“10,9,8,7,6,5,4,3,2,1. A partir de agora você vai dançar o melhor da dance music. Uma overdose de música eletrônica. Está começando o programa 107 Mix”. Para os fãs do som “batistaca” esta vinheta da Rádio Universitária da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) é bastante conhecida.
Há dez anos no ar, o programa 107 Mix está totalmente vinculado à expansão da música eletrônica na cidade. A programação entrou no ar no dia 6 de junho de 1998, comandada e idealizada por Edson Carlos Borges, o Edinho. Inicialmente, ele criou o programa para abrir um espaço para divulgação das festas realizadas pelos universitários da UFU.
Dois meses depois, ele passou a transmitir somente músicas do estilo “Tribal GLS”, que compõe a música eletrônica. A partir daí a audiência cresceu mais que 100%. “No começo eu não divulguei nenhuma festa e não tinha retorno nenhum dos espectadores. Depois que mudei o estilo de músicas que tocava passei a receber vários telefonemas e cartas”, disse o produtor e criador do programa.
Mudanças
Antes tocado apenas em poucas casas noturnas, o estilo, na última década, se popularizou e hoje pode ser escutado até mesmo em festas de crianças.
A história da música eletrônica começou na França, por volta de 1948. No Brasil, as experiências deste estilo demoraram a aparecer. Acredita-se que as primeiras obras eletrônicas tenham sido produzidas em 1956, pelo compositor Reginaldo de Carvalho, que foi diretor do Instituto Villa-Lobos, no Rio de Janeiro. Logo, Jorge Antunes encontrou espaço para desenvolver suas pesquisas em música eletrônica, compondo no início da década de 60 as primeiras peças brasileiras realizadas com trilha sonora eletrônica.
Profissão dos DJs expandiu-se para outros setores
A popularização deste estilo começou com o surgimento de sintetizadores digitais e posteriormente com os computadores que possuem recursos de áudio e a facilidade para se montar um estúdio em casa. Assim surgiram, no mundo, diversos artistas (DJs) que passaram a se dedicar exclusivamente à música eletrônica e, conseqüentemente, apareceram diversos estilos, como o house, trance, acid house, techno, hardcore techno, breakbeat, drum´n´bass, ambient, tribal, entre vários outros. “Com a internet ficou muito fácil divulgar nossas produções”, disse Edinho, produtor e apresentador do 107 Mix.
Com o surgimento de vários DJs, as diversas obras eletrônicas passaram a ser mais valorizadas pela sociedade. O DJ então deixou de ser uma pessoa que apenas colocava o disco pra tocar e passou a produzir suas próprias canções. Daí vieram a valorização do seu trabalho e a expansão do número de profissionais nesta área. Hoje, o Brasil possui alguns dos melhores profissionais da música eletrônica do mundo, o que transformou o País em palco para criação e desenvolvimento deste estilo musical. “O DJ se transformou em um ‘artista’. As pessoas vão aos eventos por causa da música, de quem toca. Os DJs conseguiram fazer nome no mercado”, afirmou Edinho Borges.
| Manoel Serafim |
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O DJ deixou de ser uma pessoa que apenas colocava o disco pra tocar e passou a produzir suas próprias canções |
Saiba mais
Entenda as gírias mais usadas pelos DJs
pitch: muda o ritmo da música
mixar: mistura dos sons na hora de virar a música
scratch: movimento das mãos sobre o vinil
set: período breve e predeterminado que um DJ toca em uma festa
samplear: trecho de música já conhecida com releitura feita por um DJ
bpm: batidas por minuto
Fonte: História da Música
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