O Massacre da Serra Elétrica – 3D
Em 1974 surgia no cinema um filme que mudaria para sempre a forma de fazer terror nas telonas. Uma produção que pela primeira vez chocaria o público com realismo cruel ao oferecer cenas de violência explícita, com muito sangue na tela e alto terror psicológico. Uma história que dizem ser baseada em fatos reais e que para ser contada gastaram cerca de US$ 150 mil. E com o enorme sucesso na época, o filme rendeu mais de US$ 100 milhões, virou um clássico cult e influencia inúmeras produções posteriores.
Foi então que o mundo conheceu um dos personagens mais famosos do terror, o maníaco Leatherface, considerado por muitos o exemplo perfeito para outros personagens de filmes do gênero. Surgia então “O Massacre da Serra Elétrica”, que apesar de ter sido feito na época com poucos recursos, teve um resultado positivo.
Hoje chega às telas a quinta produção feita sobre esta trama, desta vez mostrando a história de uma jovem da família Sawyer que quando bebê sobrevive a chacina. Após muitos anos ela tenta descobrir suas origens e se depara com a fúria sanguinária de Letherface, que mais velho, ainda vive no porão da mansão herdada pela jovem.
A ideia de colocar uma nova história em torno desta famosa lenda do terror é interessante. Porém, o desenrolar da história não me agrada. No novo filme, apesar de no início da projeção serem mostradas algumas cenas do original e em seguida nos apresentarem à família Sawyer de um modo rápido numa chacina, não sabemos ao certo por que aquela família é assassinada. Também não se sabe por que no meio dela existia um maníaco deformado que matava as vítimas com uma serra elétrica. Isso pode prejudicar e muito os que não conhecem a história.
Mas os furos não acontecem apenas no começo. Durante toda a projeção o roteiro é cheio de furos e instável. Por incrível que pareça, no fim a mocinha acaba passando para o lado do mal e o vilão vira o mocinho, algo difícil de engolir para quem conhece o assassino Letherface.
Com um elenco desconhecido, formado por atores ruins, as interpretações são aquelas de sempre das refilmagens anteriores. Jovens sarados mostrando os corpos. Uma ninfomaníaca gostosona, o corajoso de abdome definido, o maluquinho da turma e a mocinha inocente. E no meio dessa turma uma serra elétrica triturando todo mundo. O filme é isso.
Desta vez quiseram uma estreia da franquia no universo 3D. “O Massacre da Serra Elétrica” aderiu ao formato para repetir o sucesso de longas como “Dia dos Namorados Macabro” e “Premonição 4”, que faturaram mais de US$ 100 milhões nas bilheterias em razão da utilização do 3D. E este efeito tecnológico é a única coisa que vale no novo filme. Se torna um show a parte ver a lâmina da motosserra serra quase encostando no meio do nosso rosto no cinema.
Mesmo com toda essa modernidade os cineastas da atualidade precisam voltar quase 40 anos no passado para aprender que com algo simples e sem muitos recursos se faz um terror de qualidade, se faz um Letherface mais assustador, se faz um filme que preste.
Nota 4