Kelson Venâncio

Cinema e vídeo: o melhor do cinema para você

Scriptease

3/06/2011 6:00

O poder e a lei

Jornalista

Você já deve ter ouvido muito falar no termo “advogado de porta de cadeia” não é? Pois este filme parte exatamente dessa premissa para nos mostrar a ambição de um profissional desta área ao colocar nas ruas criminosos que a polícia e a promotoria levam anos para colocar na prisão. Somente por essa análise “O Poder e a Lei” já valeria a pena ser visto, já que se trata de uma realidade cada vez mais comum no nosso país. Quantas vezes nos deparamos ou assistimos pelos noticiários que um marginal é solto imediatamente ao pisar em uma delegacia de polícia? Ou de infratores que vão e voltam no mundo da criminalidade, mas nunca ficam encarcerados como deveriam para responder seus atos cometidos aqui fora?

Nesta produção somos apresentados a um advogado que representa milhares que fazem esse tipo de trabalho. A única diferença é que este tem seu escritório dentro de um carro, já que passa a maior parte de seu tempo exatamente no caminho para a delegacia e para os tribunais. Mas um dia um caso importante cai em suas mãos e ele se torna disposto a provar a inocência do réu, um jovem milionário acusado de estupro e assassinato. Só que ele não imaginava seu cliente escondendo a verdade, o que pode tornar todo o processo numa causa perdida.

Após esse fato, o filme se torna cada vez melhor ao longo da narrativa. O advogado se vê numa situação extremamente complicada já que foi contratado para defender uma pessoa que aos poucos ele vai perdendo a confiança. É aí que a trama se torna mais atrativa e intrigante, nos causando surpresas interessantes no roteiro. Alías, “O Poder e a Lei” tem uma história que não deixa lacunas e que cada peça vai se encaixando à medida que o tempo passa. É daquelas projeções que nos deixam vidrados e curiosos o tempo todo.

A direção de Brad Furman não é esplêndida, mas bem competente. Mas as interpretações de todo o elenco são excelentes. A começar por Matthew McConaughey que fazendo esse tipo de gênero é infinitamente superior às dezenas de comédias românticas (a maioria bobinhas e fúteis) que fez. Nesse filme, o ator nos faz recordar seu ótimo papel em “Tempo de Matar” que também é um excelente filme e do mesmo gênero. Bem que ele podia abandonar de vez as produções “mamão com açúcar”! Do outro lado, temos Ryan Phillippe que andava meio sumido das telonas, mas veio abrilhantar este longa encarnando um rico acusado de crimes que por causa da sua ótima interpretação a gente nunca sabe se ele cometeu esses delitos ou não. Aliás, essa boa interpretação é fundamental para que a gente fique o tempo todo na dúvida, o que deixa o filme extremamente curioso.

Os outros atores, apesar de aparecem como coadjuvantes, sempre se destacam também ao surgirem na tela. Marisa Tomei, John Leguizamo, William H. Macy, Michael Peña, Josh Lucas e Frances Fisher complementam esse grande casting e fazem todos um ótimo trabalho.
“O Poder e a Lei” é sem dúvida um dos grandes filmes que assisti esse ano e acredito que esta produção vá muito além das telonas de cinema. Já que é um filme polêmico, deve ser analisado nas salas de aula, especialmente de Direito. É preciso usá-lo como exemplo na tentativa de melhorar nossas leis e mudar a atitude de diversos advogados que pensam mais em dinheiro do que em fazer cumprir estas leis.

Nota 8
Por Kelson Venâncio

Comentários 0

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.