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Série: O Fantástico Mundo das Histórias: Contos, Lendas e Fábulas
Apesar dos poucos registros sobre sua existência, Esopo marcou a história e inspirou muitos autores por meio de suas fábulas
Priscilla Melo
Atualizada: 26/03/2009 - 11h37min

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A fábula é uma narrativa curta, de fácil entendimento e na maioria dos casos os personagens são animais que apresentam características humanas. Falam, pensam e agem como as pessoas e as tramas têm a finalidade de transmitir lições de comportamento.

Atribui-se a Esopo a autoria de muitas fábulas famosas, que são contadas até hoje e já ganharam diversas e diversas versões diferentes das originais.

Foto:Déborah Borges
Histórias criadas em sua imaginação

Mas, afinal de contas, quem foi esse tal Esopo?
Não existem muitos documentos que comprovam a existência dele, por isso é considerado um personagem lendário na história, mas, ao que tudo indica, Esopo viveu no século 6 a.C na Grécia.

Ele nunca escreveu as histórias criadas em sua imaginação, apenas as contava para o povo. As pessoas geralmente gostavam de ouvir tais narrativas e por isso acabavam repetindo as mesmas histórias para mais e mais pessoas.

Assim as fábulas se tornavam conhecidas e foi somente 200 anos após a morte de Esopo que elas foram transcritas para o papel. Quem reuniu as fábulas de Esopo pela primeira vez foi Demétrio de Falera, em 325 a.C.

Consta que Esopo era um escravo gago e corcunda que possuía uma inteligência invejável. Assim que obteve sua liberdade, o escravo viajou pela Ásia, Egito e por toda a Grécia. Conheceu várias culturas e contou muitas histórias. Ele provavelmente aproveitava elementos da cultura popular para criar suas tramas.

Em suas histórias, os animais falam, cometem erros, são sábios ou tolos, maus ou bons, exatamente como os homens. Estima-se que a intenção de Esopo, em suas fábulas, era mostrar como os seres humanos podiam agir, para bem ou para mal.

Foto:Déborah Borges
A fábula é uma narrativa curta
Como já foi dito as ‘Fábulas de Esopo’ inspiram a imaginação de escritores até hoje, que recriam suas histórias com elementos, personagens e finais diferentes. E elas serviram também como base para recriações de outros famosos escritores ao longo dos séculos, como ‘Fedro’ e ‘La Fontaine’.

Entre as mais de 300 histórias atribuídas ao fabulista grego Esopo, as mais conhecidas são “A raposa e as uvas”, “A galinha dos ovos de ouro”, “O leão e o rato”, “A formiga e a pomba,”... e muitas outras.

Prazer em Ler

Vamos conferir algumas fábulas famosas em todo o mundo, cuja autoria é atribuída ao ex-escravo grego Esopo

O Leão e o Rato

O leão era orgulhoso e forte, o rei da selva. Um dia, enquanto dormia, um minúsculo rato correu pelo seu rosto. O grande leão despertou com um rugido. Pegou o ratinho por uma de suas fortes patas e levantou a outra para esmagar a débil criatura que o incomodara.

- Ó, por favor, poderoso leão – pediu o rato. Não me mate, por favor. Peço-lhe que me deixe ir. Se o fizer, um dia eu poderei ajudá-lo de alguma maneira.

Isso foi para o felino uma grande diversão. A idéia de que uma criatura tão pequena e assustada como um rato pudesse ser capaz de ajudar o rei da selva era tão engraçada que ele não teve coragem de matar o rato.

- Vá-se embora – grunhiu ele – antes que eu mude de idéia.
Dias depois, um grupo de caçadores entrou na selva. Decidiram tentar capturar o leão. Os homens subiram em duas altas árvores, uma de cada lado do caminho, e seguraram uma rede lá em cima.

Mais tarde, o leão passou despreocupadamente pelo lugar. Ato contínuo, os homens jogaram a rede sobre o grande animal. O leão rugiu e lutou muito, mas não conseguiu escapar.
Os caçadores foram comer e deixaram o leão preso à rede, incapaz de se mover. O leão rugiu por ajuda, mas a única criatura na selva que se atreveu a aproximar-se dele foi o ratinho.

- Oh, é você? – disse o leão. Não há nada que possa fazer para me ajudar. Você é tão pequeno!
- Posso ser pequeno – disse o rato - mas tenho os dentes afiados e estou em dívida com você.
E o ratinho começou a roer a rede. Dentro de pouco tempo, ele fizera um furo grande o bastante para que o leão saísse da rede e fosse se refugiar no meio da selva.

Moral da história: Às vezes o fraco pode ser de ajuda ao forte.

Foto:Déborah Borges
A Formiga e a Pomba

A Formiga e a Pomba

Uma formiga foi à margem do rio para beber água e, sendo arrastada pela forte correnteza, estava prestes a se afogar.

Uma pomba que estava numa árvore sobre a água, arrancou uma folha e a deixou cair na correnteza perto dela. A formiga subiu na folha e flutuou em segurança até a margem.
Pouco tempo depois, um caçador de pássaros veio por baixo da árvore e se preparava para colocar varas com visgo perto da pomba que repousava nos galhos, alheia ao perigo.
A formiga, percebendo sua intenção, deu-lhe uma ferroada no pé. Ele repentinamente deixou cair sua armadilha e, isso deu chance para que a pomba voasse para longe a salvo.

Moral da história: Quem é grato de coração sempre encontrará oportunidades para mostrar sua gratidão.

Foto:Déborah Borges
A gansa dos ovos de ouro

A gansa dos ovos de ouro

Um homem e sua mulher tinham a sorte de possuir uma gansa que todo dia punha um ovo de ouro. Mesmo com toda essa sorte, eles acharam que estavam enriquecendo muito devagar, que assim não dava.
Imaginando que a gansa devia ser de ouro por dentro, resolveram matá-la e pegar aquela fortuna toda de uma vez. Só que, quando abriram a barriga da gansa, viram que por dentro ela era igualzinha a todas as outras. Foi assim que os dois não ficaram ricos de uma vez só, como tinham imaginado, nem puderam continuar recebendo o ovo de ouro que todos os dias aumentava um pouquinho sua fortuna.

Moral da história: Quem muito quer, muito perde. A ambição desmedida atrapalha o progresso. Não se deve forçar demais a sorte.

O Burro e o Cachorrinho

Um homem tinha um burro e um cachorrinho. O cachorro era muito bem cuidado por seu dono, que brincava com ele, deixava que dormisse no seu colo e sempre que saía para um jantar voltava trazendo alguma coisa boa para ele. O burro também era muito bem cuidado por seu dono. Tinha um estábulo confortável, ganhava muito feno e muita aveia, mas em compensação tinha que trabalhar no moinho moendo trigo e carregar cargas pesadas do campo para o paiol. Sempre pensava na vida boa do cachorrinho, que só se divertia e não era obrigado a fazer nada. O burro se chateava com a trabalheira que ficava por conta dele.

“Quem sabe se eu fizer tudo o que o cachorro faz nosso dono me trata do mesmo jeito?”, pensou ele.
Pensou e fez. Um belo dia soltou-se do estábulo e entrou na casa do dono saltitando como tinha visto o cachorro fazer. Só que, como era um animal grande e atrapalhado, acabou derrubando a mesa e quebrando a louça toda. Quando tentou pular para o colo do dono, os empregados acharam que ele estava querendo matar o patrão e começaram a bater nele com varas até ele fugir da casa correndo. Mais tarde, todo dolorido em seu estábulo, o burro pensava: “Pronto, me dei mal. Mas bem que eu merecia. Por que não fiquei contente com o que eu sou em vez de tentar copiar as palhaçadas daquele cachorrinho?”

Moral da história: É burrice tentar ser uma coisa que não se é.

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