As fadas que moram na Floresta Purpurina são, na verdade, princesas de reinos distantes que foram banidas de suas terras por causa do feitiço de Thor, um homem malvado e ganancioso.
Thor usa uma magia para transformar a família real em gnomos, sapos e fadas. Assim, ele pode tomar o trono e a família é obrigada a mudar-se para a Floresta Purpurina e viver o destino cruel traçado por Thor. Com o feitiço, o rei e a rainha são transformados em gnomos, os príncipes viram sapos Cururus e as princesas tornam-se fadas.
Os príncipes...ops, os sapos Cururus moram na lagoa da Floresta Purpurina e, nem de longe, lembram a bonita aparência que tinham quando eram príncipes. As fadas, por mais que visitem o lago de vez em quando, não conseguem reconhecer qual sapo é na verdade o seu príncipe enfeitiçado, pois há um montão deles e são todos iguaizinhos.
Os ex-príncipes passam dia e noite no brejo, coaxando e comendo moscas com suas enormes línguas.
Já para as princesas, Thor deixou alguma satisfação: elas continuam lindas, possuem asas enormes e uma luz brilhante no coração. Essa luz só apaga quando elas estão tristes.
Ficar triste não é o caso da Fada Luana. Ela é a fada mais linda da floresta e seu coração está sempre brilhante, pois ela vive feliz. As fadas amigas não entendem por que ela não fica triste, afinal, está longe da família e do seu príncipe, com um destino cruel pela frente.
- “Não ficarei triste, nunca! Eu ainda acredito que conseguirei reverter este feitiço terrível”, falava a Fada Luana quando era questionada por alguém.
A única maneira de desfazer o feitiço seria beijar o sapo certo. Mas nenhuma fada se aventuraria a fazer isso porque se beijasse o sapo errado os dois seriam transformados em pó de purpurina, segundo Thor.
Enquanto as fadas lamentavam o seu destino, lá ia a Fada Luana, reluzente e brilhante, cantando e conversando com todos os animais da floresta. Ela não desistia de encontrar uma saída para quebrar aquele feitiço. Todos os dias, antes de dormir, ela passava na aldeia dos gnomos e da janela olhava os seus pais. Apesar de eles não a verem, ela mandava um beijinho e soprava em direção a eles. Em seguida, passava no brejo e ficava algum tempo imaginando como seria o dia do seu reencontro com o príncipe. Só depois ia para a sua casa, que era uma flor amarela no lado norte da Floresta Purpurina, local onde dormiam todas as fadinhas ex-princesas.
Em uma dessas noites, ela sentou-se numa pedra na beira da lagoa. Ficou ali olhando os sapos tentando adivinhar qual seria o seu príncipe. Impossível, eles eram idênticos e, além disso, sua luz brilhante afugentou-os. Pularam todos para dentro da água e ela ficou ali, sozinha.
Foi aí que Fada Luana lembrou da época em que dançava com seu príncipe no salão do seu castelo. Pensou nos seus pais, o rei e a rainha. Como ela era feliz. Pela primeira vez, sua luzinha no coração começou a enfraquecer....a tristeza veio com a saudade.
Então, a Fada Luana saiu voando pela floresta enxugando suas lágrimas que caíam sem parar, até que...POF!
Como a luz estava apagada e era noite, ela bateu em uma árvore e caiu desmaiada no chão.
Acordou só na manhã seguinte. Com os primeiros raios de sol. Olhou para o seu coração e a luz estava brilhante novamente.
- “Nunca mais vou deixar você apagar luzinha! Tenho que continuar a ter esperança e ser feliz, sei que vou encontrar a saída”, pensou Fada Luana.
A luz do coração brilhou mais forte ainda. E quanto mais a Fada Luana pensava na alegria do reencontro, mais forte brilhava a luz que saía do seu coração.
Quando ela chegou ao lado norte da floresta, as outras fadas amigas (ex-princesas também) ficaram surpresas, pois nunca haviam visto o coração de uma fada brilhar tanto como o da Fada Luana.
- O que aconteceu, amiga? Seu coração está brilhando a metros de distância?, diziam elas.
- É porque eu tenho a certeza de que um dia encontrarei um meio de quebrar o feitiço de Thor. E quanto eu mais tenho esperança e mais fico feliz, a minha luz aumenta de intensidade.
Fada Luana passou o dia estudando livros de feitiço, perguntando para os bichos. Ela ainda não havia achado uma solução, mas tinha certeza de que encontraria.
Neste dia, à noite, ela fez o mesmo de sempre, foi até a lagoa. Quando chegou ao brejo os sapos todos pularam na água, afugentados com a luz que vinha do seu coração.
Fada Luana sentou-se na mesma pedra. Foi aí que teve uma surpresa: a luz que saía do seu peito ia diretamente para o outro lado do lago, onde estava um sapo Cururu. O sapinho estava todo iluminado com a sua luz.
Fada Luana pensou:
- Este só pode ser o meu príncipe. Tenho certeza! Acredito no meu coração...ele está me guiando para o meu príncipe.
Ela foi até lá e sem temer deu um beijo no sapo Cururu.
Ele se encheu de luz e...Bum! O sapo transformou-se no lindo príncipe, o seu príncipe. O mesmo aconteceu com ela, que voltara a ser princesa.
O feitiço foi quebrado. Princesa Luana e seu príncipe correram para a aldeia dos gnomos. Quando chegaram lá, outra surpresa: seus pais, o rei e a rainha, haviam deixado de ser gnomos.
A princesa Luana abraçou-os e ficou mais feliz ainda por ter seguido o seu coração.
A notícia se espalhou e as fadas da Floresta Purpurina começaram a ser felizes e a ter esperança. Assim, a luz que elas tinham no coração ficou tão forte que todas acharam o seu príncipe, dando beijos no sapo Cururu