Uma difícil questão enfrentada por pais e professores atualmente é: como despertar nas crianças o gosto pela leitura? Diante disso, muitos procuram truques e fórmulas mágicas que resolvam de vez o problema. Será esse o caminho?
Durante minha vida escolar e acadêmica tive professores verdadeiramente apaixonados pela literatura. Mestres que me mostraram os encantos de Guimarães Rosa, Lygia Fagundes Teles, Machado de Assis, das narrativas fantásticas de As Mil e Uma Noites.
Ao falar das obras, seus olhos brilhavam, e esse fascínio acabava por contaminar os alunos. Creio que esses educadores não possuíam a tal fórmula mágica, mas sabiam cativar os estudantes, pois davam o exemplo, mostrando-se leitores apaixonados.
Em contrapartida, tive também professores que eram verdadeiros carrascos. Ordenavam que os alunos lessem determinada obra, porque seria “conteúdo de prova”. A leitura tornava-se enfadonha e por vezes difícil, visto que se devia prestar atenção aos mínimos detalhes, pois poderia ser uma das questões da avaliação.
Experiências como essas são vivenciadas por todos os estudantes, e podem determinar seus hábitos de leitura. Cabe aqui uma reflexão: a leitura como obrigação, que busca capacitar o aluno apenas para responder as questões de uma prova é produtiva? Acho pouco provável.
Obviamente, é necessário que os alunos sejam avaliados, até porque a avaliação é a forma que o professor tem para saber se seu trabalho foi ou não bem-sucedido. No entanto, o que leva a criança a ler, e a gostar de ler, é o exemplo.
As crianças imitam o comportamento dos adultos. Trata-se de um processo que não é natural, é cultural. Dessa forma, se a criança convive com adultos leitores, a tendência é que queira imitar o seu comportamento, e ler também.