Kelson Venâncio

Cinema e vídeo: o melhor do cinema para você

Scriptease

23/03/2012 7:05

John Carter – Entre dois mundos

Jornalista

“John Carter – Entre Dois Mundos” é a adaptação para as telas de “Uma Princesa de Marte”, obra de fantasia e ficção científica de Edgar Rice Burroughs (1875-1950), o criador de Tarzan, que escreveu 11 livros da saga Barsoom. Na trama, John Carter (Taylor Kitsch) é um veterano de guerra abduzido e transportado até Marte, onde vira prisioneiro de bárbaros verdes e precisa libertar a princesa Dejah Thoris (Lynn Collins) da tirania local.

Para quem gosta de bons filmes de ação, misturados com ficção científica, esta é uma ótima opção. O longa da Disney é bem feito e agrada. O roteiro é interessante e prende a atenção do público do início ao fim. O desenvolvimento dos personagens é o principal motivo desta fórmula dar certo. Desde o início, somos apresentados ao protagonista de uma forma divertida. Por mais preso que ele esteja, tenta sempre fugir e na maioria das vezes consegue. Enquanto isso, lá em Marte acontece uma história paralela que a princípio pensamos “o que isso tem a ver com o que está acontecendo na Terra”? E em pouco tempo estas duas histórias se juntam e se transformam em uma única jornada com aventura, romance e muitos efeitos especiais.

O mundo criado em Marte é algo fabuloso. Uma mistura de “Guerra nas Estrelas”, “Avatar”, “Conan O Bárbaro” e outros clássicos do gênero. E apesar dessa salada mista o “tempero” é feito na medida certa e nos proporciona momentos bons de lazer e diversão. Os atores fazem um bom trabalho. Taylor Kitsch interpreta bem John Carter. Lynn Collins como Dejah Thoris prova que além de ser bonita, sabe atuar como uma das principais coadjuvantes. Willem Dafoe como o alienígena Tars Tarkas chama a atenção em todas as cenas em que aparece. E Mark Strong faz mais um de seus vilões. Aliás, isso já virou uma especialidade dele.

A direção de Andrew Stanton, que nunca havia feito um filme com personagens reais, é brilhante. Mas ele não é novo na sétima arte. Pelo contrário, é considerado um dos cineastas mais famosos da atualidade. Stanton é dono de grandes obras primas animadas como “Wall-E” e “Procurando Nemo”. Ainda participou nos roteiros da trilogia “Toy Story” e “Monstros S.A.”.

A adaptação desta história antiga para o cinema foi tentada várias vezes no passado. Fala-se que a primeira tentativa é datada de 1930. De lá para cá a produção já passou pelas mãos de Robert Rodriguez e até Jon Favreau (“Homem de Ferro”). Mas em 2007 a Disney conseguiu os direitos de “John Carter” e após 5 anos o projeto saiu do papel. E mesmo que muitos consideravam John Carter uma espécie de maldição do cinema, Andrew conseguiu calar a boca de muita gente em Hollywood.

Mas o filme tem algumas falhas. O grande vilão Matai Shang, por exemplo, é o supra-poderoso-indestrutível em diversos momentos, mas em outros é ferido com uma bala, um golpe e até mesmo com uma mordida de um cachorro alienígena que deve ter sido criado pelo Flash. Em alguns trechos, mesmo com os bons efeitos especiais, é possível com um pouco de atenção, ver os atores recortados em croma pelo computador.

De qualquer maneira o filme é muito bom. E apesar de ter sido caro, custou cerca de US$ 250 milhões, dependendo do resultado nas bilheterias uma trilogia deve ser feita.

Nota 8

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