Branca de Neve e o Caçador
Recentemente, assisti ao filme “Espelho, Espelho Meu”, que foi a primeira das duas versões modernas do clássico conto dos irmãos Grimm sobre a Branca de Neve, que estreariam neste ano.
E como eu havia detestado esse filme, publiquei, na crítica para esta produção: “E se nessa história de trazer a Branca de Neve de novo para as telonas, se foi difícil aguentar ‘Espelho, Espelho Meu’, com Julia Roberts, o que nos resta esperar de ‘Branca de Neve e o Caçador’? Vem aí mais uma personagem sem sal. Tomara que a Kristen Stewart cale a minha boca e faça uma boa atuação como a Branca de Neve. ‘Espelho, Espelho Meu, será que ela vai conseguir? Tenho minhas dúvidas”.
O que esperar desta nova versão? Eu não esperava nada. Mas me surpreendi com o que vi. “Branca de Neve e o Caçador” é um ótimo filme e superior à bobeira cinematográfica feita dessa fábula no anterior. Dessa vez temos um longa mais sombrio e violento dessa história contada há pelo menos dois séculos. Aqui o caçador Eric é contratado pela rainha má, Ravenna, para encontrar a enteada dela, Branca de Neve, que tem a chave para destruir seu poder. Mas, quando descobre que a rainha quer, na verdade, matar a donzela, o guerreiro ingressa em um movimento de resistência para enfrentar a regente.
Ao contrário do jeito “cômico ridículo” de “Espelho, Espelho Meu”, “Branca de Neve e o Caçador” conta a mesma história de um jeito envolvente. Tudo é mais sério e até épico, lembrando, às vezes, “O Senhor dos Anéis”. Escrito por Evan Daugherty, o roteiro é criativo.
A direção do ex-publicitário Rupert Sanders agrada. Ele faz bom uso do jogo de câmeras para mostrar diversos tipos de ambientes. E dirigir a atriz Kristen Stewart é um grande desafio. Sanders consegue melhorá-la em relação a Bella de “Crepúsculo”. É claro que ela ainda tem um longo caminho a percorrer até perder aquele “ar de sem graça” de Bella.
Acho que virou uma sina para Kristen Stewart participar de triângulos amorosos bobinhos em filmes. Aqui ela fica entre o amor do príncipe William e do caçador Eric. Felizmente, isso se torna um detalhe que não é explorado. Se não fosse assim, teríamos “A Branca de Neve e o Anoitecer”, “A Branca de Neve e o Alvorecer” e quatro capítulos mais.
O elenco do filme é bom. O ator Chris Hemsworth, novato no cinema e conhecido apenas por ser o Thor, mostra que sua carreira não será apenas feita de beleza e músculos. Ele faz bem seu papel de caçador e, ao contrário do poderoso Deus do Trovão, aqui ele sempre está sujo, desarrumado e geralmente bêbado. Os anões são ótimos.
E se você viu aqueles rostinhos e pensou “parece que já vi este ator, mas não era anão”, você está certo. É o resultado da tecnologia da sétima arte. Alguns deles são famosos: Ian McShane (vilão do último “Piratas do Caribe”), Bob Hoskins (o detetive de “Uma Cilada para Roger Rabbit”), Toby Jones (assistente do Caveira Vermelha de “Capitão América”) e Ray Winstone (tio Claude em “Hugo Cabret”).
Quem rouba a cena nessa produção é a bela Charlize Theron.
A atriz faz da rainha Ravenna uma mulher cruel e obcecada pelo poder. E nesse caso, a rainha malvada é má mesmo, sem dó. Só não entendo por que a rainha má dessas versões são mais lindas que as Brancas de Neve.
Há ainda os ótimos efeitos especiais que são usados no filme. Além da modernidade, que envolve a caracterização dos anões, esses efeitos visuais são um atrativo à parte, especialmente na composição da floresta negra, que mete medo com suas árvores que provocaram alucinações terríveis. Na segunda parte, aparece a outra floresta, que possui um visual belíssimo, e um santuário cheio de plantas e animais diferentes, com direito a fadas e outros seres interessantes.
Comentários 0