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Uberlândia mantém fluxo de imigração crescente
Em nove meses, Núcleo municipal realizou 5.973 atendimentos
Repórter
Atualizada: 14/07/2009 - 09h51min

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A pesquisa “Síntese de Indicadores Sociais”, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que o Sudeste recebeu mais da metade (50,1%) dos 19,7 milhões de imigrantes registrados no Brasil em 2007. Uberlândia, considerada a segunda maior cidade de Minas Gerais, comprova a tendência. De janeiro a setembro deste ano, o Núcleo de Migrantes realizou 5.973 atendimentos, uma média diária de 663,3, que, se for mantida nos próximos meses, deve superar o total de 7.394 pessoas atendidas em 2007.  

De acordo com um estudo realizado pelo Centro de Pesquisas Econômico-Sociais (Cepes) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em 2001 metade da população era imigrante, sendo 31,27% de outra cidade do Estado, 21,24% naturais de outros municípios brasileiros e 0,17% nascidos no exterior.

Para a secretária municipal de Desenvolvimento Social, Habitação e Trabalho, Iracema Marques, o fluxo migratório que ocorre na cidade, apesar de forte há muito tempo, hoje está mais controlado. De acordo com a secretária, como resultado de um estudo que diagnosticou a realidade das pessoas que migram para Uberlândia. “Hoje temos um programa voltado exclusivamente para os imigrantes, o que deu agilidade e efetividade aos atendimentos”, disse Barbosa. Sabe-se, por exemplo, que a maioria é composta por adultos do sexo masculino, com faixa etária entre 18 e 30 anos.

Depois de conhecer a história de cada um, os assistentes sociais orientam os migrantes de acordo com sua necessidade. O programa atua também por meio da ronda social, que acolhe os migrantes que estão nas ruas. “Primeiro nós os levamos para um albergue, onde se alimentam, fazem a higiene pessoal e descansam”, afirmou a diretora do setor assistencial da secretaria, Edna Assunção. Até setembro deste ano, a Prefeitura distribuiu 2.983 bilhetes de ônibus. Em 2007 o total foi de 3.759. Segundo Iracema Barbosa, o Município repassa ao setor de imigração R$ 301 mil ao ano.

Busca pelo emprego é o maior estímulo à imigração

Manoel Serafim

Erico Nascimento, abandonado pela família, está no Ramatis há um ano

A busca por uma oportunidade de trabalho é o principal estímulo à imigração em Uberlândia. De acordo com o Cepes, em 2001 64,6% vieram em busca de emprego e 21,5% se mudaram para a cidade acompanhando outro parente, “provavelmente também em busca de emprego, educação e outros recursos que o Município oferece”.

Douglas Ferreira, 24 anos, natural de Pouso Alegre, saiu de casa há três meses por problemas decorrentes do uso de drogas. Depois de Brasília, chegou a Uberlândia onde quer “trabalhar na área de pneus” e pretende permanecer até o fim do ano. Sem lugar para ficar, ele costuma se alimentar e passar a noite no albergue noturno Ramatis. “Gostei da cidade, mas ainda tenho dificuldades para me manter nos trabalhos que consigo.”

Fundado em 1965, o albergue Ramatis é um dos dois que existem em Uberlândia. Além do pernoite, oferece café da manhã, almoço e jantar de forma gratuita. De acordo com a coordenadora Márcia Faria, cerca de 170 pessoas passam pelo local diariamente. A alimentação é oferecida também a moradores de rua, como dois catadores de papel, que almoçam e jantam no albergue todos os dias.

Os 68 leitos são ocupados por migrantes, que podem passar até três noites no Ramatis. “Há moradores encaminhados pela promotoria ou outros órgãos que são também acolhidos e que ficam por mais tempo”, disse Faria.  Erico Nascimento, aposentado por invalidez, 32 anos, mora no albergue há mais de um ano. Com um histórico de toxicologia e crises epilépticas, ele relatou que “passa por uma fase difícil”, e acabou abandonado pela família. “As pessoas do albergue foram as únicas que me ajudaram, porque posso passar mal a qualquer momento.”

A empregada doméstica Claudinéia dos Santos, 39 anos, é de Salvador (BA) e afirma que se mudou para Uberlândia há três anos acompanhando o marido, que tem família na cidade. Ela afirma que está esperando a casa ficar pronta para se mudar com a família. “Meu marido não gosta de albergue, mas também não durmo aqui todos os dias.”

Segundo Márcia Faria, o movimento migratório aumentou de três anos para cá e há grande número de usuários de drogas e alcoólatras, boa parte sem documentos. Ainda assim, diz que não há graves problemas de indisciplina. “As pessoas costumam respeitar o albergue”, disse a coordenadora. O albergue é mantido com subvenção da Prefeitura, que fornece também alimentos e produtos de limpeza, e com doações da comunidade.

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