Os negócios da Associação dos Criadores de Avestruz do Triângulo Mineiro (Acatrim) estão em franca expansão. Há quase 30 dias, os investidores conseguiram exportar o primeiro lote de peles para a África do Sul, com 300 unidades. A transação foi feita em nível nacional e envolveu os estados da Bahia, São Paulo, Paraná e Goiás e o Distrito Federal. Ao todo, foram dois contêineres com quase 7 mil peles. Cada peça foi negociada por US$ 65, o que corresponde a R$ 131,82. Dentro de 20 dias, um novo lote de peles será vendido para o mercado externo. Dessa vez serão 1.080 peças, com cotação média de US$ 75.
O presidente da Acatrim, Guilherme de Souza, diz que a intenção é fazer com que o produto seja cada vez mais valorizado e chegue a custar entre US$ 100 e US$ 115 a peça do couro curtido. Segundo ele, a melhor proposta recebida para esse novo lote é da África do Sul. Com essa comercialização, devem entrar no caixa da Associação mais de R$ 164 mil. As 1.080 aves foram abatidas em um frigorífico de Bela Vista, Goiás, que é o segundo maior do País e o único específico para este tipo de ave. Agora, o plantel para abate restante nas duas fazendas é de 1,1 mil aves. Da avestruz é possível aproveitar tudo, desde do couro, plumas e carne, até ovos, unhas, bicos, ossos e cílios, que são considerados subprodutos. Por enquanto, a Acatrim está investindo na comercialização da pele, plumas e carne. "Acredito que os subprodutos devem agregar valor com o tempo. Hoje, não temos condições de explorar tudo por falta de mercado", disse Guilherme de Souza.
As plumas das aves do primeiro lote foram vendidas para a indústria carnavalesca ao preço de R$ 40 o quilo. Para o próximo abate existe uma proposta de exportar o produto no valor de US$ 40 o quilo.
Carne
O vice-presidente da Acatrim, Marcelo Vila Francisco, diz que a diretoria trabalha para abrir mercado para a estrutiocultura nacional, tanto internamente como no exterior. Uma das ações é a venda da carne de avestruz para restaurantes e grandes redes de supermercados. Antes, a carne que era vista como exótica e cara, já pode ser encontrada com mais facilidade a um custo acessível. Em Uberlândia, dois restaurantes oferecem pratos elaborados com a carne de avestruz a R$ 22.
O preço ideal para o quilo da carne, que é considerada especial pelas propriedades nutritivas que possui, como ômega 3, é de R$ 30. Mas, para conquistar o mercado, o quilo está sendo vendido para o atacado entre R$ 15 e R$ 20. Outra medida que deve incrementar a oferta do produto é a parceria que pode ser feita com uma grande empresa de hambúrguer e industrializados de Minas Gerais. "Este é um outro canal para a saída da carne", disse Marcelo Vila.
A produção de carne em Uberlândia é de aproximadamente 30 toneladas/ano. A Acatrim já conseguiu comercializar 10 toneladas. Daqui a três meses, 570 aves estarão prontas para o abate. Essa é a primeira produção sob a direção da associação, que conta com 950 associados. No Brasil, em 2006, foram abatidas 14.306 avestruzes, gerando algo em torno de 430 toneladas de carne.
Associação trabalha para recuperar prejuízos
Apesar dos bons ventos que sopram a favor dos investidores de avestruz, o prejuízo com a falência da Avestruz Master, há quase 18 meses, ainda não foi recuperado. O vice-presidente da Acatrim, Marcelo Vila, diz que as previsões iniciais eram começar a ressarcir os investidores em quatro anos. Agora, ele está mais otimista e acredita que isso pode vir a acontecer dentro de um ano a um ano e meio. "A única saída para recuperar os investimentos é manter a estrutiocultura", ressaltou.
O administrador judicial da Associação, Claudionor Cruz, enfatiza que a intenção da diretoria não é apenas salvar os investimentos, mas desenvolver o negócio na região e até no Brasil. Segundo ele, dos 53 mil investidores da Avestruz Master no mundo, só 2,7 mil tem a chance de recuperar o dinheiro investido, ou seja, os que fizeram investimentos na unidade da Avestruz Master em Uberlândia. Os associados da Acatrim pagam uma mensalidade entre R$ 20 e R$ 30 e contam com assistência jurídica e uma representatividade forte. Todos os passos da Associação podem ser acompanhados pelo site www.acatrim.com.br.
Consumo de carnes no Brasil em 2006
Bovino — 38,7 kg/hab/ano
Suíno — 12,2 kg/hab/ano
Frango — 36,1 kg/hab/ano
Peru — 1,1 kg/hab/ano
Pato — 0,02 kg/hab/ano
Avestruz — 0,002 kg/hab/ano
Fonte: Associação dos Criadores de Avestruzes do Brasil (Acab)