Kelson Venâncio

Cinema e vídeo: o melhor do cinema para você

Scriptease

28/01/2011 14:19

Enterrado Vivo

Jornalista

O filme é claustrofóbico ao extremo e a luta do personagem principal na tentativa de conseguir alguns minutinhos a mais de oxigênio é intensa

Sempre gostei de filmes diferentes, que fogem do estilo convencional. E apesar de apreciar as grandes produções milionárias, cheias de efeitos especiais, lindas locações, figurinos e elenco de peso, sou um admirador dos cineastas que criam uma situação simples e delas tiram uma ótima idéia que vira um bom filme. É o caso de “12 Homens e Uma Sentença” (1957), com um remake em 1997, um dos melhores que já vi. Junta em uma pequena sala (cenário de toda a projeção) 12 pessoas que como jurados de um tribunal discutem um crime para acusar ou inocentar a testemunha. E toda a história apenas é contada, fazendo com que cada pessoa que assiste imagine um filme diferente.

“Enterrado Vivo” é um suspense com a mesma idéia desse velho clássico do cinema e se passa dentro de um caixão. Um homem é sequestrado no Iraque e acorda enterrado no deserto com apenas uma faca e um telefone celular para se salvar. Então você imagina como deve ser o roteiro de um longa como esse. Para segurar o espectador durante seus 95 minutos de duração, mostrando apenas um coitado preso em uma caixa de madeira, só uma excelente história. E tudo é contado pelas conversas telefônicas que a vítima tem com várias pessoas tentando se livrar daquela situação. E essas conversas, que resumem o roteiro, são convincentes e soam como se fossem mesmo reais.

A trama é de tirar o fôlego, literalmente. Para que essa boa história se torne mais convincente é preciso um bom ator que segure todo o tempo de filme sem fazer muito, já que ele fica deitado em um espaço que mal dá para levantar os braços.

Ryan Reynolds consegue fazer seu trabalho muito bem já que de completamente desentendido no início do filme quando acorda a sete palmos do chão ele passa a desesperado e angustiado na segunda metade, nos transportando com a sua boa atuação para a mesma situação em que ele se encontra. E isso é o melhor do filme, pois é algo que pode acontecer com qualquer um, por mais que as probabilidades sejam pequenas.

O filme é claustrofóbico ao extremo e a luta do personagem principal na tentativa de conseguir alguns minutinhos a mais de oxigênio é intensa. Mas é mais que isso! Aos poucos o público descobre os motivos que levaram um simples motorista de caminhão àquela situação. E esta é a parte reflexiva do filme. Envolve as guerras políticas que destroem a vida de muitas pessoas inocentes, como a do personagem Paul Conroy.

Para terminar não poderia deixar de comentar a ótima direção do estreante diretor espanhol Rodrigo Cortés que com muito custo conseguiu a confiança de Reynolds para colocar o ator nessa situação, foi encenada de forma intensa.

Nota 8

Comentários 1

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.

 

  1. HoLtY disse:12/05/11 10:43

    Nossa kero SuperVer esse filme deve ser muito perfeito

    Responder