Imortais
Mais uma vez abro uma crítica com um bordão: grandes expectativas podem trazer grandes decepções. Com “Imortais” foi assim. Assistindo aos trailers do filme e acompanhando a campanha publicitária feita antes da estreia, que incluía os dizeres “dos mesmos diretores de ‘300’”, nos resta esperar um bom filme. Mas o sucesso de “300” não se repetiu.
O filme mostra que o Rei Hipérion declarou guerra contra todo o mundo grego e, para reforçar seu exército, ele tentará libertar os Titãs presos por Zeus no Monte Tártato. A fim de detê-lo, Zeus escolhe Teseu, um mortal que, com a ajuda de uma bela sacerdotisa, comandará o exército grego nessa batalha épica.
Esta é mais uma das inúmeras produções que exploram os personagens da mitologia grega no cinema, o que, em minha opinião, está batido. Mas já que os cineastas insistem em ganhar dinheiro com Zeus, Atenas, Poseidon e companhia, a gente acaba assistindo mais uma dessas histórias que mostram a guerra entre os humanos, que no fim estes poderosos deuses acabam interferindo nessa briguinha sem nexo.
O roteiro de “Imortais” é horrível. O Rei Hipérion quer dominar a Grécia, mas sem sentido e estratégia, quer apenas para ser o todo poderoso. E nesse caso nem mesmo o ótimo ator Mickey Rourke salva o personagem. Ele não consegue uma boa atuação já que se limita a matar, inclusive os próprios seguidores. Depois inventam uma história de um Arco de Épiro que é o objeto mais desejado pelos mortais, já que daria a seu dono um poder de destruição incrível. Mas após as explicações sobre o tal arco, quando ele finalmente é encontrado pelo mocinho da história, um lobo o toma dele e leva o objeto para o rei malvado que nem o usa muito.
O personagem principal é interpretado por Henry Cavill, que é também o novo Superman. Mas Teseu também não é lá essas coisas. Não se importam em construir uma história em torno dele que agrade, para que o público se envolva no seu sofrimento, na sua luta e na sua glória. Teseu não é explorado e se limita a matar quem encontra pelo caminho, com golpes de lanças e espadas. Freida Pinto, que mesmo sem muitas expressões fez razoáveis trabalhos em “Quem Quer Ser Um Milionário?” e “Planeta dos Macacos – A Origem”, não atua bem como oráculo.
Há bons efeitos especiais, mas que são exagerados em algumas partes. A composição do cenário é muito artificial e é notável que aquele mundo grego foi todo construído na tela de um computador. A luta entre os deuses e os titãs no fim é talvez o melhor da produção. Este confronto é bem detalhado em algumas partes em câmera lenta, no famoso e usadíssimo efeito “bullet time”, de “Matrix”. O encerramento da produção revelando o desfecho da história com o herdeiro de Teseu também é bom. E tudo leva a crer que a próxima batalha será no céu mostrando que vem por aí uma continuação. Já que a guerra na terra não foi lá essas coisas, quem sabe no alto das nuvens a história melhora? Tenho minhas dúvidas.
Nota 4
Comentários 0