Kelson Venâncio

Cinema e vídeo: o melhor do cinema para você

Scriptease

30/09/2011 6:04

A árvore da vida

Jornalista

Já diz o ditado que gosto não se discute. Durante as duas últimas semanas ouvi muitos de meus seguidores no “Cinema e Vídeo”, Facebook e no Twitter dizerem o que acharam de “A Árvore da Vida”. A maioria dos comentários eram de que muita gente saia da sala de projeção com poucos minutos de filme. Vários que tiveram paciência de assistir até o fim não entenderam praticamente nada. E nesse caminhão de dúvidas e a polêmica em torno de ser ou não um bom filme, me senti mais atraído a assisti-lo.

Boa parte do filme se passa nos anos 50. A história gira em torno do casal O’Brien e seus três filhos. Jack (Sean Penn) é o irmão mais velho e, no começo da trama, está vivendo uma feliz infância com seus 11 anos. Tudo muda quando um dos irmãos morre e a família entra em desespero. A história passa a mostrar a transformação do garoto Jack em um adulto perdido no mundo moderno e em constante busca pelo sentido da vida.

O roteiro parece simples e amarradinho como na sinopse acima. Mas ao contrário do trivial, a história não segue uma lógica comum. Disponibilizando de elementos bem diferentes, mas que completam a narrativa, mesmo que muitos não entendam o sentido, o filme viaja na essência entre a graça e a natureza como é proposto logo no início.

Atenção: abaixo há spoilers, portanto, se não quiser detalhes, pare por aqui a leitura.

Após poucos minutos de projeção, somos apresentados a inúmeras e longas imagens do universo. É nesta sequência de belas imagens, mas sem nexo, que a maioria abandona o filme. Nesta parte o ótimo diretor Terrence Malick, que também escreveu o filme, mostra uma espécie de Big Bang e a criação do mundo passando até mesmo pelo período jurássico. Mas, para quê? Para exemplificar as indagações feitas a Deus pela mãe que acabara de perder um filho. Seria algo do tipo “em meio a toda a história do universo, qual a importância de uma criança que morreu?”

Neste trecho surge o nascimento do primeiro filho e a história passa a ser contada em flashback. E a simples e interessante trajetória da família é mostrada de uma maneira espetacular. E uma das características mais marcantes desta produção são os detalhes. Dizem que uma imagem vale por mil palavras. Neste caso são poucas palavras dos personagens e inúmeras e fantásticas imagens.

O trabalho do elenco é competente. Brad Pitt encarna bem um pai que ama os filhos, mas tem uma maneira diferente de demonstrar isso. Prepara as crianças para um futuro melhor, mesmo que seja questionada a maneira usada por ele. Jessica Chastain faz da mãe dos meninos uma espécie de anjo da guarda. Mas quem rouba a cena é o ator mirim Hunter McCracken que interpreta o filho mais velho do casal. O garoto de poucas palavras faz tão bem seu papel que apenas pelas suas expressões faciais nos envolver na sua conturbada adolescência. Sean Pean faz uma ponta como o garoto Jack no futuro. E talvez muita gente não tenha entendido sua participação. Ele surge como se tivesse aprendido com a vida e os ensinamentos do pai. E estes poucos minutos de reflexão do personagem de Sean Pean são todo o filme que assistimos.

O filme que recentemente ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes é uma verdadeira obra prima da Sétima Arte, mesmo sendo polêmica, questionável, subjetiva e divida opiniões.

Nota 10

Comentários 1

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.

 

  1. Daniel Claudio disse:01/10/11 19:36

    Como pode um filme receber nota 10 e ser “questionável”?

    Responder