Olhar-se no espelho e se auto-avaliar bonito é um passo importante para a auto-estima do ser humano em qualquer fase da vida. No caso de mulheres que desbravam o temido mundo da terceira idade, o sentir-se bela torna-se necessário para uma vida mais feliz e, como conseqüência, mais saudável. Segundo o médico titular da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia — Seção Minhas Gerais (SBGG-MG), Marcos Alvinair Gomes, as pessoas que conseguem por qualquer razão manter a auto-estima elevada, independentemente de qualquer idade, são pessoas que têm mais dinamismo, fazem mais atividades físicas e estão mais motivadas para comer o que é bom e evitar o que não o é.
“Na terceira idade isso se torna especialmente visível, porque o próprio fato de estar envelhecendo leva a uma atitude contrária, as pessoas vão perdendo a autonomia, se acomodam, muitas enfrentam a solidão e são levadas à depressão, o que facilita as doenças físicas”, disse.
“Eu estou vivendo bem melhor na terceira idade”, afirmou Elazir de Aguiar ao comparar como se sente atualmente com o que sentia em outras épocas de sua vida. Aos 69 anos e divorciada, ela segue uma rotina agitada no que se refere a atividades físicas. Sem se sentir atraída às facetas possíveis por meio da cirurgia plástica, Elazir de Aguiar faz caminhada, dança, faz musculação e hidroginástica. Ela ainda encontra tempo e disposição para aulas de línguas e se dedicar às artes em aulas de musicalização, além de compor um grupo de teatro que tem uma agenda apertada de apresentações. “Em tudo sou muito mais feliz com minha vida hoje do que quando eu tinha 20 anos, e por incrível que pareça me considero muito mais bonita também”, afirmou.
Maria Helena Ribeiro também faz parte do grupo de idosas que não abandona a vaidade. Ao contrário, com a idade, a vaidade vai sendo aprimorada. Ela até prefere dizer que é apenas cuidadosa e tem receio de cair no ridículo, mas é prova de que a boa aparência não é privilégio da juventude. “Adoro excesso, sou extravagante, mantenho o meu guarda-roupa atualizado, tento acompanhar a moda, reformo minhas roupas, mas não uso roupas de velha”, disse Maria Helena Ribeiro, orgulhosa de seus 61 anos.
| Muriel Gomes |
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Elazir de Aguiar segue rotina agitada e faz caminhada, dança, musculação e hidroginástica |
| Muriel Gomes |
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Amarílis Paranhos deu a volta por cima após perdas pessoais e tem vida plena aos 65 anos |
Diante da pergunta sobre o segredo de beleza de Amarílis Paranhos Silva, de 65 anos, ela dá a receita: “Vá dançar, faça musculação, caminhe, vá ao salão de belezas, se arrume”. Ela afirma que faz tudo isso e mais um pouco. A energia que a impulsiona em tantas atividades veio depois do divórcio do segundo casamento. Ela já havia enfrentado duas grandes perdas: o falecimento do primeiro marido e o assassinato do filho. “Quase entrei em depressão, mas percebi uma força que vinha da presença do Espírito Santo em mim e ressurgi”, afirmou.
A beleza de Amarílis Paranhos conquistou as passarelas e os catálogos de moda. Ela hoje cumpre uma agenda tumultuada de desfiles, sessões de fotos e eventos sociais. “Mas em cada flash eu clamo para que a beleza do meu interior resplandeça, porque é lá que Deus habita e Ele é o que eu tenho de mais bonito.”
População idosa
A faixa etária de 60 anos ou mais é a que mais cresce em termos proporcionais no Brasil. Segundo as projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 1950 e 2025, a população de idosos no País crescerá 16 vezes diante de cinco vezes a população total, o que colocará o Brasil em termos absolutos com a sexta população de idosos do mundo, isto é, com mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Este crescimento populacional é o mais acelerado no mundo e só comparável ao do México e Nigéria.
Em Uberlândia, de acordo com o último censo demográfico e contagem populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 45 mil pessoas com idade acima de 65 anos. Do total, 25 mil são mulheres.