O artista
Como um filme mudo e em preto e branco consegue receber 10 indicações ao Oscar em plena era da tecnologia moderna na sétima arte? Como uma produção dessas pode concorrer com longas cheios de efeitos especiais e filmados em 3D? Esta é a prova que a Academia não observa muito estes aparatos tecnológicos na hora de escolher seus melhores filmes. E isso já vem acontecendo há algum tempo no Oscar.
O último filme com produção milionária a faturar o prêmio mais cobiçado do cinema foi “O Senhor dos Anéis”, em 2004. De lá para cá foram as produções mais simples que conseguiram essa proeza. Entre elas, “Quem Quer Ser Um Milionário”, “O Discurso do Rei” e até mesmo “Guerra ao Terror”, que desbancou o poderoso “Avatar”, de James Cameron.
E “O Artista” tem tudo para ser o ganhador este ano. Independentemente do destino deste longa no próximo domingo, em Hollywood, durante a 84º cerimônia do Oscar, as dez indicações do filme mudo de Michel Hazanavicius fazem desta premiação um ano excepcional para o cinema francês. Nenhuma produção francesa recebeu tantas indicações e nem jamais concorreu a uma estatueta de melhor filme desde a criação do Oscar.
O drama, misturado com comédia romântica, conta a história de um ator em declínio e uma atriz em ascensão enquanto o cinema mudo sai de moda, sendo substituído pelo cinema falado e se passa em Hollywood entre os anos 1927 e 1932. Este é o tema já usado em outros grandes clássicos do cinema como o excelente “Cantando na Chuva”. Porém neste, apesar do assunto ser o mesmo, existem diálogos, sons e música o tempo todo. E a fórmula retrata bem algo que aconteceu na história da sétima arte após os anos 20 quando a chamada “era muda” deixou de existir.
Em “O Artista” o diretor Michel Hazanavicius aborda exatamente o que aconteceu no passado e nos faz entrar em uma verdadeira viagem de volta no tempo. Os filmes mudos não podiam aproveitar o som sincronizado para os diálogos, eram introduzidas legendas no filme para clarificar as situações para os espectadores, ou para fornecer diálogo crítico. E é exatamente assim que acontece nesta produção “antiga” do século 21.
Mas além da boa direção, o filme tem dezenas de outros pontos positivos. As interpretações são fantásticas e aqui destaco o trabalho de Jean Dujardin indicado ao prêmio de melhor ator e de Bérénice Bejo indicada a melhor atriz coadjuvante. Ambos fazem ótimas atuações e apesar de não dialogarem (audivelmente) têm uma ótima química.
A produção do filme é muito boa. Apesar de francês, as filmagens ocorreram em Los Angeles em sete semanas. Durante as gravações, Hazanavicius tocou músicas de filmes clássicos da época enquanto os atores faziam as cenas. Mesmo em preto e branco, o filme foi gravado colorido para que as cores fossem retiradas na pós produção.
Em plena modernidade, “O Artista” é mais uma obra prima do cinema. Um filme simples, mas difícil de ser feito. Nos faz lembrar das ótimas produções da era muda. É como assistir os grandes clássicos do mestre Charlie Chaplin e sentir em 2012 o que as pessoas sentiam antes dos anos 20.
Nota 10
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