Fúria de Titãs 2
“Fúria de Titãs” continua sendo um filme visualmente perfeito, mas com um roteiro fraquíssimo. A trama começa dez anos depois do primeiro filme. Após derrotar o Kraken, Perseu (Sam Worthington), o semideus filho de Zeus (Liam Neeson), leva uma vida de pescador e cria sozinho o seu filho de dez anos, Hélio. A descrença dos homens enfraqueceu os deuses, porém, quando Hades (Ralph Fiennes) e Ares (Édgar Ramírez) fazem um trato com Cronos para capturar Zeus, o inferno do Tártaro periga se alastrar pela Terra.
Esta continuação é um pouco melhor que o primeiro filme, já que deram um upgrade nos efeitos especiais e a sensação de realidade com o 3D, que sem dúvida, nesse quesito é muito boa, passa a ser uma das melhores produções já feitas. Mesmo assim, ainda existem falhas nestes efeitos visuais. As lutas entre humanos, deuses e monstros são mostradas de forma muito intensa o que até poderia ser um ótimo chamativo. Mas o problema é que elas são rápidas em seus movimentos e ao mesmo tempo parecem borradas demais, o que deixa o espectador meio perdido enquanto elas acontecem. Nem dá para ver direito a forma, o rosto, os detalhes dos Titãs.
Na cena em que Perseu encara o Minotauro, por exemplo, o ambiente é escuro e no início o bichinho fica correndo de um lado para o outro atacando o humano aos poucos, sem se mostrar. E mesmo quando Perseu reage e a pancadaria começa os movimentos são muito rápidos e escondidos e a gente só vai ver a carinha feia do bicho quando ele já está morto. O mesmo acontece com o outro Titã, Quimera, no início do filme. Apenas com os Ciclopes, os gigantes de um olho só, e no desafio final, o diretor detalha bem o grande vilão Cronos que sempre se movimenta de forma lenta jogando larva e destruindo tudo ao seu redor. Nesse caso, a criação de efeitos é favorecida por ser Cronos uma espécie de montanha vulcânica já borrada naturalmente.
Mesmo com estas falhas, são estes efeitos que conseguem segurar a atenção do público, ainda mais se forem vistos na versão 3D em que pedras gigantes e cobras monstruosas parecem sair da tela. A edição de som é muito boa fazendo com que vibremos mais nas cenas de ação.
O grande problema de “Fúria de Titãs 2” é o roteiro. Nem mesmo a troca do diretor Louis Leterrier por Jonathan Liebesman salvou a continuação. A história ainda ficou fraca e com um desenrolar meio sem sentido. É um vai e vem danado e nada parece sair do lugar. Hades, que desde o primeiro filme inveja seu irmão Zeus, faz um trato com Ares para acabar com o “Todo Poderoso”. O filho de Zeus (Ares) trai o próprio pai e se junta ao tio que mais para frente, traído pelo sobrinho, se arrepende e volta a judar Zeus. Uma confusão danada. Enquanto isso, o filho bastardo de Zeus, o semi-deus Perseu, tenta encontrar três objetos que são o raio de Zeus, o garfo de Hades e o tridente de Poseidon. Estas armas divinas vão formar a Lança de Triam que no fim serve apenas para destruir Cronos.
“Fúria de Titãs 2” serve como diversão. Além de ser um remake que nos faz lembrar o grande clássico de 1981 que, mesmo filmado em stop motion (aquele sistema em que os movimentos são gravados quadro a quadro para dar vida aos monstros), nos levava a um mundo cheio de fantasias e de muita aventura. E apesar de toda tecnologia atual, ainda fico com o filme original da década de 80.
Nota 5
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