Sombras da Noite
Existem produções cinematográficas que geram expectativas durante o processo de divulgação. Torcemos para que eles sejam bons. O problema é que muitos nos deixam frustrados. Assim foi com “Sombras da Noite”, que só pelos nomes das pessoas envolvidas na produção, direção e elenco já é um verdadeiro atrativo.
Para começar, quando se fala em Tim Burton e seus fiéis parceiros Johnny Depp e Helena Bonham Carter (esposa do diretor) esperamos uma boa produção. Ainda mais com outros nomes famosos como o de Michelle Pfeiffer, Eva Green, Jackie Earle Haley e Chloë Moretz. Mas grandes expectativas podem trazer grandes frustrações.
Em 1752, Joshua e Naomi Collins deixam a cidade inglesa de Liverpool com o filho, Barnabás, rumo aos Estados Unidos. A intenção deles era escapar de uma maldição que atingiu a família. Vinte anos depois, Barnabás é um playboy inveterado que tem a cidade de Collinsport aos seus pés. Após seduzir e partir o coração de Angelique Bouchard, sem saber que era uma bruxa, ele é transformado em vampiro e preso numa tumba por dois séculos.
Quando desperta, dois séculos depois, encontra sua propriedade em ruínas e os poucos familiares vivos escondem segredos uns dos outros. Em meio a um mundo desconhecido, Barnabás se interessa por Victoria Winters, a tutora do jovem David. O longa é baseado na série da década 1960, Dark Shadows de Dan Curtis.
O maior problema do filme é esta historinha boba. O roteiro é fraco, cheio de furos e se arrasta durante as quase duas horas de projeção, deixando tudo capenga e cansativo. Após uns 30 minutos, ficamos torcendo para que o filme termine logo. O vampiro de Tim Burton sai ás ruas durante o dia, mas só pode ficar na sombra. As vítimas mordidas morrem, mas a paixão de Barnabás ao ser mordida ganha a vida eterna. O garotinho que parece ser bem misterioso no início do filme não influencia em nada no desfecho. O mordomo, que no começo pensamos que vai ser um personagem legal, não é. A vilã, que durante todo o filme é indestrutível e poderosa é derrotada no fim de maneira ridícula.
“Sombras da Noite” tem um ótimo elenco. E os atores trabalham bem em seus papéis. Mas os personagens são esquecidos a todo momento. É um vai e vem sem nada interessante. A própria história transita entre muitos gêneros, mas não se aprofunda em nenhum deles.
Há alguns pontos positivos neste filme. Além das boas interpretações (atrapalhadas pelo roteiro ruim), temos uma ótima fotografia e maquiagem no estilo mórbido que é comum e eficaz em filmes de Tim Burton. Tem piadas interessantes e engraçadas, como outras forçadas e sem graça. Os efeitos especiais oscilam na qualidade.
“Sombras da Noite” é uma diversão que agrada em alguns momentos e irrita em muitos outros. E eu ainda acho que este novo filme é uma espécie de cópia da clássica “Família Adams”, claro que inferior. E pelo fim da projeção, uma sequência deve vir por aí. Se isso acontecer Tim Burtom bem que poderia ter um roteirista melhor.
Nota 4
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