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Balé de Rua volta ao Velho Mundo
Uberlandenses voam hoje para a Europa, para 40 espetáculos na França e Suíça
Repórter
Atualizada: 26/09/2009 - 11h51min

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Por meio de saltos e passos, acompanhados de música tipicamente brasileira os franceses e suíços vão conhecer a história do grupo de jovens negros, pobres, praticantes de dança de rua, que saíram da periferia para ganhar os palcos do mundo inteiro.O som oco dos instrumentos de sopro, misturados com ritmos afro-americanos, como o hip hop e o funk, desta vez foram incorporados ao samba, ao chorinho, ao maracatu, ao congado e danças indígenas, para serem apresentados na Europa no novo espetáculo “Dança e Percussão do Brasil”, da Companhia de Dança Balé de Rua.

“O que pretendemos é mostrar um pouco do Brasil. O país que amamos, cheio de diversidades culturais, de um povo alegre que está sempre de braços abertos. O Brasil de um povo sofredor mas batalhador e cheio de esperanças. Além é claro da contribuição do negro para a formação da cultura brasileira”, disse o diretor e preparador técnico da companhia, Fernando Narduchi.

O grupo, que inclui quinze bailarinos, o diretor, o coreógrafo e o técnico, volta viaja hoje para uma turnê de sessenta dias, onde serão feitas cerca de 40 apresentações, mais de 30 só em Paris. Entre os dias 22 de janeiro e 17 de fevereiro, os bailarinos se apresentam no teatro Trianon, em Paris. No dia 19, eles estarão na cidade de St. Germain en Leye, no teatro Alexandre Dumas. Nos dias 23 e 24 eles viajam para Genebra, na Suíça, aonde vão se apresentar no casa Du Leman. Para fazer o último espetáculo o grupo retorna a cidade de Montauban, na França, no teatro Eurythmie.

“Esse é um espetáculo que nós criamos a principio para contar a própria história do grupo que sai da periferia até conquistar os palcos internacionais. Esse espetáculo tem muitas cenas novas mas inclui os momentos mais interessantes de diversos espetáculos”, explicou Fernando Narduchi.

Há um ano Fernando Narduchi, diretor e preparador técnico da companhia, e Marco Antônio Garcia, coreógrafo, começaram a pensar sobre a concepção do espetáculo que foi encomendado pela empresa de espetáculos francesa TS & Companhia (uma das maiores produtoras de espetáculo da França). Em poucos meses nasceu uma coreografia que resgata a cultura popular, a religião, a raça negra e sua realidade, em movimentos e gestos surpreendentes, incluindo os melhores passos das peças já montadas nos quinze anos de carreira do grupo.

Toda encenação será apresentada em uma hora e vinte minutos de espetáculo. “Vamos mostrar a contribuição do negro para a formação da cultura brasileira. Abordando aspectos da religião, os ritmos afro-brasileiros. A história dos negros que vieram da África em porões dos navios e apesar de todo o sofrimento que passaram eles não sucumbiram, eles resistiram e mantiveram vivas suas tradições”, garantiu.

Entre as canções brasileiras que fazem parte da trilha sonora do espetáculo está “Ave Maria”, interpretada por Jorge Aragão, “Aquarela” na voz do cantor uberlandense Reginaldo Rabelo, um rap do grupo “Negros de Estilo”, também de Uberlândia, além de algumas composições feitas pelo percursionista Naná Vasconcelos, especialmente para esta peça.

Também foram convidados vários músicos da cidade como Fabrício Pena que toca na banda Mahamudra.“A maioria das músicas foram compostas para este espetáculo, incluindo as do Naná Vasconcelos. Grande parte da trilha é executada ao vivo pelos próprios bailarinos, que utilizam instrumentos de percussão. E aonde exploramos os diversos ritmos da cultura brasileira”, garantiu Narduchi.

No início eram sonhos e o chão de cimento

No início dos anos 90, mas exatamente em 1992, com suas origens no funk, break e hip-hop, surgia nas ruas da periferia de Uberlândia a Companhia de Dança Balé de Rua. No início era apenas um grupo de competição, que com muito trabalho, dedicação, determinação e sucesso, hoje está nos principais palcos do mundo.

Em 2002, a os bailarinos amadureceram e os diretores aprofundaram a pesquisa artística e com uma abordagem ousada dos temas escolhidos a Companhia começou uma promissora carreira internacional se apresentando na 10ª Bienal de Lyon na França e no 22º Festival Oriente Ocidente na Itália. Nos anos posteriores, retornaram à Europa para mais apresentações, incluindo as comemorações do Ano do Brasil nas terras francesas.

“O estilo do Balé de Rua é a própria cultura popular brasileira, mas logo procuramos buscar inspiração na nossa própria cultura. Este é um dos diferenciais do grupo. Acho que o mais importante nesses quinze anos é que conseguimos desenvolver essa linguagem própria”, lembrou o diretor-geral da companhia.

No ano passado, os bailarinos que já dançaram no cimento duro da praça Nossa Senhora Aparecida e no galpão alugado onde funcionava a sede, realizaram um sonho que parecia impossível. O grupo conquistou uma nova casa, que foi nomeado de Centro Cultural Balé de Rua. No local a companhia planeja realizar além das mostras de dança, vídeo, palestras, debates, discussões e até mesmo concertos de música erudita, uma biblioteca e lan house grátis para a comunidade.

“Manter uma equipe durante todo este tempo não é fácil, pois não somos uma academia que tem alunos que pagam mensalidades, nós sobrevivemos com recursos das leis de incentivo municipais, estaduais e federais”, disse Fernando Narduchi.

Foto: Manoel Serafim

Fernando Narduchi fala que o espetáculo trata da força do povo brasileiro

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Somente para dar o parabéns...Iremos prestigiar o espetáculo. Márcia Santos Monteiro Saraiva







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