Ficção e realidade na comédia do relacionamento

Giovanna Ewbank (dir) e Guilherme Boury (esq) encenaram o espetáculo que lotou o teatro em quatro sessões.
Com início meio meloso, pude assistir no último fim de semana, uma comédia romântica completamente condizente com a realidade de um relacionamento. Um formato misto de narração e interpretação mostraram momentos do dia a dia de casais e me levaram a relembrar meus primeiros anos de namoro. Incrível como os estágios de relacionamento são marcantes e iguais numa dualidade fantástica. Pude ver as mesmas brigas por motivos fúteis que já vivi e analisar o quão iguais podemos ser uns dos outros quando o assunto é relacionamento.
Por outro lado, tenho tempo suficiente ainda para criar uma nova realidade relacional com aquela que é “o grande amor da minha vida”. Giovanna Ewbank e Guilherme Boury encenaram no Teatro Rondon Pacheco um manual prático de relacionamentos. Com uma comédia romântica crescente, que arrancou risos da plateia tímida composta em sua maioria de casais de várias idades e gêneros, misturas de ficção e realidade levavam todos a episódios de suas próprias vidas. Eram visíveis as reações dos casais na plateia em sincronia com o texto narrado no palco. Abraços, sorrisos, e a boa e velha frase: “nossa, você já fez isso, igualzinho”.
Quem nunca viveu um namoro em que os encontros e desencontros foram tantos que o levaram a acreditar que era tudo questão de destino? Pois eu, apesar de um simples plebeu, vivi romance bem parecido, apesar de meio que, sem a ação do destino, mas com muita perspicácia, fui levado a me apaixonar e descobrir quem era o grande amor da vida minha. Parece clichê de filme romântico.
Isso foi o mesmo que achei da peça quando vi o folder e a divulgação e dois atores globais protagonistas. Logo pensei: “- Putz! Isso deve ser muito ruim”. Admito que pensei dominado pelo meu preconceito de que ninguém que tenha começado fazendo a novela juvenil de mil temporadas da emissora do plim plim possa ser detentor de grandes dotes de interpretação. No entanto, Giovana Ewbank demonstrou que além de namorada de famoso e corpo escultural ela é sim uma boa atriz. Só não deve se esquecer de que no teatro expressões pequenas não são captadas pela plateia, preocupe-se em fazer “carão” que a gente possa ver e entender tudo na sua interpretação.
Quanto a Guilherme Boury, este sim me surpreendeu com gosto. Demonstrou um domínio sobre a plateia fazendo, com um simples suspiro em uma ocasião de silêncio no palco, surgirem gargalhadas do público febril que se deleitava se lembrando dos próprios momentos de romance com a pessoa amada.
Em resumo, uma ficção repleta de realidade, verdadeiros relatos da vida a dois e das peripécias do destino amoroso, funcionando como um manual prático do que os apaixonados vivem e o que podem viver ao lado da pessoa amada.
Agradecimentos a Ares Comunicação e a produção do evento.











