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Passar em concurso não garante emprego
Mesmo aprovados, vários candidatos não são chamados para assumir cargo
Lorena Matuziro - Programa de Aprimoramento Profissional
Atualizada: 05/10/2008 - 09h29min

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A busca por estabilidade e por um bom salário financeiro ainda motiva vários brasileiros a prestar concurso público. Em todo o País, de acordo com o site PCI concursos, há 62,5 mil vagas abertas. A preparação é árdua e, na maioria das vezes, exige investimento. O concurseiro que consegue se aprovar e classificar nas provas se considera vangloriado, mas, algumas vezes, o retorno não chega imediatamente.

O dentista recém-formado Thiago Marques prestou, no fim do ano passado, um concurso para técnico fazendário da Secretaria de Estado da Fazenda. Aprovado em 29º lugar de 36 vagas para a região sete, o dentista se sentiu seguro profissionalmente. No entanto, até hoje, seis meses após a homologação do concurso, ele ainda aguarda ansiosamente a nomeação. “Presto concurso desde 2006. Quando passei no ano passado, criei bastante expectativa, mas, agora, não tenho nem previsão de quando serei chamado”, lamentou.

O coordenador-diretor de um cursinho preparatório para concursos em Uberlândia, André Reis, explica que essa demora é normal, mas que, na maioria das vezes, o concursado é chamado. “Quase todos os concursos têm um prazo de validade. A nomeação pode ocorrer de imediato ou de um a quatro anos. Em média, a efetivação ocorre no período de dois a quatro anos”, explicou. O coordenador citou como exemplo um concurso da Polícia Rodoviária Federal que ocorreu em 2003. Segundo ele, a princípio, foram nomeados 2,2 mil candidatos e, quando faltavam seis meses para o vencimento do mesmo, 800 pessoas que estavam na fila de espera também foram nomeadas.

Angústia

A espera angustia os concurseiros, que têm ansiedade por estabilizar a vida. “Não temos nenhuma informação oficial sobre quando seremos chamados, não há um cronograma. Aí não sabemos se podemos arrumar um emprego, ficamos sem saber o que fazer”, afirmou o contador Lucas Daniel Bernardes, que presta concurso há três anos e, no ano passado, foi aprovado e classificado para o cargo de gestor fazendário da Secretaria de Estado da Fazenda, também no concurso para a Secretaria de Estado da Fazenda, homologado em outubro do ano passado.

A espera do contador e do dentista pode se prorrogar por mais um ano e meio, já que consta no edital Seplag/SEF nº 01/2007, cláusula 14.6, que “a aprovação e classificação final no Concurso Público não asseguram ao candidato o direito de ingresso automático no cargo, mas apenas a expectativa de ser nele nomeado segundo a ordem classificatória, ficando a concretização deste ato condicionada à oportunidade e conveniência da Administração Pública, a qual se reserva o direito de proceder às nomeações, em número que atenda ao seu interesse e às suas necessidades”. Os classificados serão chamados no período de um ano, prazo que vence em outubro desse ano ou até outubro do ano que vem, já que, de acordo com o edital, o prazo poderá ser prorrogado.

Polêmicas resultam da leitura falha do edital

Devido à falta de informações oficiais, os concurseiros se reuniram para discutir possibilidades de obter informações. “Nós montamos um fórum no site PCI concursos. Há pessoas de todo o Estado querendo saber quando serão chamadas. Criamos até um grupo de discussão no endereço do e-mail”, explicou o contador Lucas Daniel Bernardes.

Reuniões com políticos, cartas, e-mails e ligações. Todas essas providências foram tomadas pelos concursados. “Entramos em contato com eles, mas a única coisa que dizem é que o concurso tem validade de um ano. Mandamos uma carta, mas não tivemos nenhuma informação oficial”, disse o dentista Thiago Marques.

Além da espera, os profissionais reclamam, também, do investimento que fizeram e ainda não tiveram retorno. O dentista Thiago Marques, por exemplo, investiu R$ 2,9 mil em cursinhos preparatórios, além dos R$ 300 para fazer as provas.   

Edital

O coordenador-diretor de um cursinho preparatório para concursos em Uberlândia, André Reis, explica que muitas pessoas não se atêm às normas previstas pelo edital. “Cria-se uma polêmica em torno da ‘indústria dos concursos’. As pessoas não sabem interpretar o edital e dizem que os concursos são furados. Todos têm que ler o edital, pois todas as regras são previstas por ele. Infelizmente, 90% de quem presta concursos não o lê”, afirmou.

Por falta de leitura, é comum que muitos concurseiros que não têm perfil para o concurso façam as provas. “É o que chamamos dos concurseiros pára-quedistas”, explicou. Em virtude disso, é normal, também, que muitas pessoas não tenham o perfil do cargo a ser assumido. 

O coordenador-diretor explicou que cada concurso tem sua peculiaridade, prevista no edital. “Há, por exemplo, o concurso de cadastro. Nesse caso não existem vagas específicas, ou seja, mesmo que você seja classificado e aprovado em 1º lugar, não há obrigatoriedade em te nomear, ele serve apenas para montar um banco de dados e chama de acordo com a necessidade”, explicou. Muitas pessoas não se atentam, ainda, se foram classificadas para o concurso. “Às vezes, a pessoa foi aprovada, mas não foi classificada, o que gera muita confusão. Daí, o indivíduo diz que passou no concurso e não foi chamado, mas isso ocorreu porque ele foi aprovado, mas não ficou entre o número de vagas devidas”, disse.

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Comentários



aide
05/10/2008 - 06h11min
tambem passei em dois concursos, um da mgs e outro da caseng. Da mgs fiquei do 15 lugar com 34 vagas, e depois disso a mgs fez mais dois concursos, sem chamar ninguem deste que eu fiz 001/2006 isto é brincar com o povo.

FANIO
25/07/2008 - 08h32min
JA PASSEI EM DOIS CONCURSOS, TANTO NO DMAE, QUANTO NOS CORREIOS, E ATE HOJE NAO FUI CHAMADO, E NEM PREVISAO....

samara crhistina
04/06/2008 - 14h15min
não foi falado de nenhum concurso que vai acontecer . favor expecificar mais essas informações

Marcos
16/04/2008 - 21h05min
Neste concurso da SEF-MG o órgão precisa de muitos funcionários,e os aprovados e classificados dentro das vagas como os 2 rapazes da reportagem ficam na espera sendo que exsitem vários desvios de funções nós órgãos públicos.Devem mesmo correr atrás de seus direitos,principalmente nestes concursos que demandam um esforço intelectual e financeiro elevado.

José Tavares Júnior
15/04/2008 - 13h04min
Realmente, tenho um familiar que foi aprovado em primeiro lugar para a Prefeitura de uma das maiores cidades de Minas, O Edital não mencionou que o certame destinava-se a cadastro de reservas, o prazo do concurso expirou, e toma-lhe EXPECTATIVA DE DIREITO, CONVENIÊNCIA, OPORTUNIDADE, ETC.. e ficou somente o tempo dedicado aos estudos, os dispêndios com curso de preparação, taxa de matrícula, etc... Esta situação precisa mudar, como de fato já esta mudando, prova disso são as recentes decisões do Judiciário sobre o tema... APROVAÇÃO DENTRO DO NÚMERO DE VAGAS DIREITO À NOMEAÇÃO JÁ... chega de concurso de fachada...

fran
15/04/2008 - 08h44min
a materia é interessante porem faltou ressaltar que a nomeaçao em concursos publicos e pela ordem de colocaçao .nao basta ser aprovado é necessario atingir uma boa colocaçao para ser nomeado de inico

Luiz Vital
14/04/2008 - 21h35min
Infelizmente concurso no Brasil é caça niquel.Passei em vários e nunca fui chamado.Desisti.O que ocorre são os famosos QI , muito comum no nosso país de terceiro mundo.Látima!!!

Robério Pereira da Silva Júnior
14/04/2008 - 19h07min
Também fui aprovado e classificado para Gestor, na região de DEZ (Betim, Contagem, etc...), dentro das 60 vagas previstas no edital. Acho um absurdo a forma que o Governo do Estado de Minas está agindo com os aprovados, um descaso total! O governo é incapaz de enviar um cronograma com as futuras nomeações. Diga-se de passagem que antes das inscrições para o concurso o governo afirmava ter carência de pessoal, em caráter de urgência. E hoje eles usam Lei de responsabilidade Fiscal como desculpa para a demora nas nomeações. Vale salientar que a situação econômica do estado é estável, logo o governo não pode agir desta forma desrespeitosa.

Maria Regina
14/04/2008 - 18h46min
A verdade é que as pessoas investem muito em concursos,passam dentro das vagas previstas e não são chamadas na maioria das vezes. Os órgãos públicos estão cheios de tercerizados, e os aprovados legalmente, ficam em casa esperando. Mais os milhares de concurseiros, não aceitarão de braços cruzados as atitudes imorais desses políticos.

Ricardo Martins Assunção
14/04/2008 - 14h37min
O Coordenador do cursinho parece estar totalmente fora do assunto, o pessoal da SEF não chamou os aprovados dentro das vagas do edital, e pela informação do pessoal de todo o estado é devido aos desvios de funções em todo o estado de servidores de Prefeituras e terceirizados. Não estão chamando é os que tem o direito de assumir as vagas e que assistem a outros ocuparem seus lugares ilegalmente. E so fosse só na receita seria muito bom, mas em todos os estados e órgãos públicos os malditos desvios de funções estão chegando ao conhecimento de todos que prestam concursos e não são chamados pelas ilegalidades. Este são os órgãos públicos brasileiros...

Lucas Alcântara
14/04/2008 - 14h01min
Estou dentre os aprovados pra Gestor Fazendário da Regiao 10 e ressalto que não estou dentro dos "paraquedistas" mencionados pela reportagem. Estudei muito, fiz o concurso, passei dentro das vagas explicitadas no edital e, face ao grande n° de terceirizados exercendo as funções de técnicos e gestores, possuo direito de nomeação imediato! E é por isso que vamos lutar até o fim!

cristiano kely santos
14/04/2008 - 10h23min
também fui aprovado nesse concurso para a região 10 ( Sete Lagoas, Betim, Contagem ) e encontro-me na mesma situação. O posicionamento do Governo de Minas Gerais contraria todas as tradições do estado , dando as vagas a pessoas indicadas e apadrinhadas quando deveria nomear aqueles que prestaram concurso e se esforçaram para conquistar licitamente o direito de trabalhar. Parabenizo o Jornal Correio de Uberlândia por estar ao lado daqueles que procuram a legalidade.







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