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Moradores separam lixo doméstico
Recolhimento é feito por catadores pois não há um serviço de coleta seletiva
Repórter
Atualizada: 05/08/2008 - 17h34min

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Se por um lado, o fato de um produto ser reciclável ou reciclado não fazer diferença na hora de compra, a maioria dos moradores de Uberlândia sabe o que é reciclagem de lixo e separa os materiais utilizados em casa. Como a cidade não adotou um programa municipal de coleta seletiva, se não fosse o trabalho dos catadores que se antecipam ao caminhão de lixo da Prefeitura, o processo terminaria na hora de despachar os objetos, pois a única opção dos moradores é deixar o lixo na porta da residência.

A constatação foi feita em uma pesquisa encomendada pelo CORREIO de Uberlândia ao instituto Nexus, de Belo Horizonte, em que a maioria dos entrevistados (82,2%) afirma saber o que é reciclagem de lixo. Destes, 60% souberam responder o que significa a reutilização do lixo e 24,4% entendem que reciclagem é o ato de separar o lixo orgânico dos demais materiais e estes por categorias — papel, vidro, alumínio e outras. Talvez por ter essa concepção, mais da metade afirmou que separa o lixo que produz em suas casas (58,8%).

A empresária Laura Cristina Sousa Galvão é uma dessas pessoas. Aliás, o edifício onde ela mora, localizado no bairro Saraiva, é um exemplo para muitos. Há três anos ela e seus vizinhos utilizam os cinco latões de coleta seletiva de lixo — papel, metal, plástico, vidro e orgânico —, a fim de preservar o meio ambiente. Depois de separado, os recicláveis são entregues aos catadores. “Todos praticam. Quando acontece de algum lixo descer com materiais misturados, os próprios porteiros arrumam”, contou Laura Cristina.

Entretanto, é na hora da dar o destino correto para o lixo que os uberlandenses se vêem com poucas opções. A maior parte (75%) dos que responderam ao questionário, apesar de separar os materiais, deixam o lixo para que os lixeiros carreguem. Os moradores edifício de Laura Cristina fazem parte da minoria (22,7%) que entrega o lixo aos catadores, que hoje são os responsáveis pelo aproveitamento dos materiais recicláveis. “Sei que são vários os catadores que passam pela minha rua. Eles possuem, inclusive, um depósito no bairro”, destacou.

Mais do que separar, a empresária lava os vasilhames antes de colocá-los no lixo. “Faço isso para não correr o risco de o objeto não poder ser aproveitado por ter sido contaminado. Além disso, esse ato simples facilita a vida dos catadores”, avaliou Laura, que ainda dá uma dica: “Acho que as pessoas deveriam se conscientizar e pelo menos separar o lixo seco do molhado”.

O presidente da Associação de Recicladores e Catadores de Uberlândia (Arcu), Raul Perez, esclarece que a reciclagem significa reutilização do lixo, mas que a definição engloba também a preservação do meio ambiente. Ele afirmou também que mais importante do que comprar produtos reciclados ou recicláveis é prestar atenção no excesso de embalagem. “Alguns alimentos, como furtas e verduras, por exemplo, não precisam ser embalados”, citou.

Laura Cristina afirmou que não compra produtos fabricados com materiais reciclados porque o mercado ainda não oferece o bastante. Em contrapartida, ela critica o uso de sacolas de plástico em excesso. “No supermercado, muitos utilizam uma sacola para cada produto. Isso é desperdício muito grande. É um lixo a mais que vai para o lixo”, avaliou.

Maioria dos uberlandenses defende a coleta seletiva

A pesquisa do CORREIO de Uberlândia realizada em 16 de dezembro de 2007 em 11 pontos diferentes da cidade, comprovou que, ao contrário do que muitos imaginam, a coleta seletiva de lixo não é um assunto ignorado pela população. Do universo pesquisado, 69,1% sabem do que se trata. Destes, 76,7% a definem como separar o lixo ou fazer coleta separada e 17,1% deliberam que é recolher o lixo ou usar o caminhão coletor. Quando questionados se são a favor de que a Prefeitura de Uberlândia adote a coleta seletiva de lixo, a maioria esmagadora (95,4%) respondeu que é a favor da adoção.
De acordo com o presidente da Associação de Recicladores e Catadores de Uberlândia (Arcu), Raul Perez, fazer a distinção dos materiais em casa é o início do processo.

Ele explica, entretanto, que o programa ideal de coleta seletiva seria separar vidro, plástico, papel, alumínio e orgânicos. Como na cidade ainda não existem mecanismos para recolher esses materiais de forma separada, os catadores fazem a coleta de materiais recicláveis. “A luta é para que, no futuro, a coleta seja total”, destacou.

Enquanto isso não acontece, a intenção do presidente da Arcu é organizar esse pessoal. “Um bairro não comporta mais que três catadores, mas em alguns passam mais do que isso. Depois de disponibilizados pela Prefeitura 20 novos carrinhos e uniformes, vamos fazer uma redistribuição dos catadores e priorizar aqueles que dependem disso para sua sobrevivência”, explicou.

Segundo estimativas da Arcu, são cerca de 3,8 mil catadores espalhados pela cidade, sendo que a maioria anda de bairro em bairro recolhendo produtos recicláveis e faz dessa atividade seu ganha-pão. A associação dá amparo a essas pessoas e a Prefeitura viabiliza maquinário e galpão para que a coleta seja realizada.

Após passar de casa em casa recolhendo os materiais, os catadores têm a liberdade de levá-los a qualquer ponto-de-venda, sem nenhum tipo de mediação da Arcu. Para Raul Perez, o mais importante agora é fazer com que os moradores saibam quem é catador de lixo da sua rua e que está garantido que o material será bem encaminhado. “Queremos acabar com a imagem de que o catador é andarilho e criar um vínculo entre ele e o restante da população”, concluiu.

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Todos os moradores do edifício da empresária Laura Cristina ...









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