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A história em imagens e sons
Casa da Cultura abre à população o acervo de vídeo e áudio segunda-feira
Repórter
Atualizada: 29/08/2008 - 21h10min

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A Casa da Cultura guarda a memória em imagem e som de trechos da história de Uberlândia, que, a partir de segunda-feira, estará à disposição da população. São mais de 700 fitas de vídeo VHS com gravações originais e reproduções de manifestações culturais, sociais e políticas na cidade, quase uma centena de DVDs, dezenas de arquivos em formato profissional, como fitas U-Matic, Betacam e Super VHS, e alguns exemplares raros em películas de 35 milímetros. Estes últimos registram, por exemplo, as passagens dos ex-presidentes da República Eurico Gaspar Dutra (1883-1974) e Juscelino Kubitschek (1902-1976) por Uberlândia na década de 1950.

Inaugurada ontem à noite, a sala de Audivisuais da Casa da Cultura, localizada na praça Coronel Carneiro, 89, ponto de referência do bairro Fundinho, é aberta ao público de segunda a sexta-feira. O horário de funcionamento é das 12h às 18h. Indexado por assuntos, o acervo em áudio e vídeo pode ser visto em monitores e equipamentos de som instalados em quatro bancadas. As consultas só podem ser feitas no local.

O espaço, no porão da casa construída em 1922, também guarda centenas de discos em long play (LP), em compactos e em 78 rotações por minuto (Rpm). A coleção foi formada por doações de pessoas da comunidade. Essas doações são incentivadas pelo responsável pelo setor de Audiovisual da Casa da Cultura, Paulo Torres.

No arquivo estão registros em som e imagem dos 120 anos de Uberlândia. É possível ouvir, por exemplo, o hino composto em homenagem ao centenário da cidade em 1988. Há também gravações de sambas-enredos do carnaval uberlandense em LPs, como o de 1987, que tem canções inspiradas em temas que repercutiam há 21 anos no Brasil e no mundo e que viraram enredo de escola de samba em Uberlândia, como “A Constituinte”, samba de Benício Gonçalves que animou os foliões da Mocidade Independente, “E o Cometa Levou”, da escola Garotos do Samba, que fazia referência ao cometa Halley. Nas fitas de vídeo, além de discursos em inaugurações, estão gravadas cenas das principais expressões culturais de Uberlândia. “Temos um extenso material sobre o congado e a folia de reis”, afirmou Paulo Torres.

A maioria do acervo em vídeo foi reunida a partir de 1984. Nele estão apresentações na íntegra dos festivais de dança realizados em Uberlândia, principalmente do início da década de 1990.

Projetor a gás está em exposição

O público que visitar a Casa da Cultura, a partir de segunda-feira, poderá ver os detalhes de um equipamento remanescente do apogeu do cinema em Uberlândia e que pelo avanço tecnológico da sétima arte se tornou, literalmente, peça de museu. Como informou o caderno Revista do CORREIO de Uberlândia na edição de 8 de agosto, um dos dois projetores a gás de 35 milímetros do antigo Cine Vera Cruz, atualmente Teatro Grande Otelo, foi desmontado, restaurado e instalado em uma sala específica sobre cinema na cidade no setor de Audiovisual.

“É o último projetor da era áurea do cinema em Uberlândia”, afirmou o responsável pelo setor Audiovisual da Casa da Cultura, Paulo Torres. A peça ficará em exposição permanente. O exibidor, porém, não rodará as películas em 35 mm. “Haveria um custo muito alto para colocá-lo funcionando, as peças de que precisamos não são mais fabricadas”, disse Torres.

Ambos os exibidores são modelos Ernemann II, de origem alemã, e foram fabricados na década de 1940. Foram montados no Brasil pela Empreza Cinematográfica Triunfo Canteruccio e Lamann, de São Paulo. O nome Triunfo faz referência à rua homônima no Centro Velho da capital paulista, região de intensa produção cinematográfica nos anos 60 e 70.

Os projetores começaram a rodar filmes em Uberlândia em 1966, quando o Cine Vera Cruz foi inaugurado. Exposta na parede, uma reportagem do CORREIO de Uberlândia escrita na véspera da inauguração do cinema menciona o Vera Cruz como “o luxuoso caçula da cidade”. A última vez que um filme passou pelas suas bobinas foi em 1984. “Foi numa mostra do Glauber Rocha”, afirmou Paulo Torres.
O outro exibidor do antigo Cine Vera Cruz também foi desmontado e enviado para a reserva técnica do Museu Municipal. Normalmente, os cinemas com projetores que utilizavam lâmpadas de arco voltaico de carvão tinham dois equipamentos para não haver a interrupção do filme quando os seis ou sete rolos de um longa-metragem tinham que ser trocados. Era o caso do Cine Vera Cruz.

O conjunto de carvão também tinha que ser substituído, pois, à medida que os bastões queimavam e emitiam luz para o filme ser exibido, a intensidade luminosa diminuía. As bobinas dos projetores moviam a película por uma passagem que parava quadro a quadro e por uma fração de segundo o filme na frente do feixe de luz projetado pelo carvão incandescido.
A fonte de luz fornecia uma iluminação brilhante que projetava a imagem do filme por uma lente em uma tela. O som era captado pela cabeça magnética, que lia a trilha sonora contida no filme. A tecnologia surgiu no início do século 20 e foi substituída pelas lâmpadas de xenônio a partir da década de 1970. Hoje, o formato digital vem tomando o lugar dos exibidores de xenon.

Muriel Gomes

Projetor dos anos 40


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