Nas conversas informais, quando o assunto é mau hálito, mau cheiro nas axilas ou o popular chulé, a situação parece ser engraçada. Logo surgem os comentários cheios de comicidade, que provocam zombaria e muitos risos. A situação fica menos cômica quando é preciso conviver com alguém que tenha um dos três sintomas, todos desagradáveis, e não tem graça nenhuma para as pessoas portadoras de halitose, bromidrose axilar e bromidrose plantar — que são os nomes científicos dos referidos odores.
Estas pessoas geralmente passam por situações constrangedoras e podem enfrentar problemas nas relações pessoais, sociais e de trabalho. Elas não podem esconder tais sintomas e, muitas vezes, são vistas como desleixadas com o próprio corpo, o que nem sempre procede, já que tanto o mau hálito quanto o chulé e os adores das axilas têm causas diversas e nem todas são ligadas à higiene.
Numa seleção para emprego, por exemplo, o candidato pode ser eliminado sob alegação de não apresentar as características necessárias para a vaga. Segundo a psicóloga Vivian Rodrigues, que trabalha em uma agência de recursos humanos, isto não é raro acontecer. Dentre as três, a situação mais comum é de pessoa com mau cheiro nas axilas, principalmente homens. Neste caso, o candidato só é encaminhado se for para preencher uma vaga em linhas de produção. Ao contrário, ele volta para casa sem saber o real motivo que o deixou sem emprego. Na avaliação da psicóloga, é difícil falar com os candidatos sobre fatores desta natureza.
Problemas à parte, a melhor notícia é que qualquer um dos problemas tem solução. Desde que o portador procure ajuda profissional ou pelo menos se informe sobre o sintoma, que, independentemente de qual dos três seja, não é doença (veja quadros complementares).
De acordo com dados da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisa dos Odores da Boca, cerca de 50 milhões de pessoas no Brasil sofrem de halitose. Segundo a cirurgiã dentista Jacqueline Chaves Duarte Palhares - que trabalha em uma clínica especializada no tratamento do sintoma -, o maior equívoco por parte dos pacientes é achar que o problema é originado no estômago, o que só ocorre em cerca de 10% dos casos.
Ela explicou que há três tipos de pacientes: os que têm halitose e não sabem; os que sabem e os que apenas acham que têm o problema. No primeiro caso, geralmente as outras pessoas se afastam do portador sem que este saiba o porquê. No segundo, os próprios portadores do mau hálito se isolam para tentar fugir de situações constrangedoras. Assim como as demais, as pessoas que, por alguma razão, acreditam ter halitose também precisam ser orientadas por um profissional da área de saúde bucal.
Pés e axilas
Não é agradável para ninguém ter que ficar com os braços sempre abaixados ou não poder tirar os calçados por causa de mau cheiro. Mas estas situações também são reversíveis com a ajuda da dermatologia e de cuidados específicos. Segundo o dermatologista José Joaquim Rodrigues, os pacientes que procuram o consultório têm uma característica em comum: a preocupação. Para cada caso, há tratamentos que podem resolver ou pelo menos amenizar o problema.
Alguns médicos indicam, por exemplo, cirurgia para a retirada de glândulas das axilas que produzem suor e, conseqüentemente, o odor desagradável. A técnica não é defendida por José Rodrigues. Ele alega que a sudorese faz parte do equilíbrio homeostático (de líquidos) do organismo.
ABPO dá notícia a portador do mau hálito
Como dizer a um parente ou amigo que ele tem mau hálito? O sintoma, que pode se transformar em uma barreira para as relações sociais, esconde outro problema: a dificuldade de abordar a pessoa que tem halitose e informá-la sobre a situação. Isto no caso de quem não sabe, o que não é raro.
Para facilitar esta abordagem, sem causar constrangimento ao "portador da notícia", a Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas dos Odores da Boca (ABPO) criou um serviço especializado em informar qualquer pessoa que tenha halitose sobre sua condição.
Por meio do "Click mau hálito - ajude a acabar com este mal", disponibilizado no site da ABPO, é possível informar o endereço eletrônico ou residencial para que a pessoa receba a informação. A associação garante sigilo do nome de quem passou os dados. Junto com a notícia, a ABPO envia informações sobre como o paciente deve proceder para se livrar do problema. O site da associação é www.abpo.com.br.
A balconista Regina de Fátima Guerra aprovou a iniciativa da ABPO. Ela conta que um colega de trabalho tem o problema, mas ninguém tem coragem de alertá-lo. "Longe dele a gente até comenta, mas para ele ninguém quer falar", disse ela. O comportamento reflete o receio de constranger a pessoa ou provocar uma reação negativa.
Halitose (mau hálito)
O que é - sintoma que revela desequilíbrio no organismo. Não é uma doença.
Causas - diversas, sendo que cerca de 90% dos casos têm origem bucal. As mais freqüentes são:
? Redução da quantidade de saliva — causada, por exemplo, pelo estresse e uso de medicamentos, entre outros motivos -, que favorece a formação de uma placa bacteriana sobre a língua, a saburra lingual
? Higiene bucal precária ou ausente; cáries
? Doença periondontal que afeta dentes e gengivas
? Estomatite; prisão de ventre
? Amigdalite, sinusite, adenóide, rinite, entre outros
Prevenção
? Fazer a higiene bucal adequadamente, com o uso correto de fio ou fita dental e escova. Limpar, inclusive, a língua com limpador ou escova dental
? Quem usa aparelho ortodôntico, tem gengivite ou doença periodontal deve utilizar escolas especiais e técnica de escovação especializada
? Portadores de prótese removível ou fixa devem limpá-las após cada refeição
? Beber de dois a três litros de água por dia
? Evitar o consumo excessivo dos alimentos apontados nas causas do mau hálito
? Controle o estresse, que também contribui para o mau hálito
Diagnóstico
? deve ser feito por profissional especializado da área de saúde bucal, que indica o tipo de tratamento para o caso.
FONTE: Clínica Hálito Puro
Bromidrose axilar (mau cheiro nas axilas)
Causas
? Idade — o problema só aparece depois da puberdade, devido às alterações hormonais
? Fatores raciais — orientais são menos propensos a ter bromidrose, ao contrário dos negros, que produzem mais suor — em relação aos brancos — podem apresentar odor com cheiro característico
? Fator emocional - ansiedade e nervosismo pode aumentar a sudorese e, conseqüentemente, o odor
? Falta de higiene
Prevenção
? Fazer a higiene adequada do corpo
? Usar roupas limpas, sem resíduo de sabão, e bem secas
? Evitar o uso de tecidos sintéticos, que, além de reter calor no corpo e favorecer o suor, produzem mau cheiro
? Usar sabonetes antissépticos
? Usar desodorante ou antitranspirante — o primeiro disfarça os odores sem eliminar a transpiração, que é reduzida pelo segundo produto
Bromidrose plantar (mau cheiro nos pés)
O que é
? Mau cheiro causado pela ação de bactérias e pela descamação dos pés. É mais aos homens, que transpiram mais esta parte do corpo. Piora com o uso de calçados fechados, principalmente sem meias.
Prevenção
? Colocar os calçados freqüentemente sob o sol e lavá-los de vez em quando, se o material permitir
? Evitar o uso de calçados fabricados com material sintético
? Usar meias, de preferência de algodão
? Lavar bem os pés com sabonete antisséptico
? Usar pó secante nos pés, após o banho, e dentro dos calçados
FONTE: José Joaquim Rodrigues — dermatologista