A busca incessante por um corpo perfeito pode causar seqüelas irreversíveis se o tratamento não for feito por profissionais habilitados. Ao buscar uma aplicação de enzimas para queimar gordura, uma universitária que prefere não ser identificada acabou com feridas e marcas irremediáveis nas nádegas e nas coxas.
A universitária recebeu indicação para procurar Juciléia Guimarães, que atende em casa, no bairro Roosevelt, e depois das aplicações ganhou manchas e nódulos que a impedem de usar biquíni e que, segundo o médico Alexandro Ferraz Rocha, jamais desaparecerão.
Embora se apresente como enfermeira, Juciléia não conseguiu provar sua graduação à equipe do CORREIO Online. Ela diz que se formou pela Universidade Federal de Uberlândia há cinco anos, mas o CORREIO pesquisou no Coren e na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e não foi encontrado nenhum registro de sua graduação em curso superior de Enfermagem.
Juciléia Guimarães também não tem o registro no Coren (Conselho Regional de Enfermagem). Ela afirma fazer apenas o tratamento estético de aplicação de enzimas para queima de gordura localizada, o que, segundo ela, “é feito por enfermeira”.
“Eu fiz um curso técnico de enfermagem há cinco anos. Não tenho registro no Coren nem abri firma, pois precisaria de um médico responsável para assinar e isso fica caro. A enfermeira responsável pela fiscalização do Coren esteve aqui várias vezes e constatou que não há irregularidade”, justificou Juciléia.
A responsável pela fiscalização do Coren, Madalena Gonçalves de Andrade Vieira, informou que o órgão só fiscaliza o exercício do profissional de enfermagem. “Estive na casa da Juciléia uma vez, porém, ela não é registrada e nem sei se tem algum tipo de curso de enfermagem e não compete a mim fiscalizá-la, mas sim ao Ministério Público e à Vigilância Sanitária”, explicou. Ela completa que, mesmo se Juciléia tivesse a graduação de enfermagem, sem o registro no Coren, ela não poderia exercer a profissão.
A denúncia contra Juciléia Guimarães está no Ministério Público, no Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e no Conselho Regional de Medicina (CRM).
Repórter do CORREIO Online se passou por cliente
Sem se identificar, uma repórter do CORREIO esteve na casa onde Juciléia realiza os tratamentos estéticos como paciente para investigar a denúncia. Ao ser atendida, recebeu uma cópia da bula do medicamento que seria usado no tratamento. Enquanto Juciléia fazia a avaliação, a repórter questionou quanto aos métodos, medicamentos e contra-indicações do tratamento. Ela explicou que o procedimento era simples e não necessitava de acompanhamento médico.
| Foto: Divulgação |
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Juciléia Guimarães está sendo investigada pelo Ministério Público Civil |
Venda de enzima é proibida
De acordo com o delegado do CRM, Alexandre Menezes, o uso do Hyalozima — enzima extraída dos testículos bovinos usada como condutora eficaz para a absorção de medicamentos pelo organismo — está proibido pela Vigilância Sanitária. “Estamos atentos a essa questão e as pessoas que forem descobertas utilizando essas enzimas serão denunciadas ao Ministério Público e Polícia Civil”, afirmou.
Segundo o farmacêutico responsável pelo Hyalozima — que também tem como característica a queima de gordura —, Eduardo Sérgio Medeiros Magliano, o medicamento só pode ser usado por médicos e vendido nas farmácias com a prescrição médica. A droga não deveria ser usada em tratamento estético, porque pode provocar alergia em 5% ou 6% das pessoas.