Kelson Venâncio

Cinema e vídeo: o melhor do cinema para você

Scriptease

20/04/2012 7:01

Como agarrar meu ex-namorado

Jornalista

Existem filmes que a gente já imagina que serão ruins e assim mesmo ainda insistimos em assisti-los apenas pra no final dizer: “eu sabia que esse filme era péssimo” ou “nossa, não acredito que perdi meu tempo com essa bobeira”.

“Como Agarrar Meu Ex-Namorado” é mais uma dessas produções do precioso tempo perdido. E o engraçado é que ele não tem nem uma hora e meia de duração. Mas como é muito ruim, assisti-lo até o fim parece ser como subir uma escada de um prédio com 25 andares com um saco de cimento nas costas.

Divorciada e desempregada, Stephanie Plum (Katherine Heigl) aceita o emprego de caçadora de recompensas na firma de um primo esquisito. Munida de um bom par de saltos, um olhar provocante e um tubo de spray de pimenta, ela parte em busca de seu primeiro alvo – o atraente Joseph Morelli, ex-policial foragido, o mesmo por quem ela tinha uma queda desde os tempos de escola. Um homem perigoso e que valia dez mil dólares. E ela fará de tudo para capturá-lo nessa espirituosa trama sobre um crime não-resolvido.

Dã!!!! Pela sinopse já é possível imaginar o quanto esse filme terá um roteiro fraco. E mesmo assim tem gente que ainda insiste em vê-lo. A história é absurda, já que nos mostra uma mulher falida que não consegue arrumar um emprego sequer para pagar as contas, mas do nada vira uma espécie de policial e aos poucos se torna uma das melhores tiras da história. Ela vai atrás de “perigosos” bandidos, entra em grandes perseguições, dá e leva tiros, interroga suspeitos, briga com criminosos lutadores de boxes, se arrisca em becos, bairros perigosos no meio de prostitutas e uma série de outras bobagens simplesmente para “agarrar o ex-namorado dela”.

E o pior é que esse namoradinho está praticamente o filme inteiro ao lado dela. Ou seja, não precisava enfrentar tantos perigos para agarrar o tal rapaz. Ele aparece na casa dela, ela na casa dele, ele a algema no banheiro, ela rouba o carro dele, eles até jantam juntos e nada dessa policial fajuta agarrar o ex-namorado. Mas convenhamos: se ela o fizesse logo na primeira das dezenas de vezes em que eles estão juntos, não teríamos um filme horrível como esse, não é mesmo? E confesso que torci para ela agarrá-lo aos 10 minutos e logo aparecer os créditos finais.

De comédia romântica, a trama vira um filme policial. E surgem diversos personagens secundários que, como o próprio filme, também são muito ruins. Tentam colocar uma situação investigativa em que a nossa “Sherloca Holmes” vai tentar desvendar, indo de um lugar pra outro, encontrando depoimentos e pistas importantes que a levam para um final mais besta ainda. E por falar em final, de desempregada fútil, a nossa detetive Kate Marrone (depois da gripe) se torna a responsável por desvendar um crime que para os companheiros policiais dela parece ser o “Crime do Século”. Mas para o público, o único crime do século é ter perdido tempo e dinheiro com toda essa palhaçada. E “para a nossa alegria”, a mocinha chega a ser aplaudida pelos colegas da lei, no fim da projeção.

Katherine Heigl parece que se especializou mesmo em fazer comédias românticas pois não sabe mais fazer outra coisa na vida. Se a ficha dela caísse e ela soubesse o quanto essas produções ruins estão queimando o filme dela, voltaria às pressas para um de seus melhores papéis em uma das melhores séries que já assisti que é Grey’s Anatomy. Que saudades da Izzie Stevens.

Ah, e ainda em tempo, esta aberração cinematográfica é inspirada no livro de Janet Evanovich, lançado no Brasil como ‘Um Dinheiro Nada Fácil’. Os 17 livros desta série alcançaram grande sucesso e figuraram no topo de diversas listas de mais vendidos, como as do jornal norte-americano The New York Times. Dá pra acreditar nisso? Se os livros são bons, essa adaptação com certeza mancha a obra da escritora, coitada.

Nota 1

Comentários 0

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.