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Tabagismo pode dificultar emprego
Pesquisa aponta que 81% das empresas têm restrição para contratar fumantes
Repórter
Atualizada: 06/07/2008 - 16h19min

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O tabagismo foi banido dos aviões, restaurantes e shoppings e pode interferir também na conquista de uma vaga no mercado de trabalho, segundo uma nacional realizada pela Catho Online, site de anúncio de currículos e vagas. No estudo, 81% dos empregadores consultados declararam ter algum tipo de restrição à contratação de dependentes de tabaco. No entanto, esta ressalva não é informada ao candidato nem assumida publicamente pelas empresas, segundo a consultora de recursos humanos da Catho, Camila Mariano.    

Ao contrário do que acontece em países europeus como a Irlanda, onde os fumantes são advertidos já na descrição das ofertas de emprego, no Brasil, a medida pode ser considerada discriminatória. A reportagem do CORREIO de Uberlândia ouviu agências de empregos, especialistas em recursos humanos e prestadores de serviços. Todos afirmaram que as restrições só acontecem quando se trata da contratação de funcionários para um setor específico, como de combustíveis ou de alimentos.  

A coordenadora do Sistema Nacional de Emprego (Sine) de Uberlândia, Daisy Afonso, afirma que da média de 500 vagas que a agência ofereceu nos últimos três meses o número de empresas que exigiram a contratação de não fumantes foi mínimo. O Sine não possui pesquisas em Uberlândia que comprovem o levantamento da Catho.

Quesito
Segundo ela, cargos como auxiliares de cozinha e frentistas costumam exigir profissionais não fumantes. “É uma situação difícil, porque não podemos fazer essa discriminação na oferta do trabalho. Porém, quando o empresário decide qual o candidato vai contratar, pode ser que ele olhe este quesito”, afirmou.

O analista de recursos humanos Fernando Araújo trabalha na Space, que presta serviços na área de segurança patrimonial, também afirma que é muito raro uma empresa exigir que o candidato não fume. “Quando se trata de multinacional no setor alimentício que tenha um controle de qualidade mais rigoroso, por exemplo, ou na indústria petroquímica onde existem áreas de risco, a empresa pede para contratar não fumantes.”

Segundo a gerente de recrutamento e seleção do Instituto Ser Humano - que hoje presta serviços para cerca de 50 empresas de Uberlândia, Vivian Rodrigues Vieira de Souza Lima -, em três anos que ela está na área, somente duas empresas informaram a condição de recrutar candidatos não fumantes.

Perda de tempo com o cigarro

Mais do que uma imagem negativa, a consultora de recursos humanos da Catho Online, Camila Mariano, disse que os empresários que responderam a pesquisa alegaram que o cigarro pode prejudicar a produtividade. Se um funcionário consome nove cigarros ao dia, por exemplo, e gasta cinco minutos para fumar cada um, o tempo de ociosidade chega a 45 minutos.

Esse tempo, no entanto, não é tão relevante para alguns. A consultora de talentos humanos do Grupo Algar, Adriane Santos Parreira Jamil, afirma que, apesar de estarem em menor número, os fumantes têm o mesmo desempenho em relação àqueles que não têm o vício. “A pessoa pode gastar um minuto fumando, por exemplo, e trabalhar o triplo depois de saciado. Depende muito do perfil e, por isso, priorizamos a competência e a atitude do candidato.”

A pesquisa da Catho ouviu 4,1 mil empregadores de pequenas, médias e grandes empresas. O índice de reprovação ao cigarro registrado neste ano (81%) é maior em relação ao estudo feito entre 2000 e 2005, quando o número de empregadores que declararam se incomodar com o cigarro foi de 77%.

Houve uma redução de 7% no número de fumantes entre os profissionais contratados dentro do universo pesquisado. Em 2001, a proporção era de 21% e, neste ano, 14% dos funcionários ouvidos fumam.

A consultora Adriane Santos afirma que o não fumante tem vantagem sobre o tabagista somente em caso de igualdade de condições na hora da contratação, quando a opção é por quem tem uma melhor qualidade de vida. Camila Mariano tem a mesma opinião. Segundo ela, um bom profissional não será eliminado porque consome cigarro, mas o vício é utilizado como critério de desempate.

A especialista da Catho complementa que o candidato nunca deve mentir quando questionado sobre o vício, pois se for descoberto, ele pode ter a credibilidade abalada. “A pessoa deve assumir e apontar o que tem feito para abandonar o cigarro ou o interesse em parar de fumar.”


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