Eles têm formato e cores de brinquedos e até podem ser considerados como tal. A diferença é que são feitos para gente grande e utilizados como objetos de decoração, dando um visual muito divertido pela casa. É a toy-art, moda que nasceu no Japão e conquistou pessoas no mundo inteiro.
As peças são cômicas e exclusivas feitas artesanalmente e à base de biscuit, tinta acrílica, entre outros materiais — sem se esquecer de uma boa dose de criatividade e bom humor.
O casal Hélvio Júnior e Carla Fernandes viu uma galinha feita de cabaça em uma viagem por Recife no ano passado. Apaixonado por brinquedos e desenhos animados, Hélvio trouxe a inusitada figura para Uberlândia e tentou copiá-la.
Começou apenas como uma simples brincadeira, apenas para enfeitar a casa e aumentar sua coleção de bonecos. A primeira peça de Hélvio ganhou nome, Super Galo, e a de Carla foi vendida. “Eu me arrependi de ter vendido, já até tentei comprá-la de volta”, admite ela. Até o filho mais velho deles, Arthur, de apenas 5 anos, fez a sua galinha. Depois de um montante razoável de bonecos, Carla os levou para o trabalho. Resultado: todas foram vendidas.
No final da história, hoje eles têm peças comercializadas por todo o Estado de São Paulo, no Mato Grosso, Pernambuco e recentemente venderam até mesmo para uma loja nos Estados Unidos. Tudo graças a internet (www.poleirodecores.com.br) e ao investimento da dupla. Hélvio se aperfeiçoou na técnica e fez curso de gestão de material para evitar o desperdício. Como a grande parte é feita sobre a cabaça, eles plantaram o fruto no quintal, ao lado do pé de limão, utilizado para conservar a massa de biscuit. Já Carla se especializou nos bonecos em feltro, costurados à mão.
Depois do Super Galo veio a Yara Sparrow, uma sereia baseada no protagonista de Piratas do Caribe, o capitão Jack Sparrow. Tem também a Cocó-Cola, feita em cima da garrafinha da Coca-Cola, o Mickey e até mesmo o principal vilão da história do “Guerra nas Estrelas”, o Darth Vader e seu capacete feito em cabaça, além de vários outros personagens, hoje em torno de 150 modelos.
Colecionadora
Natalia Pires de Paiva, 22 anos, vai se casar no início do próximo ano. Antes dela, a sua coleção de cerca de 100 brinquedos já se mudou para a casa do namorado, juntando-se à coleção dele. “Já colocamos as prateleiras na casa. Como minha mãe fica brigando por eu ficar juntando coisas, eu já mandei tudo pra lá desde já”, conta Natalia.
Até mesmo a sua loja de roupas para jovens tem bonecos à venda e também para dar uma ar retrô, combinando com a decoração do local. Natália compra tudo em lojas especializadas em São Paulo, pela internet ou aqui em Uberlândia mesmo. Uma dica, segundo ela, é a feira da Benedito Calixto, em São Paulo. “Lá tem peças para todo tipo de colecionadores, muito legal”, contou ela.
Toy-Art tem sua inspiração na década de 50
As fontes inspiradoras da toy-art surgiram logo após a 2ª Guerra Mundial, com o desenvolvimento da televisão para crianças. “Foi aí que surgiram os primeiros heróis, como Capitão América, para os meninos, e a Barbie, para as meninas”, conta a decoradora Andréia Bernardes, que está no mercado há 14 anos e possui um escritório de decoração em Uberlândia. “A idéia de fabricar brinquedos para colecionar surgiu nessa época e ganhou força com a Disney e a tecnologia.”
Hoje, segundo a decoradora, esses brinquedos ganharam uma nova roupagem, passaram a ser estilizados e customizados. Criou-se então, a Toy-Art. “No Brasil, houve um mix de brinquedos pedagógicos e artesanais, que ganharam mais vida sendo exploradas pelo lado lúdico de artistas plásticos”, afirma Andréia. “Aqui em Uberlândia temos o exemplo do Hélio de Lima, que faz um trabalho bem lúdico com pintura acrílica.”
A Toy-Art é hoje uma mistura de culturas, tendências e estilos. No Brasil há um grande espaço para este tipo de arte. “Tomam-se como exemplo as bonecas do Vale do Jequitinhonha, que são conhecidas mundialmente, as bonecas de palha do artesanato mineiro e as bonecas feitas com cabaça”, cita Andréia.