Kelson Venâncio

Cinema e vídeo: o melhor do cinema para você

Scriptease

11 de abril de 2014 6:00

Ajuste de contas

Jornalista

Há poucos anos alguns velhos conhecidos do cinema resolveram voltar à ativa, entre eles Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone. A maioria desses atores da terceira idade fez sucesso nos filmes de ação da década de 80 e marcaram uma geração se tornando verdadeiros ídolos naquela década. Stallone trouxe de volta o gênero ação em carne e osso, já que o ator declarou que no cinema moderno os heróis de hoje não passam de criações gráficas computadorizadas.

Com isso, Stallone ressurgiu com o famoso Rocky Balboa em um sexto filme em que o garanhão italiano estava com 60 anos e era desafiado por um jovem pugilista. Depois veio “Rambo IV” em que o personagem estava meio que aposentado no norte da Tailândia e era um piloto de barco em uma região de sequestros e guerrilha. Logo criou “Os Mercenários” para ressuscitar os principais atores de ação ícones do passado em uma só produção fazendo dois filmes explosivos, um primeiro ruim e uma boa e engraçada continuação.

Agora, mais uma vez Stallone faz um filme em que o tema é a velhice. Desta vez, o diretor Peter Segal une no mesmo longa dois personagens ícones do passado: o Rocky Balboa e o Touro Indomável. O dois filmes, ganhadores de várias categorias no Oscar, sempre foram considerados os melhores sobre Boxe. Mas qual deles é o melhor? Parece que Segal quis a resposta colocando os personagens no ringue novamente.

Billy “The Kid” McDonnen (Robert De Niro) e Henry “Razor” Sharp (Sylvester Stallone) foram grandes boxeadores que, agora, estão aposentados. Entretanto, mesmo tendo subido no ringue pela última vez há décadas, eles aceitam se enfrentar em uma última luta para desempatar o confronto histórico. Enquanto se preparam para o confronto, os dois terão que confrontar pessoas do passado: a bela Sally (Kim Basinger) e o filho B.J. (Jon Bernthal).

A ideia que a princípio é boa não funciona bem até quase o fim da projeção. O roteiro é fraco e se baseia na humilhante situação dos dois pugilistas perante a sociedade, não relatando de fato o sofrimento que os mais velhos têm em conviver com os mais novos, mas levando para o lado cômico, se baseando nas limitações físicas dos dois. E junta-se um ex-amor, um filho abandonado, um neto inteligente e outras coisas para encher linguiça. As atuações não são lá essas coisas, mesmo se tratando de dois ótimos atores.

Mas o filme tem momentos de diversão e nostalgia. E na tão aguardada revanche entre os dois, a luta, que no início chega a ser engraçada porque ambos estão fora de forma, se torna algo especial. Os movimentos de câmera, os golpes ensaiados, os efeitos sonoros que trazem realidade aos golpes, a maquiagem nos faz voltar ao passado e ver que ali naquele ringue estão o Touro Indomável e o Rocky Balboa. E não se economiza porrada! No meio disso acontece algo de encher os olhos d’água. Quer saber? Assista! Pelo menos sabe que o final é bom!

Nota 5

28 de março de 2014 6:08

Nebraska

Jornalista

Muitos filmes chamam a atenção porque são carregados de efeitos especiais e neles são investidos milhões de dólares em uma série de características que os transformam em blockbusters. Mas existem algumas produções que têm o mesmo efeito ou vão além porque são simples, mas muito bem contadas.

Assim é o filme “Nebraska”, um dos melhores longas que assisti nos últimos anos e que tem na simplicidade sua principal atração. O filme conta a história de um velho gagá que recebe um panfleto comercial dizendo que ele ganhou US$ 1 milhão. Ele acredita que é verdade e decide ir até a cidade de Nebraska buscar o prêmio que não passa de mais uma falsa publicidade. De tanta insistência do velho, o filho decide levá-lo até lá para que ele aceite a verdade.

O que tem de tão interessante nesta história? São as coisas que acontecem durante a viagem que fazem o espectador ficar encantado. É com a teimosia do velho, que todos queriam levar para um asilo, que a família volta a ter bons momentos juntos, que os filhos conseguem enxergar o valor de uma boa relação, que o amor perdido volta à tona.

A discussão do tema terceira idade na produção é fantástica. “Nebraska” é um filme que merece ser visto, revisto e levado para debates aprofundados sobre este tema tão importante no nosso dia a dia. A valorização da experiência dos mais velhos, o respeito que os mais novos devem ter com eles, a beleza da melhor idade.
Temos um trabalho brilhante de direção, roteiro, fotografia, maquiagem e principalmente de interpretação. Bruce Dern faz do velho alcoólatra Woody Grant um retrato exato da velhice. Uma pessoa egocêntrica que está no fim da vida e que vê neste bilhete “premiado” uma esperança para evitar a depressão de seus últimos dias. Will Forte faz o filho bonzinho que de tanta teimosia resolve ajudar o pai e, no fim, enxerga que fez a coisa certa, não pelo suposto prêmio, mas por voltar a ter um bom relacionamento com o pai.

Mas é June Squibb quem rouba a cena nos momentos que aparece o filme. Ela faz a vovó protetora e se passa comicamente pela única pessoa “sensata” daquela família de “loucos”, segundo ela. É uma gracinha na tela!
Com uma trilha sonora estilo country melancólico, rodovias desertas, celeiros, cidades pequenas e um imagens em preto e branco, o diretor e roteirista Alexander Payne faz um bom trabalho, deixando uma boa mensagem mostrando que as coisas boas da vida estão na simplicidade e não na modernidade.

Nota 8

21 de março de 2014 6:00

Need for Speed

Jornalista

Sempre gostei de jogar “Need for speed” porque adoro games de esportes, especialmente aqueles em que simulamos corridas em alta velocidade, com diversos carros e equipamentos. E o mais interessante neste jogo é que, além dos gráficos que evoluem a cada versão, as corridas são do tipo “sem lei”. É correr, pôr os oponentes para fora, fugir da polícia, entrar na contramão, cortar caminhos etc. Vale tudo em “Need for speed”. Um jogo sem história, mas divertido.

E no cinema, há tempos eu pensava “um dia vão fazer uma versão cinematográfica disso”. E quando saiu a franquia “Velozes e Furiosos” associei estes filmes ao game, porém com outros objetivos. Neste ano, temos uma boa versão de “Need for speed” para as telonas. Mas como o jogo não tem história, inventaram uma.

Tobey Marshall (Aaron Paul) herdou do pai uma oficina mecânica de modificação de carros. Ele é também um exímio piloto que participa de rachas. Um dia, o ex-piloto da Fórmula Indy Dino Brewster (Dominic West) o procura para que Tobey possa concluir um Mustang desenvolvido por um gênio da mecânica já falecido. Mas a velha rixa entre eles faz com que disputem um último racha, que conta com a participação de Pete (Harrison Gilbertson), amigo de Tobey. A corrida termina com a morte de Pete. Considerado culpado pela tragédia, Tobey passa dois anos na prisão. Quando é solto, organiza um plano para participar de uma conhecida corrida do submundo na qual Dino também correrá.

O roteiro não é lá essas coisas. Mas serve de justificativa para uma boa aventura e cenas intensas de perseguições, alta velocidade e adrenalina. A história pode até ser fraca, mas esse é um daqueles filmes para o espectador se divertir. É daqueles que não podemos nos aprofundar, nem deixar o senso crítico apurado. É apenas para curtir.

Só de ver aquelas máquinas sobre quatro rodas acelerando e fazendo aquele barulho ensurdecedor é um ponto positivo. Escutar o motor de um Mustang acelerando forte e ver aquele carro correndo na pista de diversos ângulos é muito bom. As cenas em alta velocidade são bem feitas. Os diversos ângulos disponíveis para o público durante os rachas são ótimos e em certos momentos parece que estamos dentro do jogo, mas, é claro que certas cenas são exageradas.

Não temos atores tão conhecidos. Aaron Paul, o Jesse Pinkman de “Breaking Bad” é a grande estrela e o “vilão” é interpretado por Dominic West. Estes são os mais conhecidos, mas nem mesmo eles fazem boas atuações. Aaron é bem melhor como Jesse do que como galã de filme de corrida. Mas os diálogos compensam essa falta de papéis marcantes.

“Need for speed” não é tão bom como alguns filmes de “Velozes e Furiosos”, mas é tão mentiroso quanto e agrada nos quesitos velocidade e diversão. Se você gosta de carros potentes e corridas sem se preocupar com histórias, interpretações e outras características mais aprofundadas, vai gostar do filme. Mas se este não é seu caso, vá ver um filme dramático e histórico de carruagens, um meio de transporte interessante usado em diversos longas.

Nota 6