Kelson Venâncio

Cinema e vídeo: o melhor do cinema para você

Scriptease

17/04/2011 6:00

As Mães de Chico Xavier

Jornalista

Não tenho absolutamente nada contra a religião espírita. Pelo contrário, sou um profundo admirador das obras de Chico Xavier, pelo qual tenho um grande respeito. Falo isso, por que sempre que escrevo algo sobre filmes dessa religião, acho algum espírita para dizer que devo ser padre ou pastor e que estou apenas criticando a religião deles. Pois aqui, como sempre, faço a análise apenas de mais um filme.

“As Mães de Chico Xavier” é um filme cansativo e entediante a ponto de não vermos a hora de ver os créditos finais subirem na tela. Tudo bem que a produção explora a tristeza de diversas mães por causa de seus filhos que já passaram desta para outra, mas é exagerado o clima depressivo que o filme passa. E parece que o diretor pediu para os atores fazerem apenas cara de choro, de sofrimento, angústia, raiva, arrependimento, desespero e outros adjetivos negativos que preencheriam uma lista enorme.

E acredito que por causa disso, ou talvez por incompetência, as atuações sejam tão ruins. A impressão que tive foi de ver vários “ciganos Igor” atuando nessa produção. Parece que para fazer um filme baseado no espiritismo é preciso trabalhar mal, não ter expressão, fazer atuações robóticas.

Parece que apertaram o botão slow motion (câmera lenta) na hora de gravar as cenas. Tudo é tão devagar que cansa. Exemplo disso é a cena em que o médico dá uma triste notícia a uma das mães. Parece que o simples fato de ela se levantar da cadeira, caminhar uns 5 metros, até falar com ele demora uma eternidade.

A trilha sonora é composta por apenas uma música melancólica do excelente cantor Flávio Venturini, usada exaustivamente, deixando a canção chata e insuportável. Sem contar que sua letra é apenas “Lá lá rê rê. Lu lê lá lá lê rê”.

O diretor tenta contar várias histórias paralelas, mas sem revelar detalhes na tentativa de causar alguma surpresa no fim. O roteiro vira uma salada e muitas coisas ficam no ar, como o que realmente aconteceu na tentativa de suicídio de uma das mães ao pressupor que pularia de um prédio. O tempo é outro fator que parece não ter sido bem trabalhado. E parece que ele funciona apenas para um casal e acaba gerando uma confusão enorme na mente do público.

“As Mães de Chico Xavier” até poderia render uma boa história já que tem até uma base forte para isso, ainda mais sendo um roteiro adaptado de um livro espírita. Poderia, mas aí muita coisa precisaria ser mudada. Talvez precisem fazer o filme de novo.

Nota 3

Comentários (2)

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  1. Lurana Glória Guimarães disse:17/04/11 18:41

    Deus me livre! Chega a ser depressivo assistir um filme assim!

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  2. FRANCY MIKAELLY disse:13/05/11 16:42

    Olá Kelson.
    Bom, não estou criticando o que você escreve, muito pelo contrário, adoooro suas críticas em relação aos filmes.
    A questão é que deixo aqui minha opinião; sabe, eu sou espírita e nenhum medo de me assumir como tal, mas o que acontece, é que no mundo espírita, o que realmente paira no ar, para quem vai nos centros em busca de notícias de parentes que já partiram, é sim a depressão. Geralmente quem busca essas notícias, são pessoas que mesmo com o passar do tempo não se conformaram por dentro com a perda de um ente querido, como uma mãe, que perde seu filho e mesmo depois de anos ao ouvir citar apenas o seu nome, deixa rolar lágrimas de saudades e desconsolo.
    Já pra quem vai em busca apenas de paz e proteção para a família, o sentimento é outro, é um sentimento de tranquilidade, de serenidade e sabedoria também, por que não? Bom, só queria deixar minha opinião em relação a sua crítica ao filme, pois na realidade, se mudarem qualquer coisa, um gesto sequer, aí sim, o filme estaria fugindo do que é realmente a espiritualidade.
    Um grande abraço e fique com Deus.

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