Diogo Machado

Sabemos o que somos não o que podemos ser.

Solilóquios Criticas e resenhas sobre teatro e interpretação

2 de outubro de 2012 0:04

Ficção e realidade na comédia do relacionamento

Jornalista

Giovanna Ewbank (dir) e Guilherme Boury (esq) encenaram o espetáculo que lotou o teatro em quatro sessões.

Com início meio meloso, pude assistir no último fim de semana, uma comédia romântica completamente condizente com a realidade de um relacionamento. Um formato misto de narração e interpretação mostraram momentos do dia a dia de casais e me levaram a relembrar meus primeiros anos de namoro. Incrível como os estágios de relacionamento são marcantes e iguais numa dualidade fantástica. Pude ver as mesmas brigas por motivos fúteis que já vivi e analisar o quão iguais podemos ser uns dos outros quando o assunto é relacionamento.

Por outro lado, tenho tempo suficiente ainda para criar uma nova realidade relacional com aquela que é “o grande amor da minha vida”. Giovanna Ewbank e Guilherme Boury encenaram no Teatro Rondon Pacheco um manual prático de relacionamentos. Com uma comédia romântica crescente, que arrancou risos da plateia tímida composta em sua maioria de casais de várias idades e gêneros, misturas de ficção e realidade levavam todos a episódios de suas próprias vidas. Eram visíveis as reações dos casais na plateia em sincronia com o texto narrado no palco. Abraços, sorrisos, e a boa e velha frase: “nossa, você já fez isso, igualzinho”.

Quem nunca viveu um namoro em que os encontros e desencontros foram tantos que o levaram a acreditar que era tudo questão de destino? Pois eu, apesar de um simples plebeu, vivi romance bem parecido, apesar de meio que, sem a ação do destino, mas com muita perspicácia, fui levado a me apaixonar e descobrir quem era o grande amor da vida minha. Parece clichê de filme romântico.

Isso foi o mesmo que achei da peça quando vi o folder e a divulgação e dois atores globais protagonistas. Logo pensei: “- Putz! Isso deve ser muito ruim”. Admito que pensei dominado pelo meu preconceito de que ninguém que tenha começado fazendo a novela juvenil de mil temporadas da emissora do plim plim possa ser detentor de grandes dotes de interpretação. No entanto, Giovana Ewbank demonstrou que além de namorada de famoso e corpo escultural ela é sim uma boa atriz. Só não deve se esquecer de que no teatro expressões pequenas não são captadas pela plateia, preocupe-se em fazer “carão” que a gente possa ver e entender tudo na sua interpretação.

Quanto a Guilherme Boury, este sim me surpreendeu com gosto. Demonstrou um domínio sobre a plateia fazendo, com um simples suspiro em uma ocasião de silêncio no palco, surgirem gargalhadas do público febril que se deleitava se lembrando dos próprios momentos de romance com a pessoa amada.

Em resumo, uma ficção repleta de realidade, verdadeiros relatos da vida a dois e das peripécias do destino amoroso, funcionando como um manual prático do que os apaixonados vivem e o que podem viver ao lado da pessoa amada.

Agradecimentos a Ares Comunicação e a produção do evento.

28 de setembro de 2012 16:55

Comédia ensina a lidar com relacionamentos

Jornalista

“O Grande Amor da Minha Vida” será apresentado neste sábado (29) e domingo (30). Os homens podem ficar com os ânimos bem calmo, pois não se trata da minha namorada, mas sim do manual de relacionamento escrito por Guel Arraes, João Falcão e Karina Falcão e dirigido por Michel Bercovitch. Uma comédia romântica interpretada pelos atores da “PLIM PLIM” Giovanna Ewbank e Guilherme Boury. O espetáculo será apresentado no teatro Rondon Pacheco, com sessões às 18h e 20h.
A dupla já esteve em turnê com a peça e passou por Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Curitiba (PR), Maceió (AL), Brasília (DF), Recife (RN), além de uma temporada no Rio de Janeiro. Segundo a assessoria de imprensa do evento aproximadamente 10 mil pessoas conferiram a atração.
Conta com humor, romantismo, dúvidas e incertezas, a história de amor de Maria Helena (Giovanna Ewbank) e Luis Eduardo (Guilherme Boury) é contado no palco. O casal apresenta um manual bem humorado que mostra os caminhos para encontrar o grande amor e não desperdiçar essa oportunidade, que eles acreditam ser única na vida. Para quem ainda não comprou ingressos ainda há tempo.

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SERVIÇO
29 e 30 de setembro
Local: Teatro Rondon Pacheco
Sessões: 18h e 20h
Valores: R$ 40,00 (inteira) e 20 (meia-entrada)
Ponto de Venda: Carolina Martori – 2° piso/Loja 209/ Uberlândia Shopping
Contatos: Ares Comunicação (34) 3216-7881/(34) 8825-4518/(34) 8855-7881

10 de setembro de 2012 10:26

Tributo ao mestre Rodrigues

Jornalista

Durante bastante tempo fiquei pensando se escreveria sobre Nelson Rodrigues. Apesar de aficionado em suas histórias nunca pude participar ou mesmo realizar montagens de suas peças. Muito já li sobre a vida e obra do autor teatrólogo e devo, sem dúvida, concordar com sua fama de escuso. Para este célebre fidalgo dos palcos, uma reza que já há cem anos nascera:

O vestido de noiva negro de luto envelhece assim como a foto no álbum de família. Tudo porque o mais nobre e odiado dramaturgo da história do teatro nacional dançou a valsa n.º6. Mas mais feliz que pôde, há cem anos chorou pelo sopro de vida que recebeu e ainda cedo se dedicou aos palcos, às cortinas, aos atores e aos jornais órfãos de calamidades, leviandades e tramas psicológicas manipuladoras. Com sua morte, o jornalista obscuro dos palcos levou consigo a magia de escrever tais tramas. Apesar de ter deixado suas obras eternizadas por muitos, não deixou a fórmula que o fez execrado pela sociedade puritana da antiga Rio de Janeiro, que antes de ter 40 graus, era banhada por mulheres de saião, moças recatadas e homens de terno e gravata. Ambiente que, na verdade, escondia em seu submundo damas de companhia e cavalariços de calças arriadas a perpetrar as antessalas dos cortiços escuros e úmidos dessas damas. Nesse lugar bucólico e febril via beleza para os palcos e boas histórias para seus textos. A este poeta soturno um bom gole de whisky e meus respeitos sinceros à sua existência e tradução completa da vida medíocre e dos problemas de um cotidiano negro e familiar. E que os gastroenteorológicos respiratórios e cardíacos que o levaram deixem de existir no mundo terreno. E que sua alma seja sempre velada pelo anjo negro que trará a nós o apocalipse, o fim e o aplauso.