Espelho Espelho Meu, tem algum filme pior do que este?
A Branca de Neve é uma das personagens de contos de fadas mais antigos da história da literatura. Supostamente criada ainda na Idade Média e depois compilada pelos Irmãos Grim entre os anos de 1812 e 1822, teve inúmeras aparições e versões no mundo do entretenimento. Só no cinema e televisão já foram cerca de 30 produções feitas e a primeira cinematográfica aconteceu em 1902. Mas diante de tantas opções desta história que há muitos anos fascina crianças, jovens e adultos, definitivamente, Espelho Espelho Meu é pra mim a pior de todas.
A história é praticamente a mesma de sempre. Era uma vez uma bela princesa chamada Branca de Neve (Lily Collins) que vivia muito feliz. Tudo ia bem até sua madrasta, a Rainha Má (Julia Roberts), assumir o controle do Reino Encantado. Para continuar no poder, esta malvada precisa se casar com o rico Príncipe (Armie Hammer) para salvar seu reino que está indo à falência. Mas o ele está apaixonado por Branca de Neve e, para conquistá-lo, a rainha expulsa Branca de Neve para a floresta, onde ela terá a ajuda de divertidos anões para lutar e reconquistar seu trono, além de recuperar o amor de sua vida.
O filme inegavelmente já é sucesso de bilheteria principalmente por causa de dois fatores. Primeiro a fábula em si, que há centenas de anos atrai a atenção do público e segundo pela presença da atriz Julia Roberts que é um grande chamativo de público. Mas nem a eterna “Linda Mulher” consegue agradar. Mesmo se esforçando muito para trabalhar bem, Julia se afunda em uma personagem extremamente antipática e sem nenhum carisma. E se ver Julia Roberts como aquela fraquíssima rainha má já é algo difícil, imagine então o restante do elenco?
A estreante Lily Collins, filha do cantor Phil Collins, só pode ter conseguido o papel principal por influência do músico famoso. Não tem cabimento o tanto que ela trabalha mal interpretando a Branca de Neve. É totalmente inexpressiva não conseguindo sequer esboçar um certo ar de tristeza convincente ao saber que o príncipe, que no caso é o amor da vida dela, vai se casar com a rainha. A cena é tão superficial e fraca que nem parece que ela ficou chateada com a notícia, já que nem lágrimas parecem sair de seu rosto, apesar da moça tentar fazer uma certa manha caricata. E pelo que sei, a Branca de Neve deveria ser a mulher mais linda do mundo. Justamente por isso que ao ser indagado pela rainha má se existe alguém no mundo mais bonita que ela, o espelho responde sempre: “Branca de Neve”. Neste caso, a nossa “heroína” nem é linda. Pode ser no máximo bonitinha, mas totalmente “sem sal” com aquelas sobrancelhas que precisam ser aparadas. E aí a contradição: Julia Roberts mesmo sendo mais velha é infinitamente mais bela que a Branca de Neve.
Armie Hammer também se esforça bastante pra fazer uma boa atuação como o príncipe. E mais uma vez o personagem acaba com o trabalho dele. De galã inteligente e corajoso que deveria ser, o príncipe desta versão é um fraco, medroso, burro, idiota e quando é tomado por uma poção mágica aplicada pela Rainha, triplica todas estas “qualidades” chegando ao ridículo de se tornar uma espécie de cachorrinho de estimação da vilã, algo que dá até náuseas de tão absurdo que achei.
Por sua vez, os anões desta versão se chamam Açogueiro, Grim, Tampinha, Napoleão, Lobo, Riso e Rango. Além disso, como todos os outros personagens deste filme, eles não têm nenhum carisma com o público e não possuem características individuais capazes de fazer com que a gente os identifique com facilidade. Pra mim, nesta versão, todos são iguais, sendo apenas anões. Sem contar que eles tentam ser gigantes já que na maioria das cenas andam em pernas de pau que parecem sanfonas que sobem e descem quando querem. Cadê os famosos Atchim, Dunga, Dengoso, Feliz, Mestre, Soneca e Zangado com sua clássica canção “Eu Vou, eu vou, pra casa agora eu vou”?
O figurino da produção é talvez uma das poucas coisas boas deste filme. As roupas têm modelos clássicos de contos de fada e são muito coloridas, o que nos lembra os desenhos infantis e livros ilustrados da personagem. Em compensação, a fotografia não me agradou, já que a maioria das pouquíssimas locações são (mal) feitas em computador. As que são reais parecem ter sido produzidas em estúdios fechados, como é o caso da própria floresta. Tudo é artificial: as árvores parecem de plástico, o céu desenhado e a neve feita de isopor.
E se nessa história de trazer a Branca de Neve de novo para as telonas, se foi difícil aguentar Espelho Espelho Meu com Julia Roberts, o que nos resta esperar de Branca de Neve e o Caçador que estreia em 1º de junho? Vem aí mais uma personagem sem sal. Tomara que a Kristen Stewart (A Bella de Crepúsculo) cale a minha boca e faça uma boa atuação como a Branca de Neve. Espelho espelho meu, será que ela vai conseguir? Tenho minhas dúvidas.
Nota 3
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