagem culta formal a pluralização do verbo, em concordância com o substantivo, assim transformado em sujeito:

Houve heróis (e não: Houveram heróis)

Haverá exceções (e não: Haverão exceções)

Se houver problemas (e não: Se houverem problemas)

Talvez haja dificuldades (e não: Talvez hajam dificuldades)

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Ainda, segundo Celso Luft, se houver auxiliar, fica este no singular:

Está havendo problemas, tinha havido acidentes, deve haver exceções etc.

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A “Gramática Houaiss da Língua Portuguesa”, de José Carlos de Azeredo,  ao abordar os VERBOS IMPESSOAIS, na pág. 234, esclarece:

b)      O verbo haver (ou ter, no uso coloquial brasileiro) empregado nas acepções de existir e de “acontecer”:

  • Não havia alunos suficientes para a formação de uma turma.
  • Houve pelo menos dois acidentes na estrada.

Obs.: A impessoalidade é da oração, logo o verbo auxiliar também fica no singular:

  • Deve haver alguns entre vocês que ainda se lembram do tempo em que  se falava em reformas de base.

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Segundo escreveu o jornalista Eduardo Martins, no “Manual de Redação e Estilo”,  do jornal “O Estado de S. Paulo”,  quando “haver” puder ser substituído por “ter” e não “existir”, a concordância é a normal:

Ainda não haviam sido feitas as correções (ou Ainda não tinham sido feitas as correções)

Eles haveriam de sair da sala (ou Eles teriam de sair da sala)

Hão de cumprir o prazo, custe o que custar (ou Terão de cumprir o prazo, custe o que custar)

Construções como as citadas a seguir, escritas por alguns escritores da língua portuguesa, especialmente do século passado, não devem ser hoje imitadas, como constatamos em várias gramáticas e manuais de redação e estilo.

“Houveram muitas lágrimas de alegria” (C. C. Castelo Branco)

“Ali haviam vários deputados que conversavam de política” (Machado de Assis)

Até a próxima!

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