Missão Impossível 4
Antes de assistir qualquer um dos filmes da série “Missão Impossível” é preciso se preparar para ser bombardeado de mentiras durante a sessão. Se você entrar na sala de projeção preparado para aceitar coisas impossíveis de acontecer, mas com a turma do agente secreto Ethan Hunt acontecem o tempo todo, você vai gostar do filme. Se você não engole pessoas pulando de alturas absurdas, sobrevivendo a uma chuva de tiros, sendo vítimas de acidentes catastróficos e saindo ilesos, vá assistir a um drama qualquer.
“Missão Impossível 4” tem pontos positivos que deixam o público vidrado na tela o tempo todo. O roteiro interessante e bem alinhado é um deles. A história é boa. Acusado pelo bombardeio terrorista ao Kremlin, o agente da IMF, Ethan Hunt, é desautorizado a continuar exercendo sua função junto com o resto da agência quando o Presidente dá início ao “Protocolo Fantasma”. Deixado sem qualquer recurso ou apoio, Ethan tem que encontrar uma maneira de limpar o nome de sua agência e prevenir um outro ataque. Para complicar, Ethan é forçado a assumir esta missão com uma equipe de colegas fugitivos da IMF.
O roteiro não é perfeito. Mesmo incluindo piadas engraçadas e na medida certa na maior parte do filme, especialmente as que saem da boca do parceiro de Ethan, Benji Dunn, interpretado pelo ótimo ator Simon Pegg. E quem nunca assistiu a um filme da série e não está acostumado com tantas informações secretas e que fazem parte dos objetivos da “missão impossível”, pode se perder um pouco e não entender muita coisa.
A boa direção foi importante para que o filme agradasse não só o público, mas principalmente os críticos mais exigentes que tiveram uma ótima aceitação do longa. E nesse caso o mérito é do novo diretor da franquia, Brad Bird, que, apesar de nunca ter dirigido um filme com atores reais, fez um excelente trabalho. Isso não significa que Bird não seja conhecido no mundo do cinema. Ele é responsável por animações, especialmente Pixar e que receberam indicações e prêmios, como o Oscar de Melhor Animação para “Os Incríveis” (2004) e “Ratatouille” (2007). E a inclusão de um novo diretor foi fundamental para que o ator Tom Cruise voltasse atrás na sua decisão de não fazer mais nenhum filme da série.
Exageros não faltam. Ver Tom Cruise escalando o prédio mais alto do mundo em Dubai com uma luva que gruda no vidro e depois vê-lo pendurado em uma corda correndo de um lado para o outro e de cima para baixo como se fosse o Homem Aranha é difícil de engolir. E no meio das mentiras, valem os efeitos especiais que nos deixam sem fôlego em diversas partes da projeção.
Mesmo sendo comprido demais, com duas horas e dez minutos, e algumas vezes cansativo, o longa agrada. E pelo fim desta quarta parte fica algo no ar e que para os fãs significa que Ethan Hunt pode voltar. A não ser que para o ator Tom Cruise isso se torne uma missão impossível.
Nota 8
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