A busca por estabilidade e por um bom salário financeiro ainda motiva vários brasileiros a prestar concurso público. Em todo o País, de acordo com o site PCI concursos, há 62,5 mil vagas abertas. A preparação é árdua e, na maioria das vezes, exige investimento. O concurseiro que consegue se aprovar e classificar nas provas se considera vangloriado, mas, algumas vezes, o retorno não chega imediatamente.
O dentista recém-formado Thiago Marques prestou, no fim do ano passado, um concurso para técnico fazendário da Secretaria de Estado da Fazenda. Aprovado em 29º lugar de 36 vagas para a região sete, o dentista se sentiu seguro profissionalmente. No entanto, até hoje, seis meses após a homologação do concurso, ele ainda aguarda ansiosamente a nomeação. “Presto concurso desde 2006. Quando passei no ano passado, criei bastante expectativa, mas, agora, não tenho nem previsão de quando serei chamado”, lamentou.
O coordenador-diretor de um cursinho preparatório para concursos em Uberlândia, André Reis, explica que essa demora é normal, mas que, na maioria das vezes, o concursado é chamado. “Quase todos os concursos têm um prazo de validade. A nomeação pode ocorrer de imediato ou de um a quatro anos. Em média, a efetivação ocorre no período de dois a quatro anos”, explicou. O coordenador citou como exemplo um concurso da Polícia Rodoviária Federal que ocorreu em 2003. Segundo ele, a princípio, foram nomeados 2,2 mil candidatos e, quando faltavam seis meses para o vencimento do mesmo, 800 pessoas que estavam na fila de espera também foram nomeadas.
Angústia
A espera angustia os concurseiros, que têm ansiedade por estabilizar a vida. “Não temos nenhuma informação oficial sobre quando seremos chamados, não há um cronograma. Aí não sabemos se podemos arrumar um emprego, ficamos sem saber o que fazer”, afirmou o contador Lucas Daniel Bernardes, que presta concurso há três anos e, no ano passado, foi aprovado e classificado para o cargo de gestor fazendário da Secretaria de Estado da Fazenda, também no concurso para a Secretaria de Estado da Fazenda, homologado em outubro do ano passado.
A espera do contador e do dentista pode se prorrogar por mais um ano e meio, já que consta no edital Seplag/SEF nº 01/2007, cláusula 14.6, que “a aprovação e classificação final no Concurso Público não asseguram ao candidato o direito de ingresso automático no cargo, mas apenas a expectativa de ser nele nomeado segundo a ordem classificatória, ficando a concretização deste ato condicionada à oportunidade e conveniência da Administração Pública, a qual se reserva o direito de proceder às nomeações, em número que atenda ao seu interesse e às suas necessidades”. Os classificados serão chamados no período de um ano, prazo que vence em outubro desse ano ou até outubro do ano que vem, já que, de acordo com o edital, o prazo poderá ser prorrogado.
Polêmicas resultam da leitura falha do edital
Devido à falta de informações oficiais, os concurseiros se reuniram para discutir possibilidades de obter informações. “Nós montamos um fórum no site PCI concursos. Há pessoas de todo o Estado querendo saber quando serão chamadas. Criamos até um grupo de discussão no endereço do e-mail”, explicou o contador Lucas Daniel Bernardes.
Reuniões com políticos, cartas, e-mails e ligações. Todas essas providências foram tomadas pelos concursados. “Entramos em contato com eles, mas a única coisa que dizem é que o concurso tem validade de um ano. Mandamos uma carta, mas não tivemos nenhuma informação oficial”, disse o dentista Thiago Marques.
Além da espera, os profissionais reclamam, também, do investimento que fizeram e ainda não tiveram retorno. O dentista Thiago Marques, por exemplo, investiu R$ 2,9 mil em cursinhos preparatórios, além dos R$ 300 para fazer as provas.
Edital
O coordenador-diretor de um cursinho preparatório para concursos em Uberlândia, André Reis, explica que muitas pessoas não se atêm às normas previstas pelo edital. “Cria-se uma polêmica em torno da ‘indústria dos concursos’. As pessoas não sabem interpretar o edital e dizem que os concursos são furados. Todos têm que ler o edital, pois todas as regras são previstas por ele. Infelizmente, 90% de quem presta concursos não o lê”, afirmou.
Por falta de leitura, é comum que muitos concurseiros que não têm perfil para o concurso façam as provas. “É o que chamamos dos concurseiros pára-quedistas”, explicou. Em virtude disso, é normal, também, que muitas pessoas não tenham o perfil do cargo a ser assumido.
O coordenador-diretor explicou que cada concurso tem sua peculiaridade, prevista no edital. “Há, por exemplo, o concurso de cadastro. Nesse caso não existem vagas específicas, ou seja, mesmo que você seja classificado e aprovado em 1º lugar, não há obrigatoriedade em te nomear, ele serve apenas para montar um banco de dados e chama de acordo com a necessidade”, explicou. Muitas pessoas não se atentam, ainda, se foram classificadas para o concurso. “Às vezes, a pessoa foi aprovada, mas não foi classificada, o que gera muita confusão. Daí, o indivíduo diz que passou no concurso e não foi chamado, mas isso ocorreu porque ele foi aprovado, mas não ficou entre o número de vagas devidas”, disse.