Kelson Venâncio

Cinema e vídeo: o melhor do cinema para você

Scriptease

11/03/2011 6:00

Bruna Surfistinha

Jornalista

O filme Bruna Surfistinha tem um começo complicado. A impressão que temos é que o longa vai ser parado e cansativo. Mas o grande problema do início da projeção é o grande buraco no roteiro, que é baseado em fatos reais e no livro “O Doce Veneno do Escorpião”. Somos apresentados a uma jovem garota que a princípio parece meiga, certinha, educada, estudiosa e vinda de uma família de classe média-alta. Com essas qualidades por que se tornar uma garota de programa? Essa é a pergunta que o filme não responde e em minha opinião a grande falha. Depois de alguns minutos assistindo a personagem sofrendo perseguições dos colegas da escola e conflitos dentro de casa, sem que seja mostrado uma razão para isso, ela aparece na porta de um bordel a procura de um emprego como profissional do sexo.

Após o primeiro ato, mesmo com essa falha, o filme decola e para a alegria do público alcança voos altos. De cara, esta garotinha já é chamada para seu primeiro programa e esta cena em particular foi uma das que mais gostei. Especialmente nessa parte a direção de Marcus Baldini é eficiente ao mostrar Bruna tímida e com medo por enfrentar aquela situação que mudará a sua vida. E isso é mostrado por meio de um ângulo de câmera que mostra de perto o rosto triste da personagem que aos poucos, sem cortes, muda a expressão facial, se torna mais corajosa. Mas o mérito não é só da direção. Deborah Secco em poucos segundos muda o semblante e nos convida a ver um show de interpretação.

Show de Interpretação! É exatamente isso que acontece. Ao contrário da mesmice interpretativa de seus personagens em novelas, ela faz de Bruna surfistinha o melhor papel de sua carreira. Para começar, aqui vão todos os meus elogios à Deborah pela sua coragem ao aceitar esse papel que exigiu muito dela. Se para uma profissional que está começando, sonhando alto e disposta a tudo para se dar bem no cinema seria difícil interpretar Bruna Surfistinha, imagine para uma atriz que nem precisa disso? O que levou Deborah Secco a fazer inúmeras cenas nua, simular variações sexuais com atores desconhecidos e a maioria desprovidos de beleza física? Dinheiro? Fama? Profissionalismo.

Deborah queria provar que é uma boa atriz e que é capaz de se projetar com firmeza no mundo do cinema. E ela consegue. Foi foi mais corajosa que diversos atores famosos de Hollywood como Heath Ledger e Jake Gyllenhaal em “Brokeback Mountain” ou como Julianne Moore e Annette Bening no recente “Minhas Mães e Meu Pai”.

Com cenas fortíssimas e polêmicas, “Bruna Surfistinha” é um bom filme e merece todo o sucesso nas bilheterias. Só não é melhor pelo início. Até agora não sei o que levou a garota de programa mais famosa do Brasil a essa vida.

Nota 7
Por Kelson Venâncio

Comentários (3)

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  1. Aline Gouveia disse:12/03/11 10:17

    É realmente achei o filme um pouco parado ainda mais no começo,dá vontade de parar de ver,mais gostei,não foi realmente o que eu esperava,mais contou um pouco a história da vida dela em vídeo.Percebi também que o filme não teve muito á ver com a história contada no livro”O doce veneno do Escorpião”,que comparando o filme com o livro achei mais interessante o livro,deve ter sido porque foi contado mais detalhadamente,não sei.O difícil é saber qual é a história verdadeira da vida dela,um exemplo é que no livro conta que ela tem 2 irmãs e no filme um irmão.

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  2. JOAO ROBERTO MACHADO disse:13/03/11 12:26

    Dinheiro,meu caro Kelson.Para a própria Bruna,Deborah,Produtores do Filme,roteirista,e até para um jogador do Grande Cruzeiro que é marido dela.Dinheiro,contado,nota por nota e bem aplicado.Nada mais.

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  3. keila disse:18/03/11 19:36

    sabe kelson a minha opiniao é que a “bruna” era uma pessoa muito vazia e sem conteudo,tanto é que nem tinha amigos…ela era o que dizem : “pobre menina rica” e ela descobriu nessa vida a unica coisa que ela era CAPAZ de fazer.

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