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Quadrilha internacional do tráfico é desarticulada
Acusada de liderar esquema foi presa no Santa Mônica, em Uberlândia
Repórter
Atualizada: 04/07/2008 - 08h29min

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A Polícia Federal desarticulou nesta terça-feira um esquema internacional de tráfico de drogas que começava em Uberlândia. Seis meses de investigações e uma cooperação internacional que envolveu, além da Polícia Federal, as polícias francesa e italiana permitiram que o esquema fosse conhecido de ponta a ponta. Em Uberlândia, Luciene Lanusse de Moraes é acusada de comandar o esquema do tráfico. Ela contatava e recrutava pessoas para fazer o transporte de cocaína dentro do corpo até a receptação em Perugia, na Itália. Em São Paulo, Antonio Carlos de Freitas Júnior e Elisabete Harumi Ikeda preparavam as cápsulas em luvas cirúrgicas para serem ingeridas pelos correios humanos.

A operação batizada “Canelone” teve início em janeiro deste ano quando um homem em atitudes suspeitas desembarcou numa conexão em Paris, na França. Geraldo Aparecido de Lima, de Cachoeira Alta, Goiás, havia embarcado em um avião no Aeroporto Internacional de São Paulo (Guarulhos), com destino a Perugia. Em depoimento à polícia francesa, ele confessou que portava em seu organismo cápsulas de cocaína que deviam ser entregues em Perugia. Confessou também que o trabalho lhe fora contratado por Luciene Lanusse de Moraes. O fato levou o consulado da França em São Paulo a entrar em contato com a Polícia Federal. A partir daí deu-se início à cooperação internacional, que já prendeu ao todo sete criminosos, todos com vínculos de relacionamento ou parentesco.

Antonio Carlos de Freitas Júnior e Elisabete Harumi Ikeda foram presos numa busca e apreensão realizadas pela Polícia Federal de São Paulo no bairro Jardim Santa Cruz, na capital paulista. Luciene Lanusse de Moraes, que tem dois endereços, ambos no bairro Santa Mônica, em Uberlândia, também foi presa depois que a Polícia Federal realizou uma busca nos locais. As prisões temporárias foram decretadas pela Justiça Federal com base nas provas de autoria e materialidade. Os três foram ouvidos pela polícia e estão presos no Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia. A prisão preventiva deve ser pedida no prazo de 30 dias. Enquanto isso, a Polícia Federal continuará investigando se há outros envolvidos no esquema e levantando provas que confirmem o vínculo dos três presos com os crimes.

De acordo com o delegado da Polícia Federal, Julio César Domingues Bortolato, as investigações apontam que era de Uberlândia que Luciene Lanusse coordenava o esquema. Ela contatava e recrutava pessoas para fazerem esse tipo de transporte de drogas dentro do organismo. “A promessa era ganhar dinheiro fácil e ainda conhecer a Europa”, disse o delegado. Em São Paulo, cada pessoa engolia de 600 gramas a um quilo de cocaína encapsulada em luvas cirúrgicas. O ponto de receptação da droga era Perugia, na Itália, mas os correios humanos diversificavam duas rotas, uma que saía de São Paulo e outra do Rio de Janeiro.

Em um dos endereços relacionados a Luciene Lanusse, a polícia encontrou um cofre que continha € 3,5 mil (que equivale a mais de R$ 5,5 mil) e cerca de 100 pedras de esmeraldas lapidadas e já embaladas para serem comercializadas. Com as esmeraldas foram encontrados certificados de autenticidade e laudos de avaliação e técnicos. Várias agendas com números de telefones e aparelhos celulares também foram encontrados na casa de Luciene Lanusse e serão investigados pela polícia.

Risco de morte

A modalidade de tráfego que utiliza o próprio organismo como transporte de drogas tem se difundido pelo Brasil e foi deflagrada pela primeira vez em Uberlândia. De acordo com o delegado da Polícia Federal, Julio César Domingues Bortolato, ela oferece risco de morte instantânea, pois se uma das dezenas de cápsulas ingeridas estourar, a pessoa sofre uma convulsão e morre. “Cada cápsula engolida por essas pessoas tem cerca de cinco gramas de cocaína, eles chegam a ingerir mais de 100 cápsulas”, disse.

Segundo Bortolato, quando são presas em flagrante as pessoas que transportam em seu organismo drogas encapsuladas são encaminhadas para o hospital mais próximo e precisam se submeter ao processo natural do organismo de expelir as cápsulas. “Algumas dessas pessoas demoram três dias para expelir todas as cápsulas ingeridas”, afirmou.


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