O ano de 2008 já se foi, deixando incertezas com relação ao rumo da economia mundial. Volatilidade do dólar, altas e baixas das bolsas de valores. A crise iniciada no mercado imobiliário norte-americano se mostrou mais global do que se podia imaginar.
No Brasil, o primeiro efeito foi a restrição de crédito, sem contar a fuga de investidores e o impacto na confiança do consumidor. Agora, a previsão é de que a economia desacelere, o desemprego bata na porta de alguns brasileiros e, consequentemente, a renda diminua.
"2009 é um ano de parcimônia, um período para as pessoas terem mais cuidado com o dinheiro, os gastos e as aplicações", disse o economista da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Carlos José Diniz.
Ele distingue três grupos ou perfis financeiros. Em um deles estariam as pessoas endividadas; no outro, as que têm liquidez e, em outro, as que não possuem dívidas nem dinheiro disponível.
“Para qualquer um desses perfis é preciso ter estabelecido mais do que nunca um controle financeiro que tem como premissa não comprometer mais do que 30% do orçamento de que dispõe.”
Entre os que começam o ano sem dívidas além das mensais normais e também sem dinheiro guardado estão a fisioterapeuta Roseli Moraes Gonçalves e o técnico em informática Floriano dos Santos Lima.
Juntos há três anos, decidiram sair do aluguel e vão utilizar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para entrar num financiamento de imóvel.
“Fizemos as contas e percebemos que já poderíamos estar com um apartamento quitado se tivéssemos entrado num financiamento em vez de morarmos de aluguel”, afirmou Roseli Moraes.
Os dois pagam aluguel desde que deixaram a casa dos pais. Ela em 2001 e ele em 2000. Moraram em república e em pensionatos até que decidiram há sete meses reduzir as despesas e morar juntos.
“Mas agora estamos decididos e não tememos a crise econômica, estamos com nossas contas equilibradas, o aluguel é positivo só para o proprietário do imóvel, daqui a pouco ele até compra outro imóvel e a gente não tem bem nenhum”, disse a fisioterapeuta.
Endividados buscam soluções
| Muriel Gomes |
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Economista Carlos Diniz sugere a busca por empréstimos pessoais |
Para aqueles que começam o ano de 2009 endividados, ou seja, acumulam dívidas que vão além das despesas regulares mensais, o conselho do economista da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Carlos José Diniz é fazer um controle do orçamento urgentemente.
“Primeiro é preciso verificar que tipo de dívida a pessoa tem para depois fazer uma reengenharia financeira”, disse.
Segundo ele, há casos de graus de endividamento tão elevados que o recomendado é que se busque um crédito consignado, um dos mais baratos atualmente, que permita um parcelamento fixo.
“Dessa forma, as dívidas que estariam sempre acumulando juros sobre juros seriam quitadas, como cartões de crédito, cheque especial, entre outros, e ficaria uma única dívida com valor fixo.”
Caso essa saída não seja possível, o indicado é que as pessoas busquem as instituições às quais devem para renegociar essas dívidas. “É necessário reequilibrar as finanças para recobrar a capacidade de compra daqui a algum tempo.”
Para aqueles que têm liquidez, ou seja, conseguiram poupar e têm um certo valor que está guardado, o recomendado é fazer um estudo da melhor aplicação desse dinheiro.
De acordo com o economista para essas pessoas haverá amplas possibilidades, desde compras de ocasião à abertura de um negócio próprio. “Em situações de crise é possível encontrar imóveis abaixo do preço real, a liquidez desse perfil financeiro permite que esse indivíduo seja o agente da ação.”
Já para aqueles que começam o ano de 2009 sem dívidas, mas sem dinheiro disponível é necessário agir com cautela. “Caso surja um bom investimento, se arrisque, desde que não comprometa 30% do orçamento.”
Aluguel de imóveis deve render bem em 2009
Até setembro de 2008, o que se via na economia brasileira era um momento de otimismo. Os índices de emprego e renda apresentavam constantes avanços. A inflação, apesar de representar ameaça constante, resquício do passado, vinha sendo controlada.
Setores industriais registravam recordes de produção. O varejo, recordes de vendas. Com isso, os investidores se sentiam mais confortáveis para enfrentar riscos. A crise financeira dos Estados Unidos atingiu o mercado mundial a partir de outubro e gerou incertezas até para os grandes investidores.
Um levantamento realizado por uma corretora que atua em São Paulo apontou que, até o dia 30 de dezembro, das 346 ações listadas, só 34 fecharam em alta. Quem entrou no mercado acionário perdeu 40% do valor investido, no mínimo.
Na crise que se apresenta, a rentabilidade dos aluguéis de imóveis pode ser maior do que a de grande parte das ações na Bolsa. Porém, com menos riscos, no longo prazo, a modalidade pode não garantir ganhos maiores do que os papéis, desde que estes sejam escolhidos de maneira correta e diversificada.
Um movimento que tem se verificado é que justamente o segmento em que a crise norte-americana estourou, o imobiliário, aqui no Brasil tem abrigado os investidores mais assustados do mercado acionário. Mas isso acontece com grandes investidores.
Os imóveis mais buscados são os comerciais, com valores entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões. O rendimento de um imóvel alugado gira em torno de 0,7% de seu valor de venda, superior à caderneta de poupança e alguns fundos de renda fixa.
Quanto aos automóveis a expectativa da Federação Nacional de Veículos Automotores (Fenabrave) para 2009 é de queda nas vendas de veículos, de 19% em relação a 2008. No total, deverão ser comercializados 2,155 milhões de automóveis e comerciais leves neste ano contra 2,661 milhões estimados para 2008, que terá um crescimento acumulado de 13% sobre 2007. Com isso, os preços devem cair.
Como investir?
Qual é a melhor aplicação para 2009?
A decisão é individual. Quando se trata de investimento, não existe aplicação melhor ou pior, existe, sim, aquela que mais se encaixa com os objetivos e condições financeiras individuais.
Valor
Quanto você pode investir? Planeje metas confortáveis e de acordo com seu orçamento. Não adianta investir um valor hoje, se amanhã terá de resgatá-lo. É melhor investir uma parte do valor e deixá-lo aplicado por bastante tempo. Definido o valor, verifique as aplicações que permitem o aporte de acordo com o seu planejamento.
Prazo
Por quanto tempo você quer e pode manter o dinheiro investido? Quando vai expirar a sua meta? A melhor aplicação para você vai depender do tempo que tiver para investir. Avalie o tempo mínimo de investimento de cada aplicação e escolha aquela que condiz com seus objetivos.
Risco e retorno
As duas variáveis estão diretamente ligadas, ou seja, quanto maior o risco que quiser e puder, correr, maior será o retorno do investimento.