Os supermercados de Uberlândia têm três anos para substituir as sacolinhas plásticas que embalam as mercadorias. Lei publicada anteontem no “Diário Oficial do Município” determina que o comércio ficará proibido de usar as sacolas após 2 de julho de 2011 e prevê alternativas, como as sacolas retornáveis ou embalagens de outros materiais que de decomponham mais rapidamente.
As sacolas de plástico levam 400 anos para se decompor e, segundo o vereador Delfino Rodrigues, autor do projeto que virou lei, a substituição desse material por outros menos poluentes não vai elevar os custos de lojistas e supermercadistas.
“Indústrias que hoje fazem sacolas oxibiodegradáveis oferecem o produto por preço pouco superior ao das sacolinhas convencionais”, disse o vereador. As oxibiodegradáveis recebem um aditivo que transforma o plástico em produto degradável. O plástico é convertido pela reação com o oxigênio em fragmentos moleculares que são passíveis de serem umedecidos por água e essas moléculas oxidadas são biodegradadas (convertidas por microorganismos em dióxido de carbono, água e biomassa).
A sacola oxibiodegradável se decompõe em 18 meses. Segundo o vereador Delfino Rodrigues, o primeiro passo agora é promover uma campanha de conscientização da população para que os consumidores sejam sensibilizados quanto à necessidade de mudança.
O proprietário de um supermercado novo na cidade nem esperou o projeto virar lei. Enquanto o assunto era discutido na Câmara de Vereadores, o gerente Manoel Pires já colocava à venda as sacolas retornáveis. Os clientes têm três opções de tamanho e preço (R$ 6, R$ 9 e R$ 12). “Estamos fazendo uma série de reuniões para definirmos novos materiais para a confecção das sacolas retornáveis, se conseguirmos um custo menor pensamos em dar essas embalagens aos clientes”, disse ontem o gerente Manoel Pires Júnior. Há duas semanas, o supermercado recebeu também a primeira remessa de sacolas oxibiodegradáveis.
O que fazer
Outras redes de supermercados e pequenos estabelecimentos ainda não sabem o que fazer para substituir o plástico. Eles desconhecem os preços das sacolas oxibiodegradáveis e dizem que não há sacolas retornáveis a baixo custo para oferecer à clientela.
O proprietário de uma rede de quatro supermercados, Leandro Martins de Souza, disse ontem que a empresa planeja as mudanças, mas nem sequer conseguiu resposta às cotações que fez com os fornecedores de sacolas retornáveis. “Está todo mundo engatinhando, a gente vê com bons olhos a substituição do plástico, mas precisamos de mais informação para tomar uma atitude”, afirmou.
Cemitérios de plástico
| Manoel Serafim |
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Sacolinhas voam e acabam sujando ruas e lotes por toda a cidade |
As donas de casa que acondicionam o lixo nas sacolinhas plásticas não têm noção do cenário que se forma no aterro sanitário da cidade. A primeira coisa que se vê no terreno de 10 hectares são sacolas espalhadas. Depois que os caminhões acabam de descarregar esse plástico some no meio da terra, mas não se decomporá antes de 400 anos.
Segundo os cálculos da Secretaria de Planejamento Urbano do Município, Uberlândia tem 177.305 unidades residenciais. Se cada um desses domicílios acondicionar o lixo em três sacolinhas plásticas e colocar na rua para o caminhão levar, são 531.915 sacolinhas por dia, ou seja, meio milhão de sacolinhas/dia no aterro sanitário.
“Por isso o prefeito sancionou o projeto, apoiamos a idéia, é interessante para o meio ambiente”, disse o secretário de Meio Ambiente, Cláudio Guedes. Ele tem dúvida, no entanto, sobre a praticidade das alternativas apresentadas pela lei.
“Será que as oxibiodegradáveis não contêm corantes, produtos químicos que venham a contaminar o solo?”, questiona o secretário. Segundo ele, os três anos de prazo dados pela lei servirão para que os órgãos públicos, os ambientalistas, o comércio e a população descubram qual o melhor caminho para viabilizar os negócios causando o menor impacto possível ao meio ambiente.
Cores nas embalagens
Quando começar a fazer as campanhas educativas para adaptação à nova lei, a Prefeitura de Uberlândia pedirá aos supermercadistas e lojistas que criem duas cores de sacolas biodegradáveis. Dessa forma, as pessoas poderão usar, por exemplo, o branco para o lixo orgânico e o amarelo para o lixo reciclado.
“Essa questão de cores é importante, se criarmos isso contribuímos com a coleta seletiva”, disse o secretário Cláudio Guedes.
Estudo encomendado pela Prefeitura de Uberlândia em 2003 a uma empresa de consultoria, a Ottawa Engenharia, que utilizou dados da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), revelou que a produção média diária de lixo na cidade é de 791 gramas por habitante.
Dos resíduos domiciliares que chegam ao aterro sanitário, tomando-se por base levantamento efetuado nos bairros Tocantins e Guarani, apenas cerca de 10% constituem produtos recicláveis (principalmente papel, papelão e embalagens plásticas). A matéria orgânica corresponde a 62,2% e 18,7% são rejeitos e outros materiais inaproveitáveis.