Kelson Venâncio

Cinema e vídeo: o melhor do cinema para você

Scriptease

17 de maio de 2013 7:00

O Massacre da Serra Elétrica – 3D

Jornalista

Em 1974 surgia no cinema um filme que mudaria para sempre a forma de fazer terror nas telonas. Uma produção que pela primeira vez chocaria o público com realismo cruel ao oferecer cenas de violência explícita, com muito sangue na tela e alto terror psicológico. Uma história que dizem ser baseada em fatos reais e que para ser contada gastaram cerca de US$ 150 mil. E com o enorme sucesso na época, o filme rendeu mais de US$ 100 milhões, virou um clássico cult e influencia inúmeras produções posteriores.

Foi então que o mundo conheceu um dos personagens mais famosos do terror, o maníaco Leatherface, considerado por muitos o exemplo perfeito para outros personagens de filmes do gênero. Surgia então “O Massacre da Serra Elétrica”, que apesar de ter sido feito na época com poucos recursos, teve um resultado positivo.

Hoje chega às telas a quinta produção feita sobre esta trama, desta vez mostrando a história de uma jovem da família Sawyer que quando bebê sobrevive a chacina. Após muitos anos ela tenta descobrir suas origens e se depara com a fúria sanguinária de Letherface, que mais velho, ainda vive no porão da mansão herdada pela jovem.

A ideia de colocar uma nova história em torno desta famosa lenda do terror é interessante. Porém, o desenrolar da história não me agrada. No novo filme, apesar de no início da projeção serem mostradas algumas cenas do original e em seguida nos apresentarem à família Sawyer de um modo rápido numa chacina, não sabemos ao certo por que aquela família é assassinada. Também não se sabe por que no meio dela existia um maníaco deformado que matava as vítimas com uma serra elétrica. Isso pode prejudicar e muito os que não conhecem a história.

Mas os furos não acontecem apenas no começo. Durante toda a projeção o roteiro é cheio de furos e instável. Por incrível que pareça, no fim a mocinha acaba passando para o lado do mal e o vilão vira o mocinho, algo difícil de engolir para quem conhece o assassino Letherface.

Com um elenco desconhecido, formado por atores ruins, as interpretações são aquelas de sempre das refilmagens anteriores. Jovens sarados mostrando os corpos. Uma ninfomaníaca gostosona, o corajoso de abdome definido, o maluquinho da turma e a mocinha inocente. E no meio dessa turma uma serra elétrica triturando todo mundo. O filme é isso.

Desta vez quiseram uma estreia da franquia no universo 3D. “O Massacre da Serra Elétrica” aderiu ao formato para repetir o sucesso de longas como “Dia dos Namorados Macabro” e “Premonição 4”, que faturaram mais de US$ 100 milhões nas bilheterias em razão da utilização do 3D. E este efeito tecnológico é a única coisa que vale no novo filme. Se torna um show a parte ver a lâmina da motosserra serra quase encostando no meio do nosso rosto no cinema.

Mesmo com toda essa modernidade os cineastas da atualidade precisam voltar quase 40 anos no passado para aprender que com algo simples e sem muitos recursos se faz um terror de qualidade, se faz um Letherface mais assustador, se faz um filme que preste.

Nota 4

10 de maio de 2013 7:04

“Somos tão jovens”

Jornalista

Há muito tempo venho dizendo que a qualidade do cinema nacional melhorou. Alguns filmes brasileiros fazem mais sucesso que produções hollywoodianas cheias de efeitos especiais. O longa que conta a história do cantor Renato Russo teve a sexta melhor estreia do ano em renda e o sexto melhor fim de semana de abertura de um filme brasileiro em público. Isso comprova a melhoria e mostra que estamos no caminho certo.

Brasília, 1973. Renato (Thiago Mendonça) acabou de se mudar com a família para a cidade, vindo do Rio de Janeiro. Na época ele sofria de uma doença óssea rara, a epifisiólise, que o deixou numa cadeira de rodas após passar por uma cirurgia. Obrigado a permanecer em casa, aos poucos ele passou a se interessar por música. Fã de punk rock, Renato começa a se envolver com o cenário musical de Brasília após melhorar dos problemas de saúde. É quando ajuda a fundar a banda Aborto Elétrico e, posteriormente, a Legião Urbana.

O bom de “Somos Tão Jovens” é que o roteiro é tão leve e gostoso, que quase não vemos o tempo passar e quando menos esperamos o filme acaba. E o melhor, com aquele gostinho de “quero mais”. E a história, apesar de conhecida pelos mais fanáticos, é cheia de detalhes que muitos admiradores do cantor ainda não sabiam. Resultado do bom trabalho do roteirista Marcos Bernstein, que conta algo que já estava pronto na vida real, mas que precisava de um bom trabalho para ser reunido, após muitas pesquisas e entrevistas, para ser passado nas telonas.

Outro ponto forte do filme é a ótima direção de Antonio Carlos da Fontoura, um diretor pouco conhecido, com poucas obras, mas que faz um brilhante trabalho nesta produção. O cineasta faz a captação de ângulos de uma forma diferente, especialmente nos momentos em que o rock’n’roll rola solto, com movimentos bruscos e algumas vezes desfocados, que passam ao espectador a impressão de que este ritmo é algo meio louco mesmo. Talvez o maior trabalho dele tenha sido dirigir jovens atores, sem muita experiência e com a missão de interpretar personagens tão importantes. E na maioria dos casos, ele conseguiu.

Laila Zaid como Aninha é um bom exemplo. Este é praticamente o segundo filme da atriz e ela se mostra tão à vontade como a amiga inseparável de Renato Russo, que cria uma grande empatia para com o público. Marcos Breda e Sandra Corveloni como pais de Renato, apesar de serem coadjuvantes no filme, mandam bem em seus papéis. Tem Edu Moraes como Herbert Vianna cujo ponto forte é a modulação de voz parecida com a do cantor. Ibsen Perucci é um xerox de Dinho Ouro Preto.

Thiago Mendonça faz a melhor atuação da carreira neste longa. Este jovem ator ficou conhecido no cinema por interpretar o cantor Luciano no filme “Dois Filhos de Francisco”, depois fez uma ponta em “Tropa de Elite” e agora faz uma atuação sem nenhum defeito dando ao personagem Renato Russo praticamente as mesmas características do cantor.

Para completar o filme, tem uma ótima e conhecidíssima trilha sonora da banda Legião Urbana e aborda a forma com que Renato compunha as poesias que se transformavam em música. Com um simples gravador no quarto captando histórias de pessoas desconhecidas, participando de festas estranhas e esquisitas, viajando para Taguatinga, brigando com a melhor amiga e assim vai. Com certeza, em minha modesta opinião, “Somos Tão Jovens” é mais uma obra-prima do cinema brasileiro.

No www.cinemaevideo.tv, você confere um especial que preparamos com bastidores e entrevistas.

3 de maio de 2013 6:43

Homem de Ferro 3

Jornalista

Depois de dois bons filmes e da participação convincente no grupo dos Vingadores, o Homem de ferro está de volta às telonas e desta vez veio com um armamento mais pesado em sua campanha de marketing. Acho que nunca vi uma divulgação tão forte como a que aconteceu em torno deste herói da Marvel. E sempre quando isso acontece, eu fico com um pé atrás, “grandes expectativas podem trazer grandes frustrações”. E de certa forma, isso acontece e “Homem de Ferro 3” é o pior da série.

Spoilers…

O maior problema está no roteiro escrito pelo diretor Shane Black ao lado de Drew Pearce. Baseado na ótima série “Extremis” dos quadrinhos de Warren Ellis e Adi Granov, a trama ignora alguns de seus melhores detalhes, como as novas capacidades do protagonista. Para começar, essa história de inventaram um vilão que surge do nada, sem nenhuma origem plausível e que se torna uma mistura de Tocha Humana do Quarteto Fantástico com o Lagarto de “Homem Aranha” não deu para engolir. Qual o objetivo da enorme fúria que o Dr. Aldrich Killian tem? O que ele quer com o clã de homens de fogo que ele monta? Conquistar o mundo? Ficar rico? Matar Tony Stark? O filme pouco mostra os interesses reais deste personagem.

O roteiro é cheio de falhas. Como eles transformaram naquelas bombas quentes regenerativas ambulantes? A justificativa superficial seria a suposta experiência feita por Maya Hansen? Se for, não aparece esse experimento a não ser numa planta no início do filme.

Por outro lado, os efeitos especiais estão cada vez melhores. A série chega a seu ápice neste terceiro filme. Porém, chega a ser exagerados demais. São tantas armaduras, tantos artefatos tecnológicos, que fica cansativo em certos momentos. Mesmo assim é um dos pontos positivos da produção. Para quem viu Tony Stark vestir a armadura no segundo filme depois de jogar uma maleta no chão, vai ficar boquiaberto ao ver como as partes de seus trajes voam em direção a ele. Em alguns momentos pensei que estava vendo alguns dos Transformers de Michael Bay.

Mas o pior foi a decepção ao ver em cena o que era para ser o maior vilão da história do Homem de Ferro. Nos quadrinhos o Mandarim se considerava um mestre do karatê. Suas armas mortais eram 10 anéis, que usava um em cada dedo das mãos. Cada um tinha um poder diferente. Nas revistas era “O Vilão”. Mas no filme, para a frustração dos fãs, é um palhaço. Fizeram um mistério durante a divulgação do filme em torno do personagem de Ben Kingsley para colocá-lo na pele de um bobão.

E mais uma vez quem salva o Homem de Ferro é o ator Robert Downey Jr. que repete as ótimas atuações dos filmes anteriores e faz de Tony Stark um show à parte. A arrogância do playboy bilionário continua e as piadas sarcásticas que ele nos proporciona ainda agradam. Além disso, a química entre ele e o garotinho Harley (Ty Simpkins), por mais que tenha sido por pouco tempo, é um dos pontos fortes do filme. Acredito que se fosse outro ator interpretando este super herói, a queda do Homem de ferro teria sido bem maior.
Foi bom ver, após os créditos finais, com quem Stark estava conversando e contando toda a história do filme.

Nota 5