Kelson Venâncio

Cinema e vídeo: o melhor do cinema para você

Scriptease

18/05/2012 7:01

2 Coelhos

Jornalista

Se você é daqueles que tem algum tipo de preconceito com filmes nacionais e pensa que o cinema brasileiro está atrasado no tempo e fica longe das grandes produções hollywoodianas, cuidado. Você corre o risco de perder ótimas produções. Os longas realizados aqui nunca tiveram tanto espaço no circuito do entretenimento como nos últimos anos. Isso por que conseguiram elementos fundamentais para que um filme caia no gosto popular: direção, interpretações, roteiro e em alguns casos até bons efeitos especiais. E se você não viu “2 Coelhos” no cinema, corra para uma locadora próxima e alugue este que é um dos melhores filmes já produzidos pelo nosso cinema.

Após se envolver em um acidente automobilístico, no qual uma mulher e seu filho são mortos, Edgar (Fernando Alves Pinto) é indiciado, mas escapa da prisão graças à influência de um deputado estadual. Em seguida ele parte para uma temporada em Miami, de onde retorna com um plano para atingir tanto o deputado Jader (Roberto Marchese) que o ajudou, símbolo da corrupção política, quanto Maicon (Marat Descartes), um criminoso que escapa da justiça graças ao suborno de políticos influentes, além de junto a eles, roubar o cofre público. Instigado, Edgar coloca seu plano em prática e se aventura no mundo da ação em busca de recuperar a grana do cofre e colocar os criminosos atrás das grades. Enquanto isso, ele se envolve com Júlia (Alessandra Negrini), uma promotora pública, que decide ajudá-lo.

Contada dessa forma resumida na sinopse, o filme poderia ser de fácil interpretação. Mas o segredo do sucesso de “2 Coelhos” está na fórmula encontrada pelo roteirista e diretor Afonso Poyart para contar essa história. Usando de uma narrativa do personagem principal, somos apresentados a diversos personagens, em situações diferentes e em momentos distintos que a princípio nos deixam confusos. Aí vem a pergunta: “o que isso tem a ver com aquilo”? Pois, como acontece com roteiros de produções inteligentes de Hollywood, Poyart monta aos poucos esse quebra-cabeças encaixando peça por peça de forma magistral, fazendo com que percebamos que tudo faz sentido e finalizando esta obra prima da sétima arte justificando o título e matando 2 coelhos numa paulada só.

O trabalho de Poyart é talvez o melhor deste filme. Além de escrever um roteiro inteligente, ele faz uma direção incrível e talvez nunca vista no cinema nacional. O jogo de câmeras usado nas filmagens é essencial para que viajemos nos pensamentos exagerados de Edgar. E aí um simples assalto no trânsito em que o ladrão leva apenas uma carteira, um celular e um relógio, somos apresentados a situações que na mente dele poderia ter acontecido se Edgar resolvesse reagir.

Formado por um elenco que em sua maioria talvez nem seja conhecido pelo grande público, todos os atores podem se gabar de suas atuações, até mesmo os que fazem uma ponta na produção.

E tem algo que nunca vimos com tanta intensidade em filmes brasileiros: os efeitos especiais. Aqui eles são excelentes. Ninguém assiste e pensa “estes efeitos de filmes nacionais não prestam”.

Com tantas continuações ruins que surgem por aí no cinema hollywoodiano, bem que esse mestre do cinema nacional, que é Afonso Poyart, poderia escrever uma continuação. Adoraria ver Edgar matando mais uma centena de coelhos brasileiros corruptos que mancham o país.

Nota 10

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