Nas empresas de reforma, a crise ainda não apareceu. Ao contrário de outros setores que já sofrem com a retração no consumo, neste, houve um aumento na demanda de cerca de 30% e a tendência, segundo especialistas, é de crescimento para os próximos meses.
O consumidor aposta na reforma de peças usadas. “O preço de reformar costuma ser mais em conta e é comum em épocas de incertezas financeiras ocorrer um ápice em empresas que atuam neste ramo. A boa notícia é saber que a economia continua aquecida, apesar de movimentar volumes menores de recursos”, disse o economista do Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais da Universidade Federal de Uberlândia – Cepes/UFU, André Rodrigues Teles.
Numa tapeçaria tradicional de Uberlândia, o empresário Joel Alves de Almeida comemora esse momento. Para atender ao número de pedidos muito superior ao esperado, ele precisou contratar mais dois funcionários. “Crise, como tudo na vida tem dois lados. Felizmente estou num setor que foi favorecido”, disse.
A professora Ana Carolina Ribeiro foi uma das responsáveis pela alavancagem na demanda por reforma de estofados. Cansada da estampa do antigo sofá, ela chegou a cogitar a possibilidade de comprar um novo, mas se assustou com os preços.
“Nos orçamentos que fiz, um modelo parecido com o meu chegava a custar R$ 3,8 mil. Achei um absurdo! Reformei por menos da metade desse valor e fiquei muito satisfeita”, disse. Na oficina, a mudança foi geral. O estofamento e estampa foram trocados e a reformulação do modelo com pés de aço deu ao móvel um ar de modernidade.
Roupas seminovas a baixo custo
| Muriel Gomes |
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Thais Resende trabalha até mais tarde para dar conta do serviço |
Thais Resende é vice-gerente de uma franqueada de reforma de jeans que abriu loja em Uberlândia há quatro anos. De acordo com ela, o movimento dos últimos 60 dias superou todas as expectativas. “Estamos trabalhando até mais tarde para atender às solicitações dos clientes”, disse. O serviços solicitados vão desde pequenos ajustes e reposição de botões até tingimentos que prometem trocar a cor do tecido ou reforçar os desbotados.
Os preços variam de R$ 5 a R$ 20. “Tudo é feito em máquinas industriais específicas, que deixam as peças com um ar de novo”, disse Thais Resende. Pela segunda vez, em menos de 30 dias, a esteticista Adriana de Souza Toledo recorreu ao tingimento para inovar o guarda-roupa, e disse que está satisfeita.
“Transformei uma calça branca em azul. Ficou tão perfeita que resolvi adotar o método em uma jaqueta e numa minissaia. Posso dizer que tenho três novas peças. O custo desse serviço não ficou nem pela metade do que custaria uma peça nova.”
O movimento acelerado numa oficina de costuras no bairro Santa Mônica anima as três funcionárias e todas apostam na rapidez dos serviços como principal atrativo.
"Somos capazes de fazer uma barra de calça em 10 minutos", disse Marleide Ramos, uma das donas do negócio.
Para este ano, esta empresária espera um aumento no faturamento de 15%, e para ampliar essas chances passou a oferecer serviços especializados como bordados especiais e customização.
“A média anual de crescimento é 10%, mas por causa da crise podemos apostar num índice maior. Quando o segmento de reformas oferece qualidade, não existem altos e baixos. Este é o segredo.”
Modelo ao gosto do cliente
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Lúcio Chiovatto abriu novo turno na oficina para restaurar sapatos |
Lucio Chiovatto é outro empresário uberlandense que apostou na personificação para alavancar sua oficina de sapatos.
“O cliente escolhe o tecido e o modelo que quiser e nós fabricamos o sonho dele”, disse.
O preço varia de R$ 80 a R$ 150 de acordo com o estilo e o material utilizados. O volume de serviços cresceu cerca de 40% e a expectativa é que este índice permaneça pelo menos até o carnaval.
Para dar conta dos pedidos, Lúcio e os dois irmãos estão trabalhando dobrado. “Abrimos mais um turno que vai até a meia- noite e, no dia seguinte, o expediente começa cedinho de novo.”