Kelson Venâncio

Cinema e vídeo: o melhor do cinema para você

Scriptease

18 de abril de 2014 6:03

“Capitão América 2: O Soldado Invernal”

Jornalista

De todos os heróis da Marvel, para mim, um dos mais sem graça sempre foi o Capitão América. Primeiro porque ele não tem tantos poderes quanto os outros (além da força descomunal) e segundo porque não gosto muito dessa super valorização do patriotismo norte-americano. Mas quando fizeram o primeiro filme, sobre o qual não tinha muitas expectativas, gostei. Souberam explorar a história de Steve Rogers e encaixaram direitinho o personagem no mundo de hoje, especialmente junto aos demais Vingadores, posteriormente.
A partir de então, as expectativas aumentaram para “Capitão América 2: O Soldado Invernal”, ainda mais com a campanha de marketing que fizeram. E, felizmente, as expectativas não acabaram em frustrações. Pelo contrário, o filme é melhor do que o esperado.
A trama se passa após os eventos de “Os Vingadores”. Steve Rogers continua em sua aliança com Nick Fury e a S.H.I.E.L.D. para lutar pela justiça, ao mesmo tempo em que se adapta ao mundo moderno. Em parceria com Natasha Romanoff, também conhecida como Viúva Negra, precisa derrotar um poderoso e misterioso inimigo que ameaça os Estados Unidos e fez da cidade de Washington sua base de operações.
O roteiro é interessante e ao mesmo tempo complexo já que aborda questões da atualidade e do passado. Quem não conhece bem a história contada no primeiro longa pode ficar um pouco por fora na continuação. Mas o que é contado acaba prendendo nossa atenção do início ao fim, pois se trata de traições, de desconfiança e a gente nunca sabe como a trama vai acabar. E ela acaba de um jeito que abre caminhos para o futuro do Universo Marvel. No fim, a gente questiona “e agora”?
Nesta segunda parte, praticamente todos os personagens são bem explorados, com exceção de Sharon Carter/Agente 13 interpretada por Emily VanCamp, de “Revenge”. Acredito que ela terá um papel maior em um terceiro filme. A química entre estes personagens é fantástica.
Os efeitos especiais ficam melhores a cada filme. As guerras, as lutas, as explosões, os tiros, as perseguições, tudo isso é de tirar o fôlego do espectador que fica boquiaberto com o que vê na telona. E sempre nos vem à cabeça: “como eles fazem isso”?
Até o próprio Capitão América melhorou. Agora ele parece ter mais poderes. Está mais forte, mais veloz, se envolve em lutas cheias de acrobacias (com coreografias afinadas).
Infelizmente, nessa magia, toda há sempre o excesso de mentiras. Milhares de balas de metralhadoras sendo descarregadas sobre nosso herói e nenhuma o acerta porque ele tem um escudo poderoso que cobre apenas a região torácica. Aliás, por que ele insiste em não usar uma única arma? Com socos e pontapés, e, claro, com seu escudo, ele resolve tudo. E o bom é que todo mundo apanha feio dele, mas ninguém solta uma gota de sangue. Ninguém se machuca.
É a magia do cinema!

Nota 8

OBS: como sempre, existe uma cena importante após os créditos finais.

11 de abril de 2014 6:00

Ajuste de contas

Jornalista

Há poucos anos alguns velhos conhecidos do cinema resolveram voltar à ativa, entre eles Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone. A maioria desses atores da terceira idade fez sucesso nos filmes de ação da década de 80 e marcaram uma geração se tornando verdadeiros ídolos naquela década. Stallone trouxe de volta o gênero ação em carne e osso, já que o ator declarou que no cinema moderno os heróis de hoje não passam de criações gráficas computadorizadas.

Com isso, Stallone ressurgiu com o famoso Rocky Balboa em um sexto filme em que o garanhão italiano estava com 60 anos e era desafiado por um jovem pugilista. Depois veio “Rambo IV” em que o personagem estava meio que aposentado no norte da Tailândia e era um piloto de barco em uma região de sequestros e guerrilha. Logo criou “Os Mercenários” para ressuscitar os principais atores de ação ícones do passado em uma só produção fazendo dois filmes explosivos, um primeiro ruim e uma boa e engraçada continuação.

Agora, mais uma vez Stallone faz um filme em que o tema é a velhice. Desta vez, o diretor Peter Segal une no mesmo longa dois personagens ícones do passado: o Rocky Balboa e o Touro Indomável. O dois filmes, ganhadores de várias categorias no Oscar, sempre foram considerados os melhores sobre Boxe. Mas qual deles é o melhor? Parece que Segal quis a resposta colocando os personagens no ringue novamente.

Billy “The Kid” McDonnen (Robert De Niro) e Henry “Razor” Sharp (Sylvester Stallone) foram grandes boxeadores que, agora, estão aposentados. Entretanto, mesmo tendo subido no ringue pela última vez há décadas, eles aceitam se enfrentar em uma última luta para desempatar o confronto histórico. Enquanto se preparam para o confronto, os dois terão que confrontar pessoas do passado: a bela Sally (Kim Basinger) e o filho B.J. (Jon Bernthal).

A ideia que a princípio é boa não funciona bem até quase o fim da projeção. O roteiro é fraco e se baseia na humilhante situação dos dois pugilistas perante a sociedade, não relatando de fato o sofrimento que os mais velhos têm em conviver com os mais novos, mas levando para o lado cômico, se baseando nas limitações físicas dos dois. E junta-se um ex-amor, um filho abandonado, um neto inteligente e outras coisas para encher linguiça. As atuações não são lá essas coisas, mesmo se tratando de dois ótimos atores.

Mas o filme tem momentos de diversão e nostalgia. E na tão aguardada revanche entre os dois, a luta, que no início chega a ser engraçada porque ambos estão fora de forma, se torna algo especial. Os movimentos de câmera, os golpes ensaiados, os efeitos sonoros que trazem realidade aos golpes, a maquiagem nos faz voltar ao passado e ver que ali naquele ringue estão o Touro Indomável e o Rocky Balboa. E não se economiza porrada! No meio disso acontece algo de encher os olhos d’água. Quer saber? Assista! Pelo menos sabe que o final é bom!

Nota 5

28 de março de 2014 6:08

Nebraska

Jornalista

Muitos filmes chamam a atenção porque são carregados de efeitos especiais e neles são investidos milhões de dólares em uma série de características que os transformam em blockbusters. Mas existem algumas produções que têm o mesmo efeito ou vão além porque são simples, mas muito bem contadas.

Assim é o filme “Nebraska”, um dos melhores longas que assisti nos últimos anos e que tem na simplicidade sua principal atração. O filme conta a história de um velho gagá que recebe um panfleto comercial dizendo que ele ganhou US$ 1 milhão. Ele acredita que é verdade e decide ir até a cidade de Nebraska buscar o prêmio que não passa de mais uma falsa publicidade. De tanta insistência do velho, o filho decide levá-lo até lá para que ele aceite a verdade.

O que tem de tão interessante nesta história? São as coisas que acontecem durante a viagem que fazem o espectador ficar encantado. É com a teimosia do velho, que todos queriam levar para um asilo, que a família volta a ter bons momentos juntos, que os filhos conseguem enxergar o valor de uma boa relação, que o amor perdido volta à tona.

A discussão do tema terceira idade na produção é fantástica. “Nebraska” é um filme que merece ser visto, revisto e levado para debates aprofundados sobre este tema tão importante no nosso dia a dia. A valorização da experiência dos mais velhos, o respeito que os mais novos devem ter com eles, a beleza da melhor idade.
Temos um trabalho brilhante de direção, roteiro, fotografia, maquiagem e principalmente de interpretação. Bruce Dern faz do velho alcoólatra Woody Grant um retrato exato da velhice. Uma pessoa egocêntrica que está no fim da vida e que vê neste bilhete “premiado” uma esperança para evitar a depressão de seus últimos dias. Will Forte faz o filho bonzinho que de tanta teimosia resolve ajudar o pai e, no fim, enxerga que fez a coisa certa, não pelo suposto prêmio, mas por voltar a ter um bom relacionamento com o pai.

Mas é June Squibb quem rouba a cena nos momentos que aparece o filme. Ela faz a vovó protetora e se passa comicamente pela única pessoa “sensata” daquela família de “loucos”, segundo ela. É uma gracinha na tela!
Com uma trilha sonora estilo country melancólico, rodovias desertas, celeiros, cidades pequenas e um imagens em preto e branco, o diretor e roteirista Alexander Payne faz um bom trabalho, deixando uma boa mensagem mostrando que as coisas boas da vida estão na simplicidade e não na modernidade.

Nota 8