Sherlock Holmes 2 – O Jogo das Sombras
Sempre fui fã do trabalho de Guy Ritchie, mesmo sendo ele dono de uma carreira relativamente nova e pequena no cinema, mas que envolvem filmes fantásticos como “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, “Snatch – Porcos e Diamantes”, “Revolver” e “RocknRolla”. Mas quando ele se envolveu no projeto de colocar na telona mais uma adaptação do detetive mais famoso do mundo, desconfiava que aquela direção criativa e inteligente de Guy poderia vir por água abaixo por se tratar do primeiro blockbuster de sua vida cinematográfica. E no primeiro filme, em 2009, Guy já tinha queimado minha língua fazendo um bom trabalho. Agora em “Sherlock Holmes 2” ele se superarou trazendo um ótimo filme para o público.
A continuação começa um ano depois dos acontecimentos do primeiro filme. O príncipe da Áustria é encontrado morto após supostamente cometer suicídio. Entretanto, o famoso detetive britânico, vivido por Robert Downey Jr., acredita que se trata de um plano maligno criado pelo professor Moriarty, um homem tão inteligente quanto ele. Ao lado de Watson e da vidente Sim, que possui uma estranha ligação com o príncipe, Holmes tenta desvendar o caso mais difícil de sua carreira.
E neste caso, bota difícil nisso! Holmes tem tantos desafios nesta nova história que a solução só acontece depois de duas horas e dez minutos de filme. Mas isso não significa que a história seja cansativa. O roteiro escrito por Kieran e Michele Mulroney é envolvente e curioso, apesar de em alguns momentos parecer complexo ao expectador que de vez em quando pode se perguntar “mas afinal de contas, o que está acontecendo?”. Para a felicidade do público todas as perguntas levantadas por eventos que não eram compreendidos durante a projeção são respondidas no desfecho da história.
Com um tom sombrio, até pra justificar o título, o filme também traz ótimos efeitos especiais aliados a direção perfeita de Ritchie. Como na cena em que o grupo de Holmes sai correndo em meio a uma floresta e é bombardeado pela tropa do vilão Moriarty. Para filmá-la, o cineasta utilizou a câmera Phanton, que grava até mil quadros por segundo (uma câmera normal faz 24). Com isso somos agraciados por alguns minutos de puro espetáculo cinematográfico que nos mostram a potência dos canhões da artilharia do vilão. Os disparos passam em altíssima velocidade, mas quando chegam perto das vítimas tudo é colocado em câmera lenta para que tenhamos um clima mais real de destruição.
Mas o melhor é ver a química perfeita entre os atores Robert Downey Jr. e Jude Law que fazem interpretações ainda melhores nesta continuação. Eles são tão bons que muitas vezes nos confundimos se estamos vendo um filme de ação ou de comédia, já que mesmo em meio a situações de perigo sempre há uma ótima piada. E aqui vale destacar os disfarces de Holmes e as caras feitas pelo protagonista ao se vestir, por exemplo, de uma mulher indefesa em um trem. O restante do elenco agrada bastante, especialmente Jared Harris que faz de Moriarty o que poderia ser o primeiro supervilão que surgiu no mundo. É com ele que Robert Downey Jr. faz a cena mais envolvente do longa que é o inteligentíssimo jogo de Xadrez que vai definir um fato que pode iniciar a Primeira Guerra Mundial. É de tirar o fôlego!
Acredito que com tanto sucesso nas bilheterias, e por se tratar de uma franquia que deu certo por reunir tantos bons elementos, a terceira parte é algo certo. Mas sim, isso é “elementar, meu caro Kelson”.
Nota 9
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