Se em Minas não tem mar, vamos para o bar! Na capital mineira, Belo Horizonte, a máxima é levada a sério. São 12 mil bares espalhados pelos quatro cantos da cidade, do Barreiro à Venda Nova, da Pampulha às Mangabeiras. Mas não basta beber, é preciso saborear a criatividade mineira à frente das panelas. E os petiscos servidos na cidade cercada pela Serra do Curral são um convite ao esquecimento da dieta.
Para celebrar um dos traços mais marcantes da culinária das Gerais, um evento que já virou tradição na capital é o ideal para degustar e votar em comidas preparadas especialmante para serem servidas em mesas de bar. Em sua décima edição na cidade, o projeto “Comida di buteco” começa a movimentar a capital mineira.
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Comida de Buteco |
CORREIO participa de minicircuito na capital
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Batata do Malandro |
A convite da Belotur (autarquia de turismo da Prefeitura de BH), um grupo de jornalistas do interior de Minas fez um minicircuito do projeto “Comida di buteco” no sábado passado. A reportagem do CORREIO de Uberlândia participou do tour por três botecos que tiveram pratos inscritos na última edição do concurso gastronômico.
Saindo da Expominas, no Centro da capital, a van toma o rumo do bairro de Santa Tereza, na região leste de BH, um dos primeiros bairros da cidade construídos fora do traçado da avenida do Contorno. Santa Tereza em BH, a exemplo do bairro homônimo no Rio de Janeiro (onde um dos botecos mais famosos é, por coincidência, o bar do Mineiro), tem uma tradição boêmia. Foi nas suas ruas cheias de subidas e descidas que surgiu o movimento musical do Clube da Esquina, com Milton Nascimento, Lô Borges e companhia (de mesa).
Não por mero acaso, o bar onde a turma descontraída de jornalistas desce, fica em uma dessas esquinas. O primeiro ponto de parada é o Bartiquim. Aconchegante e decorado com relíquias atleticanas, o ponto de encontro acolhe bem três grandes paixões dos mineiros em um só local: futebol, comida (com queijo) e bebida.
O proprietário Rômulo Cesar da Silva, o Bolinha, recebeu a comitiva com porções generosas do quitute mineiro, que é item obrigatório no circuito gastronômico de boteco: o torresminho. Explicando a origem do apelido, Bolinha dá a dica: “para cozinhar bem, tem que experimentar. Se você for no boteco e o dono não for gordo, pode fugir”, disse. Da panela de pedra, sai borbulhando uma das especialidades da casa: “pirei com a língua”. Sugestivo o nome, já que o prato é pirê de batata com língua de boi. No grupo de jornalistas, até quem dizia que não gostava de língua, sem nunca ter comido, acabou sendo “fisgado” pelo prato.
Muitas mulheres bonitas e mesas na calçada
A van segue para o bairro Sion, região nobre de Belo Horizonte. O destino é o bar do Antônio, mais conhecido como pé-de-cana por causa da planta que nasceu na porta do estabelecimento. O bar é desprentesioso, o atendimento bom e a cerveja gelada. Em várias mesas é possível ver outro traço marcante da capital mineira – suas belas mulheres. Grupos com cinco, seis, sete mulheres desacompanhadas tornam o lugar ainda mais agradável. As mesas mais concorridas são as que ficam no passeio.
A mesa na calçada é um caso à parte na tradição de curtir os botecos de BH - há até uma institucionalização dessa informalidade na capital. A colocação na via pública é amparada pela legislação municipal, desde que asseguradas algumas regras, como a distância de 1,20 metro para os pedestres passarem. “É cobrada uma taxa de R$ 50, por metro quadrado, e tem que ter uma licença especial”, afirmou Luiz Henrique Hargreaves, engenheiro da Prefeitura de BH e frequentador do “pé-de-cana”. O estilo do bairro reflete no prato servido. “Rolinho de lagarto”, o petisco leva carne de lagarto com presunto de parma ao molho de vinagre balsâmico.
Do pé-de-cana, o grupo de jornalistas seguiu para o boteco “Estabelecimento”. Localizada no bairro Serra, a casa tem samba ao vivo. Sem placa na porta, as mesas de madeira ficam sob pés de ameixa e jaboticaba. O tira-gosto servido tem nome engraçado e sabor maravilhoso: “batatas de malandro”. Batatas ao murro assadas, cobertas com molho branco de leite, cebola, creme de leite, requeijão, estragão e noz moscada, além de carne de panela desfiada e preparada no vinho e condimentada com pimenta rosa. Deu água na boca? Então vale repetir; o prato e a visita a BH.
* O repórter viajou a convite da Belotur.
“Comida de buteco” – de 17 de abril a 17 de maio
Bartiquim: rua Silvianópolis, 74, bairro Santa Tereza.
Bar do Antônio (pé-de-cana): rua Flórida, 15, bairro Sion.
Estabelecimento: rua Monte Alegre, 160, bairro Serra.
Mais informações no site www.comidadibuteco.com.br