Em plena crise, o mercado de franquias não para de crescer. Segundo a Associação Brasileira de Franquias, (ABF), a demanda por negócios neste segmento cresceu mais de 20% no segundo semestre do ano passado, comparando-se com o mesmo período de 2007.
As incertezas no mercado de trabalho, cortes na remuneração e nos bônus, além da insegurança para investir o dinheiro em ações ou até mesmo em fundos de renda fixa, são alguns dos fatores que fazem crescer o mercado de franquias no Brasil.
A associação argumenta que a soma desses fatores tem feito cada vez mais executivos pensarem em um negócio próprio para garantir renda e estabilidade econômica sem depender do atual cargo, da empresa ou do bom humor da bolsa de valores.
Nesse sentido, as franquias acabam sendo uma opção bastante procurada, pois representam um negócio já estruturado, com uma marca testada e aprovada.
Depois de estudar vários mercados e segmentos, a empresária Kamila Prado apostou na parceria com uma franqueada norte-americana do ramo de alimentação que já tem 30 mil lojas no mundo, sendo 234 no Brasil.
Ela investiu cerca de R$ 350 mil numa única loja. Seu planejamento, porém, desafia a crise. No fim do ano passado, ela abriu a segunda loja em Uberlândia e se prepara para instalar a terceira unidade num prazo máximo de dois anos.
“Sem dúvida a larga experiência da franqueadora foi um dos fatores decisivos. A opção por uma loja que oferece alimentação saudável se deu porque esta é uma necessidade básica e a saúde é uma preocupação geral e latente”, disse Kamila. Segundo a ABF, dos 23 setores de mercado disponíveis, alimentação, moda e perfumaria são os mais procurados.
Expansão e ineditismo incentivam novos negócios
| Muriel Gomes |
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Marina Lazzarini lançou um portal de eventos |
Há mais de 10 anos, o empresário João Amâncio Naves Carneiro administra em Uberlândia uma loja de fast-food árabe. Ele não divulga valores investidos nem o retorno financeiro, mas diz que o negócio dá sinais de lucratividade.
Até abril, João Amâncio pretende inaugurar a segunda loja, desta vez no Center Shopping. “Esta era uma vontade antiga, mas não coincidia com a oportunidade de locação de espaço na praça de alimentação. Isso aconteceu justamente quando estourou a crise financeira internacional. Como um bom brasileiro, eu prefiro acreditar que vai dar certo.”
Depois de muito pesquisar o mercado de eventos em Uberlândia e região e perceber uma demanda maior que a oferta, a empresária Marina Lazzarini inovou e apostou alto.
Na próxima semana, ela inaugura um portal de organização de eventos. O negócio funcionará como uma vitrine virtual em que os clientes podem apresentar suas empresas por meio de foto, vídeo, link para sites e outros recursos audiovisuais. “Uberlândia cresceu muito e, por isso, esse é o negócio que vai favorecer a cidade. Este novo serviço abrange desde a contratação de uma simples lembrancinha de festa até aluguel de veículos de luxo.”
No Center Shopping, um dos mais importantes centros de negócios de Uberlândia, só nos últimos seis meses, foram comercializados espaços para quatro novos franqueados, que devem abrir as lojas no máximo até julho deste ano. Esta pode ser uma prova de que, para muitos, crise é sinônimo de oportunidade.
Especialista dá dicas para interessados
A previsão da Associação Brasileira de Franquias para este ano é que o setor cresça entre 12% e 13% em todo o País e boa parte deste percentual virá do investimento de executivos que saíram ou pretendem sair da iniciativa privada.
Mas especialistas em gestão de negócios afirmam que deixar uma empresa para tocar o próprio negócio, ainda que com uma estrutura já montada, exige estudo, planejamento e tempo, além de uma mudança de atitude.
Marcelo Cherto, presidente de empresa de consultoria especializada em ocupação de mercado afirma que não adianta pegar o dinheiro de uma rescisão de contrato, por exemplo, e gastar tudo na compra de um estabelecimento.
Com exceção do primeiro mês, quando a loja é novidade, o começo de um novo negócio costuma dar prejuízo e é preciso ter reservas para continuar pagando as contas e investindo no negócio. “Geralmente as contas se equilibram no sexto mês e o capital inteiro volta em cerca de dois ou três anos”, disse.
Na avaliação do consultor e professor de gestão mercadológica Paulo César Dornelas, embora o franqueado tenha certa liberdade para tocar o negócio, existem regras, obrigações e políticas estabelecidas pela franqueadora a serem cumpridas, o que, em alguns casos, acaba trazendo conflitos. “Quando o franqueado é um executivo experiente e acostumado a tomar decisões, ele pode começar a questionar práticas e técnicas do franqueador, por exemplo. É comum ele achar que pode fazer melhor e isso pode arruinar o negócio.”
O consenso de quem experiencia e entende do assunto é que, sem dúvidas, é preciso ter espírito empreendedor e estar presente no negócio o tempo todo.
Fique por dentro:
* Vantagens
- Perspectiva de sucesso de um negócio já experimentado, com marca consagrada no mercado
- Planejamento e pesquisas, orientações e aperfeiçoamentos sob a responsabilidade do franqueador
- Conhecimento do mercado, pontos fortes e fracos, com apoio de especialistas
- Instalação (comunicação visual/arquitetura)
- Economia de escala em compras de maiores volumes e custos de propaganda, promoções
- Maiores facilidades de acesso a créditos
- Retorno mais rápido que nos negócios independentes
- Independência jurídica
* Desvantagens
- Excesso de Controle Externo (auditorias) por parte do franqueador
- Limitação da autonomia, do mercado e da criatividade do franqueado
- Excesso de duração do contrato (longo prazo)
- Custo da aquisição da franquia (taxas), com riscos de não cumprimento das cláusulas contratuais
- Erros de seleção na escolha (falta de escrúpulos ou inadequação de perfil)
- Localização exclusiva da franquia (franqueado pode ser impedido de usar o ponto, em caso de rescisão contratual)
* Os riscos e vantagens apresentados dependem do tipo ou modalidade da franquia
Fonte: Associação Brasileira de Franquias (ABF)